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Instrumentação & Controle: Indústria 4.0 indica tendências tecnológicas para monitoramento de processos

1, dezembro, 2015

Cada vez mais inserida no mundo, no Brasil a transição para a Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial apenas se iniciou, por isso NEI colabora para expandir o conhecimento, consequentemente agilizar a inserção do novo conceito no País. Durante todo este ano, a equipe de reportagem de NEI entrevistou especialistas de diversas áreas da indústria que mencionaram o tema como tendência, e esse conteúdo foi apresentado aos leitores nos textos de abertura das seções especiais mensais da Revista NEI e aqui, neste Blog. Essas reportagens introduziram muitas notícias de lançamentos de produtos já relacionados à indústria do futuro. Para este mês, os entrevistados, focados na área de instrumentação e controle, não responderam diferente. Novamente citam a Indústria 4.0 como “a bola da vez”.

Para acompanhar este texto, aqui há uma seleção de novidades de instrumentação e controle pesquisadas no Brasil e no exterior, muitas já inseridas no conceito da nova revolução. Além de colaborar para a implantação da Indústria 4.0 no País, os lançamentos contribuirão para ampliar a qualidade e a produtividade industrial, reduzir os custos operacionais e fornecer maior segurança, aumentando a lucratividade das empresas, das pequenas às grandes, de todos os setores industriais.

“O que está em evidencia é a Indústria 4.0 e tudo o que se une para dar suporte a ela, como Identificação por Radiofrequência (RFID), Sistemas Ciberfísicos (CPS), Internet das Coisas (IoT), computação em nuvem, realidade virtual, realidade aumentada e Big Data”, informou Fabrício Junqueira, docente e membro do Laboratório de Sistemas de Automação da Escola Politécnica da USP. “As diferentes combinações desses elementos, pois não há necessidade de usar todos ao mesmo tempo, ditarão várias tendências. Evidentemente influenciarão os diferentes setores industriais de forma diferente.”

Ainda sobre tecnologia, um tema para discussão sugerido por Ludmila Correa de Alkmin e Silva, professora da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, doutora e pós-doutora em engenharia mecânica e especialista em projetos de máquinas, possibilitando uso no futuro, é a aplicação do Arduino na automação industrial (plataforma de prototipagem eletrônica). “É composto por um microcontrolador Atmel AVR e componentes complementares para facilitar a programação e a incorporação para outros circuitos com o conceito de software e hardware livre”, explicou a docente.

Segundo Ludmila, com a evolução e a popularização do Arduino, aumentou a discussão sobre seu implemento na automação de processos produtivos. “Algumas vantagens e desvantagens possui em relação aos controladores lógicos programáveis industriais – CLPs, que são os mais comuns atualmente”, contou. “Os CLPs são usados por serem robustos e seguros, porém apresentam custo mais elevado, enquanto o Arduino é mais simples no uso e na implementação.” Assim, a professora fomenta a discussão se em pequenas plantas automatizadas o Arduino poderia substituir o CLP.

A força da I&C na indústria

As tecnologias de instrumentação e controle sempre foram o pilar da produção industrial, mas agora não apenas completam o ciclo produtivo, tornam-se inteligentes o suficiente para nutrir os sistemas de gerenciamento de ativos, passando de apenas modernas para modernas e eficientes, disse Luiz Tadashi Akuta, gerente de desenvolvimento de negócios da Mitsubishi Electric do Brasil. “Quando bem aplicadas, as tecnologias podem levar muito mais modernização com eficiência às empresas, já que possibilitam conhecimento dos processos e otimização das linhas de produção, das quantidades estocadas, da qualidade do produto final e redução de gargalos, sendo as pontes entre as áreas produtiva e gerencial”, acrescentou Marcilio Pongitori, diretor da Shevat, empresa de projetos e treinamentos de controle de processos, elétrica, instrumentação e automação, de Campinas-SP. E Akuta finalizou: “A instrumentação ‘de ponta’ é a arma estratégica que fará diferença na competição de mercado, com eficiência e economia.”

Mesmo neste período de dificuldade econômica que o Brasil enfrenta, Pongitori justifica o investimento nesse setor: “Em uma implantação de melhoria nos processos, a I&C apresenta o menor custo no total de investimento, pois tradicionalmente representa menos de 5% do total, porém em termos de impacto no processo é a área que tem maior retorno”. De acordo com o gerente de desenvolvimento da Mitsubishi, nos momentos de crises, há necessidade de se gerenciar tudo, e isso só é possível com a I&C para obter os dados que fazem aumentar a eficiência dos processos. “O momento atual é para preparar as fábricas para ser o mais hábil possível, pois após essa fase, os que se organizaram responderão com maior velocidade e rentabilidade”, sugeriu Akuta.

Colaboraria ainda se todas as partes envolvidas com a I&C investissem em qualificação profissional e parcerias. Para Junqueira, um bom exemplo é como agem os japoneses, que “debruçam-se” sobre um problema, um produto, um ciclo de produção, uma forma de transportar mercadorias, esgotando tudo o que se pode fazer. “Isso todos nós poderíamos fazer aqui”, destacou o docente, que ainda orienta as empresas concorrentes a se unir para dominar conhecimento para concorrer com outros países. “Como engenheiro, gostaria de ver o ‘boom’ da engenharia no País, da industrialização, da exploração expressiva dos produtos”, almejou o professor.

A parceria indústria e comunidade acadêmica foi sugerida por Rodrigo Alvite Romano, doutor em engenharia elétrica e professor do Instituto Mauá de Tecnologia. “Infelizmente há uma visão equivocada de que os pesquisadores e acadêmicos não podem cooperar para resolver os problemas da indústria”, disse Romano. “Deixo algumas perguntas para os leitores da NEI refletirem: quantos profissionais existem na sua empresa com perfil para buscar soluções inovadoras? quantas vezes recorreu a uma universidade para solucionar um problema recorrente?

A experiência de Romano com esse tema mostra que há pouca interação entre os meios industrial e universitário. “Além de cooperar para a solução de problemas, essa parceria certamente colabora para a qualificação de profissionais.

Se desejar opinar sobre as questões sugeridas pelos especialistas, deixe sua mensagem aqui.


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