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A engenharia, o empreendedorismo tecnológico e o desenvolvimento sustentável

Poucos países no mundo passaram por um ciclo tão intenso e vigoroso de transformações quanto o Brasil nos últimos 45 anos. A análise das últimas quatro décadas mostra que, apesar de todos os seus problemas e limitações atuais, o Brasil está longe de ser um projeto que não deu certo. Essa situação, entretanto, não nos livra da necessidade de aprofundar as transformações já iniciadas a fim de criar um novo – e fundamental – ciclo de desenvolvimento capaz de conduzir o País a uma participação econômica e cultural relevante em termos globais.

No início deste novo milênio, o desenvolvimento do País, tanto do ponto de vista econômico quanto social, depende fortemente da tecnologia, que deve ser decisiva tanto na questão da inclusão social quanto no papel da geração de riqueza com base em novos produtos nacionais. A habilidade do País em se transformar de emergente em desenvolvido depende da distribuição interna de renda e de um posicionamento agressivo no mercado global, como criador e desenvolvedor de produtos de base tecnológica. Neste sentido, uma das principais ações que devem receber destaque nos próximos anos é o empreendedorismo tecnológico, isto é, a capacidade de oferecer ao mercado novos produtos baseados em tecnologias inovadoras, sempre com o diferencial de preços competitivos. Este papel desafiador compete principalmente aos engenheiros, que devem ser capazes de produzir conhecimento, utilizando-se de novas técnicas, criatividade e arrojo para oferecer à sociedade global produtos com conteúdo diferenciado e que consigam melhorar a qualidade de vida das pessoas. Esta mentalidade empreendedora, que é característica de países ainda em desenvolvimento ou subdesenvolvidos, permitirá ao Brasil em um mercado liderado pelas principais potências mundiais, que geram riqueza por meio da tecnologia.

É importante perceber hoje as duas fases da tecnologia, que definem caminhos opostos e complementares da engenharia no Brasil. Em uma primeira fase encontra-se a grande necessidade de se desenvolver produtos que facilitem a vida das pessoas, mas todos eles com tecnologias simples e de baixíssimo custo, a fim de atender às condições de boa parte da população do País, extremamente pobre. Em uma segunda fase reconhece-se a necessidade de penetração no mercado de produtos de alta tecnologia, que realmente geram riqueza a partir de sua segmentação em um mercado mundial crescente. A princípio, com a situação atual do Brasil, a engenharia pode atuar de modo muito importante e imediato no primeiro caminho, sendo que o segundo caminho se restringe a mercados específicos, nos quais os investimentos são mais significativos e onde já se encontram resultados brilhantes, como na exploração de petróleo e na indústria aeronáutica. Esses dois caminhos abrem ao País dois mercados gigantescos, que podem gerar ganhos social e econômico, cada um a seu modo.

É clara a influência que os engenheiros e a engenharia brasileira podem e devem exercer nos rumos do País nos próximos anos, e cujo objetivo é atingir o desenvolvimento sustentável da sociedade, dentro de um posicionamento global bem definido. Cabe à academia, em sintonia perfeita e em cooperação tecnológica com o setor industrial e de produção de bens e serviços, contribuir para a formação adequada dos recursos humanos, oferecendo não só a formação técnica, mas também humanística e global, de modo que os novos engenheiros se tornem vetores do progresso e da sustentabilidade.

 

O artigo “A Engenharia, o Empreendedorismo Tecnológico e o Desenvolvimento Sustentável” foi escrito por Francisco Paletta, diretor das faculdades de Engenharia e de Computação e Informática da Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP.

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