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O que fazer para ser uma neoempresa?

6, agosto, 2012

O crescimento do PIB abaixo das expectativas e a chamada desindustrialização do Brasil não são apenas reflexos da crise internacional nem podem ser revertidos somente com medidas governamentais. Os empresários precisam fazer seu dever de casa e entender que o maior concorrente está dentro da empresa: falta de rumo claro, escassez de líderes, estrutura inadequada, visão fragmentada, baixa inovação, falta de integração entre departamentos, baixo foco nos clientes, incapacidade de colaborar com parceiros, gestão de pessoas ultrapassada e governança engessada. Eles precisam entender que governo não é UTI para empreendimentos mal concebidos e mal gerenciados. Precisam, enfim, empreender e “empresariar”, não apenas se lamuriar e ficar pedindo subsídios.

O ranking das Melhores e Maiores Empresas do Brasil nos últimos 40 anos mostra que vários vencedores do passado naufragaram sob o peso das mesmas estratégias que os fizeram ter sucesso. Outros foram salvos em operações promovidas pelo governo ou por fusões e aquisições. Beneficiadas por décadas de protecionismo, muitas empresas nacionais não conseguiram se manter de pé quando o mercado se abriu. Foram impactadas também por inúmeras mudanças nas regras do jogo econômico, revolução tecnológica e absurdos custos fiscais, trabalhistas, financeiros e logísticos de operar no Brasil.  

A crença de que clientes compram produtos e serviços é uma das ideias que precisam ser sepultadas. Eles compram a realização de sonhos e o benefício do uso do produto ou serviço. As competências diferenciadoras são a imagem do produto, a cultura da empresa, a paixão das pessoas e dos clientes, o respeito da sociedade e a reputação junto a fornecedores críticos. Essas são mais difíceis de imitar do que o produto, por isso têm valor estratégico para a empresa.

Nesse ambiente, as neoempresas criam vantagens competitivas temporárias. Daí a necessidade de reinventá-las, não apenas em épocas de crise, mas de forma contínua. 

Onze diferenciais das neoempresas: 

1.Valoriza o intangível – estimula cultura própria e clima de confiança e inovação.  

2. Funciona como “hub” – a competição não se dará somente entre empresas nem apenas entre produtos, mas agregando partes interessadas, como investidores, fornecedores, parceiros, formadores de opinião.

3. Pratica a “clientividade” – em vez de apenas buscar o seu próprio crescimento, luta pelo progresso dos clientes. 

4. Estrutura-se de forma horizontal, flexível, com foco em resultados e negócios – novo modelo de governança mais sadio, que agiliza o processo decisório e atrai os talentos inquietos das novas gerações.     

5. Cultiva a paixão – não se limita a ações pontuais motivadoras e não manipula as emoções das pessoas. 

6. Integra de forma sistêmica – os modelos de negócios, de gestão e organizacional deixam de ser uma “colcha de retalhos”. 

7. Atrai e desenvolve líderes inspiradores que investem na formação de outros líderes. 

8. Customiza a gestão das pessoas – respeita individualidades e oferece inspiração para a vida de cada um. 

9. Reinventa-se continuamente – incentivando o clima de inovação e incorporando clientes e parceiros na busca de soluções. 

10. Incorpora a sustentabilidade ao modelo de negócio – identifica o fator crítico a ser priorizado para cada um de seus públicos. 

11. Constrói um “Mapa de geração de valor” – resultante do significado percebido pelas entidades que fazem parte do seu modelo de negócios.

O artigo de César Souza, presidente da consultoria Empreenda, foi editado pela Central de Geração de Conteúdo de NEI Soluções. Souza também é autor de diversos livros, como o recém-lançado A NeoEmpresa – o futuro da sua carreira e dos negócios no mundo em reconfiguração, Você é o líder da sua vida?, Você é do tamanho dos seus sonhos e Superdicas para conquistar clientes e para um atendimento 5 estrelas.


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