Matriz energética brasileira – como era, como é e como pode ser
“Em 1979, época do segundo choque do petróleo, a oferta de energia no Brasil era 50% baseada nesse energético, sendo 45% importado. Já em 2010, a importação de petróleo caiu para 8%, ou seja, conseguimos diminuir a dependência externa e criar novas fontes de energia, principalmente, renováveis. Para os próximos anos, a tendência da matriz é continuar a evolução das fontes renováveis”, resume Altino Ventura Filho, secretário de planejamento e desenvolvimento energético do Ministério de Minas e Energia – MME.
A afirmação do secretário foi feita no último dia do Abinee Tec 2012, evento sobre sustentabilidade, energias alternativas e eficiência energética, organizado pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Abinee, que aconteceu este mês no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo.
Como era
Na década de 1970, 75% da matriz energética brasileira era composta por petróleo e derivados e lenha e carvão vegetal – fontes mais poluentes e menos eficientes. Segundo Ventura, três decisões estratégicas naquela década impactaram positivamente na estrutura da matriz energética brasileira: o início da construção de grandes e médias usinas hidrelétricas pela Eletrobras, a prospecção de petróleo no mar pela Petrobras e a criação do Pro-Álcool, programa de fontes renováveis de combustíveis líquidos não derivados do petróleo. “Naquela época, poucos países acreditavam no álcool como combustível e o Brasil apostou. Além disso, nesses 30 anos, a mudança foi significativa e, hoje, o Brasil produz energia elétrica com alta sustentabilidade”, conta.
Como é
Na comparação entre 2010 e 1980 a evolução da matriz brasileira foi significativa. Enquanto na década de 1980, o Brasil produzia 48% da sua energia à base de petróleo, hoje essa fonte representa 38%. Lenha e carvão vegetal apresentaram queda ainda mais brusca. Em 1980, somavam 27% da energia produzida e hoje representam apenas 10%.
A queda da representatividade dos combustíveis fósseis abriu espaço às fontes mais limpas e, segundo o secretário, mais eficientes, principalmente se comparadas à lenha e ao carvão vegetal. Os derivados de cana que representavam apenas 8%, atualmente somam 18%. A hidreletricidade passou de 10% para 14%. O gás natural aumentou dez vezes sua participação, de 1% para 10%.
Hoje, o equilíbrio do uso de combustíveis fósseis e energias renováveis resume o porquê a matriz energética brasileira é exemplo mundial a ser seguido. Segundo dados da Resenha Energética MME 2011, enquanto o mundo em 2010 produziu apenas 13% de energia à base de fontes renováveis, o Brasil gerou 45% de eletricidade à base de fontes limpas.
Como pode ser
Segundo o secretário do MME, a tendência da matriz energética brasileira é ampliar cada vez mais o uso de fontes renováveis. “Dos 70 mil MW que o País precisa gerar até 2020, 81% serão baseados principalmente em hidrelétrica, mas também em eólica e biomassa, que possuem disponibilidade, tecnologia nacional e menos emissão de CO2”, afirma.
De acordo com o planejamento do Ministério de Minas e Energia, até 2020 o Brasil precisará de 69.200 MW para atender a demanda, sendo que 35.000 MW será produzido pela hidreletricidade, 12.300 MW por biomassa e 10.600 MW pela eólica. Petróleo (4.100), gás natural (2.200), carvão (1.800), gás industrial (1.800) e nuclear (1.400) completam o planejamento.


