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Simples e decisivo para o sucesso: ouvir sempre a “estrela-guia”

Estudos muito sérios de cientistas trabalhando em instituições respeitáveis mostraram que nos aproximamos de uma Singularidade Tecnológica, nome dado ao momento em que a  tecnologia evoluirá tão rapidamente, que as previsões se tornarão irrelevantes.

Pode parecer ficção científica, mas esse ritmo já tem exemplos bastante convincentes. Gordon Moore, cofundador da Intel, por exemplo, observou nos anos 60 que o número de transistores integrados em um único circuito dobrava a cada dois anos. A lei de Moore foi logo corrigida para 18 meses e, hoje,  os menores transistores ocupam apenas o espaço de algumas centenas de nanômetros. A lei de Moore permite projetar para 2015 – ano que vem! – o desenvolvimento de hardware com capacidade comparável ao cérebro humano.

Para os profissionais da indústria, essa evolução pode ser vista no seu chão de fábrica, na sua mesa de trabalho e, também, nas 173 notícias de produtos, por exemplo, publicada em NEI.com.br, em que celebramos os 40 anos da Revista NEI.

Essa rápida e permanente evolução tecnológica, associada à globalização da concorrência, prioriza a modernização na agenda da indústria, qualquer que seja o nicho de mercado. Desde seu lançamento, em março de 74, a Revista NEI publicou 154 mil produtos, cada um deles uma novidade na época de sua divulgação, cada um deles uma solução para os problemas de qualidade e produtividade. Cada um deles uma sugestão de modernidade.

Este ano, as edições da revista (e também em NEI.com.br) estão incluindo uma nova contribuição para o necessário esforço de modernização. São relatos de mudanças e inovações bem-sucedidas na produção ou gestão de indústrias, testemunhos de como é possível manter-se competitivo. Um desses relatos, que mostra como a Bosch viabilizou o novo Flex Start®, invertendo o ciclo tradicional de comercialização, você confere aqui.

Também na seção artigos de NEI.com.br  você conhecerá como NEI evoluiu, ao longo de 40 anos, para acompanhar a modernização das comunidades de leitores e anunciantes e como chegamos ao estágio atual de abrigar, sob a marca NEI, um elenco de mídias virtuais e impressas sob a denominação de NEI Soluções, que revela o mandamento que respeitamos desde nosso lançamento – em primeiro lugar, ouvir os leitores, anunciantes e usuários de mídias digitais. Eles são nossa estrela-guia.


Modernizar ou modernizar. Não tem jeitinho nem plano B

Em 1974, quando a TL Publicações lançou Noticiário de Equipamentos Industriais – NEI, não se falava tanto em interatividade como hoje, mas colocá-la a serviço de fornecedores e usuários de máquinas e equipamentos industriais era a principal missão da nova revista. Ela permitia aos leitores conhecer as novidades lançadas pelos fabricantes e, ao mesmo tempo, criava o canal em que podiam revelar e até graduar seu interesse pelos produtos – o sistema de cartões-consulta.

Na motivação fundamental desse encontro dos dois lados do mercado, está a permanente necessidade de ganhar competitividade pela modernização dos processos de produção e de gestão industrial.

Essa motivação e essa necessidade continuam as mesmas, fortes e inevitáveis, porque são parte do DNA do mercado. O que mudou e continua mudando são as maneiras de aproximar usuários e fornecedores de bens e serviços industriais.

Para atender ao desafio dessas mudanças reunimos, sob a marca de NEI Soluções, mídias e serviços, impressas e digitais, que compartilham atualmente com a revista a missão de aproximar usuários e fornecedores industriais. Agora, viabilizando uma interatividade turbinada pela eletrônica.

Todas as pesquisas dentro do universo da indústria e todas as vozes que a representam nos diferentes escalões empresariais dizem que é hora de se modernizarem os processos de produção e os métodos de gestão. E dizem em tom de urgência, que não admite adiamentos.

Essas vozes e as pressões que elas refletem inspiram nosso projeto de celebrar os 40 anos de NEI, ampliando nossa contribuição ao esforço de modernização da indústria. Para concretizar essa contribuição, NEI e outras mídias de NEI Soluções incluirão, ao longo de 2014, artigos especiais sobre diferentes temas e tecnologias que estão modelando as fábricas do futuro. Eles estão bem alinhados com a missão assumida desde 1974 e têm relevância e urgência adicionais num contexto de acelerada transformação tecnológica e econômica, em dimensões nacional e global.

No limiar de nosso 41° ano, continuaremos a produzir a informação confiável que, em 1974 como hoje, é o insumo crítico de toda a indústria, independente de seu porte ou produto. Por isso nós continuaremos a pesquisá-la em escala mundial, selecioná-la segundo necessidades imediatas da indústria e a divulgá-la através de mídias que servem às diferentes conveniências e urgências dos profissionais da indústria.

Afinal – e como resumo – modernizar é o caminho para maior produtividade, melhor qualidade, menores custos. Não existe plano B capaz de enfrentar a concorrência global que se agiganta dia a dia nos mercados interno e externo.


Conheça 62 produtos campeões e 1 supercampeão de interesse

campeoesVocê vai conhecer 62 produtos campeões e 1 supercampeão de interesse. Incluídos no espaço editorial de NEI.com.br no período de julho de 2012 a junho de 2013, estes produtos foram os que despertaram maior interesse dos profissionais da indústria que acessaram o site NEI nesse período.

Esse interesse é medido pelo número de cliques que o produto recebe em campos do site, que evidenciam um inequívoco interesse do visitante pelo produto. São considerados apenas os cliques que acionam ligações telefônicas, enviam e-mail, imprimem a informação, encaminham o visitante para o site do fabricante e acessam o vídeo do produto.

A lista de produtos divulgados no período é classificada em categorias e depois ordenada em cada categoria pela quantidade de cliques. A quantidade de produtos em cada categoria será proporcional ao interesse que a própria categoria despertou entre os usuários de NEI.com.br.

O passo seguinte e final para a edição de Campeões de Interesse é confirmar os dados cadastrais dos fabricantes e a disponibilidade do produto.

Os 63 produtos que você encontra nesta seção superaram todas essas fases. Para complementar, vale a pena conhecer um pouco as motivações dos profissionais da indústria que revelaram seu interesse selecionando um ou mais critérios que elegem um campeão de interesse.

Como surge o interesse de um produto supercampeão
A impressora 3D, fabricada pela Cliever Ind. e Com. de Produtos Tecnológicos Ltda., foi o produto que despertou maior interesse entre todos aqueles publicados no período considerado. Um supercampeão de interesse,
portanto, publicado originalmente na edição de Noticiário de Equipamentos Industriais-NEI de junho de 2013.

Um grupo de profissionais que mostrou interesse específico pelo produto respondeu a um questionário sobre as razões de seu interesse. Sem nenhuma ordem de importância, as respostas mais relevantes foram:

* Estudar o uso da impressora como alternativa para a linha de produção
* Conhecer a maneira da impressão
* Obter a representação do produto
* Conhecer o sistema FDM
* Estudar a possibilidade de usar a impressora na planta
* Flexibilizar a produção e a linha de produtos

Essa mostra de profissionais da indústria tem uma expectativa de preço que variou entre o mínimo de R$ 3 mil e o máximo de R$ 6 mil.

De maneira geral, a atenção desses profissionais foi atraída pelas possibilidades de aplicações mais recentes de uma tecnologia que estava limitada à fabricação de protótipos. Uma reação semelhante à que tem sido observada na indústria norte-americana, por exemplo, em que as impressoras 3D despertam expectativas tão grandes, que existe quem a imagine desencadeando uma nova revolução industrial fundamentada na tecnologia da manufatura aditiva.

Um painel de especialistas recém-reunidos pela GE Global Research debateu o potencial da nova tecnologia. A principal conclusão é de que a manufatura aditiva traz promissoras possibilidades de inovação e cooperação industrial, bem como abre novos modelos de negócio.

Embora tenha sido assinalado que ainda existem muitas questões que precisam ser resolvidas a respeito da nova tecnologia, os especialistas concordam que há uma forte tendência para sua expansão, demonstrada pelo crescimento de 29% nas vendas das impressoras 3D no mercado norte-americano.

A expansão das aplicações da tecnologia aditiva depende da solução de alguns gargalos, entre os quais os especialistas destacam: alcançar custos competitivos na produção de grandes volumes e desenvolver as ferramentas
de design e CAD para torná-los mais eficientes na combinação de tecnologias aditivas e subtrativas.

Segundo Rodrigo Krug, presidente da Cliever, essa é a primeira impressora 3D projetada e fabricada no País. Como matéria-prima ela usa as resinas PLA e ABS, mas está em estudos o emprego de outras resinas plásticas. O grande interesse revelado pelo setor de fundição motivou também o estudo de aplicações para moldes de cera perdida.

O interesse pela nova tecnologia é grande. A Cliever recebe diariamente de duas a três visitas de empresas interessadas em conhecer mais sobre a tecnologia. A curiosidade é grande também, e uma das preocupações
da Cliever é explicar as limitações atuais da tecnologia e da máquina.

Rodrigo atribui a grande aceitação da impressora 3D no mercado ao seu custo bastante competitivo, em torno de US$ 2,100, e a empresa ainda trabalha para conseguir as isenções previstas nas operações de drawback. A inovação tecnológica costuma gerar uma expectativa de altos custos, mas no caso da impressora, o preço praticado pela Cliever esteve bastante próximo das expectativas do mercado.

O componente crítico da impressora é a cabeça de impressão, fabricada no Brasil, mas existem componentes importados, como os motores de passo, que têm preços melhores no mercado internacional.

A produção cresceu de 30 para 100 unidades ao longo de 2013, e a Cliever prepara sua infraestrutura de produção, vendas e logística, para melhorar o resultado neste ano.

impressora 3D


NEI – a permanência da modernidade

Neste mês completa os 39 anos de existência de Noticiário de Equipamentos Industriais-NEI. Primeira de seu gênero no País, primeira na preferência dos executivos da indústria ao longo de todos esses anos. As razões estão no conteúdo editorial, que reúne informações sobre novos equipamentos em escala mundial, no corpo de editores e consultores que preparam e selecionam o conteúdo editorial de acordo com as necessidades da indústria. As razões também estão no pacote de serviços associados à revista, como as pesquisas de Intenção de Compra e Preferência de Marca, que mostram a posição relativa da marca no seu mercado e levantam informações que geram a edição Top Five.

E, mais recentemente, as razões dessa liderança também podem ser encontradas no complexo de comunicação apoiado na mídia digital – a versão eletrônica de NEI para tablet, o newsletter NEI News, o site NEI.com.br, que acompanham e atendem as modificações de comportamento introduzidas no mercado industrial pela mobilidade viabilizada pela tecnologia da informação. Elas são o sinal visível de uma diretriz que nos governa desde o lançamento de NEI há 39 anos e nos impõe oferecer, sempre, a informação mais atualizada na mídia mais conveniente.

A edição de março da revista NEI dedica um espaço especial para a Logística, um setor que tem importância crescente nas cadeias de produção industrial. Já era importante em 1974, como mostra a seleção de produtos da primeira edição de NEI. A Logística já estava então presente de forma significativa com guinchos, plataformas, elevadores-carregadores, correias transportadoras, os lançamentos mais recentes da época. Trinta e nove anos depois, os lançamentos mais recentes para a Logística industrial estão reunidos a partir da página 36 da edição impressa e na seção especial do site NEI.com.br. Eles foram pesquisados junto aos expositores de feiras nacionais e internacionais do setor – Cemat, Movimat, Intermodal, Logimat e Promat, aos quais acrescentamos os fornecedores listados no site de NEI, em categorias relacionadas à movimentação, embalagem e armazenamento de materiais. As respostas que nos chegaram em tempo hábil foram selecionadas pelos nossos consultores e editores.

Neste março, como em março de 74, NEI continua sendo a melhor e mais atualizada fonte de informações a serviço dos profissionais da indústria. E a seção dedicada à Logística é mais um exemplo da permanência da modernidade na longa existência de NEI.


Tudo começa pela preferência

Quando foi que você e/ou sua empresa tirou um tempo da rotina para examinar mais de perto a posição de sua marca no mercado industrial? Ontem seria talvez a única resposta tranquilizadora, porque estamos falando de um dos mais importantes ativos da empresa – ainda que seja intangível. E também um dos mais críticos, porque marcas exigem muito tempo para ser firmadas, mas podem ser desmoralizadas em poucos dias, horas talvez, num mercado que gira em velocidade digital.

Há mais de duas décadas, nossa Pesquisa de Preferência de Marca oferece à indústria meios de avaliar e comparar o status de suas marcas.

Usando os resultados da Pesquisa, já testamos a correspondência entre a preferência e a posse da marca declarada. A comparação revelou a coincidência quase absoluta. A verdade que emerge é também simples e direta – a indústria compra o que prefere, o que é bastante consistente com o fato de a indústria não comprar por impulso.

A pesquisa, e o que seus dados permitem deduzir,  mostra que é imperativo cuidar da marca, sustentá-la de forma permanente e inteligente. E fugir dos erros mais frequentes, aqueles que já exterminaram muitas marcas, segundo os especialistas em Marketing. Entre eles, o abuso da marca, a marca como responsabilidade exclusiva de um departamento, a corrida atrás de modismos e, sobretudo, acreditar que marcas fortes são indestrutíveis. Marcas, sobretudo em mercado globalizado e digitalizado, exigem permanente vigilância.


O ano em que vamos merecer um PIB maior

“Ninguém merece”. A expressão muito popular para descrever situações indesejáveis vale para medir o desapontamento do governo e das empresas com o modestíssimo crescimento do PIB brasileiro em 2012. E ninguém tem mais razões do que a indústria para esse desapontamento. Afinal, no País reconhecido como a quinta economia mundial, a contribuição da indústria para o PIB tem sido mínima. Uma das razões aliás, talvez a principal, da sua anemia.

Existem luzes no fim do túnel. Dentro do governo e em todos os níveis da representação do segmento industrial, o diagnóstico está feito – o PIB  somente  crescerá no ritmo requerido pelo desenvolvimento desejado do País se e quando a indústria tiver as condições para uma contribuição significativa. 

O melhor de 2012, contudo, não pode ser contabilizado nos cálculos do PIB. Faltou tempo em 2012, faltou, em alguns casos, complementação das medidas e, como resultado, faltou às empresas a confiança que somente surge quando se percebem a consistência e a permanência das medidas adotadas.

A importante queda nas taxas de juros; os financiamentos abertos para a inovação e ampliação física da produção; a redução dos custos da energia elétrica, que beneficia cada indústria em particular, mas também se acumula ao longo da cadeia industrial; as reduções ainda pontuais da carga tributária e o câmbio competitivo, mantidos e complementados, devem desenhar um novo e mais promissor cenário para a indústria. 

As previsões de todas as entidades representativas da indústria sustentam que o PIB 2013 oscilará entre 3 e 4,5%. Elas acreditam sinceramente que as políticas implantadas ao longo de 2012 vão frutificar e todos poderemos dizer no final deste ano que as previsões estavam corretas e que nós merecemos o progresso alcançado.


As soluções que nos faltam

Entre 5 e 7 deste mês, a Confederação Nacional da Indústria – CNI realizará o seu sétimo encontro nacional, em Brasília. O tema central não podia ser outro senão a busca da inovação, revelada na escolha de um especialista em transformações do cenário industrial para abrir o evento. A inovação é o motor das transformações, hoje a maior motivação da indústria desde que se autorreconheceu como pouco competitiva no espaço econômico global.  

O  evento revela, na distribuição de seus temas e na qualificação de seus palestrantes, o grau de aflição da indústria. E ela tem boas razões, todas justificadas pelos maus números de seu desempenho em 2012, que dispensam repetição masoquista.

O ano termina e a lista de providências adotadas pelo governo, entre elas a importante redução de juros, a renúncia fiscal de R$ 45 bilhões estimada pelo próprio ministro da Fazenda, os incentivos e planos do PAC e pré-sal, ainda não conseguiu reativar a indústria.

A maior vitória de 2012 parece estar no reconhecimento, pelo governo, de que soluções pontuais só podem produzir alívios pontuais e temporários. Como corolário imediato, não basta desatar alguns nós da trama econômica quando o problema está em todo o novelo.

O que falta, portanto, é conseguir do Congresso Nacional as reformas tributária, trabalhista, judiciária, política, para citar as de importância mais óbvia, que podem corresponder melhor às necessidades e anseios de desenvolvimento econômico e social solicitados por um País emergente no limiar de uma nova configuração mundial.

Em 2012, portanto,  continuamos a ser um País emergente, a quinta economia mundial, segundo expectativas otimistas. O que não é totalmente ruim desde que 2013 seja melhor e que a expectativa se transforme em realidade.


Informação sempre disponível

A eletrônica e sua filha mais influente, a tecnologia da informação, provocaram na indústria uma revolução, tantas e tão diversas são as transformações introduzidas, tão radicais as suas consequências. Elas estão presentes, visíveis e dramaticamente críticas em todas as indústrias, sejam grandes corporações ou pequenas empresas. Com uma agravante – esta revolução ainda está em curso, com uma velocidade obviamente eletrônica.

Um exemplo bem recente desse estado de “revolução permanente” está na evolução do wireless no chão de fábrica. Aumentou significativamente a confiabilidade do sinal entre máquinas emissoras e receptoras com a transformação de pontos de reflexão e deflexão do sinal em estações repetidoras que reforçam o sinal e o reenviam ao seu destino, onde um software reagrupa todos os fluxos para integrar a mensagem como foi originalmente emitida. Em outras palavras, as mensagens “dobram esquinas” e chegam íntegras ao destino.

Dentro ou fora desse ambiente, ganhou importância a disponibilidade da informação de que os profissionais da indústria precisam para alcançar seus objetivos. NEI Soluções tem acompanhado de perto as mudanças, e a edição em papel do Top Five – Diretório de Fornecedores Qualificados, que circulou em outubro, por exemplo, pode ser acessada no NEI.com.br, com a mesma qualidade da edição em papel e conteúdo ampliado.

As edições de NEI – Noticiário de Equipamentos Industriais e o Top Five também já podem ser acessadas nos tablets, via plataformas IOS se você tem iPad ou Android no caso de outros fabricantes. Não importa onde nem em qual circunstância você precise de informação atualizada e confiável, as mídias de NEI Soluções “dobram esquinas” para chegar a você, íntegras e com a confiabilidade garantida pelos 39 anos de experiência no campo da informação industrial.


O lado bom das crises

Os números recentes mostram a ainda modesta, mas bastante promissora recuperação da indústria. Os números vêm das entidades que congregam e representam o setor industrial, de organismos que monitoram a economia e do próprio governo federal.

As esperanças que temos nascem menos desses números de nossa economia no terceiro trimestre e muito mais do conjunto de providências adotadas pelo governo. As desonerações tributárias das folhas de pessoal, a redução recorde das taxas de juros e a mais recente de todas, a redução importante na conta da energia. No caso da indústria, uma redução que pode alcançar um terço da conta atual de energia. A esse pacote de estímulos é preciso adicionar as restrições criadas para posicionar as importações em patamares mais aceitáveis.

Esse elenco de providências deve cumprir seu papel estimulante, especialmente porque o discurso da equipe econômica permite alimentar a hipótese de que estamos criando uma nova e permanente política econômica, encerrando de vez as intervenções episódicas, remédios temporários para surtos de depressão econômica.

É interessante notar como o impacto das crises internacionais, além de mostrar as óbvias interdependências da economia globalizada, impõe maior racionalidade à nossa economia. Quase uma reforma, se pensamos no tempo que convivemos com taxas de juros “selvagens”, folhas de pessoal engessadas, custos de energia incompatíveis com a matriz energética fundada na mais barata das formas de geração.

A crise de 2008 serviu para evidenciar a força do mercado interno, a proteção que transformou a crise em marola administrável. Agora, o segundo turno da crise afeta gravemente a zona do euro e, somado à ainda fraca recuperação do mercado norte-americano, obriga nossas equipes econômicas a implantar medidas que o País exige há muito tempo, ou seja, um ataque frontal ao “custo Brasil”, do qual os impostos pendurados nas tarifas de energia elétrica são um exemplo eloquente, mas não único.

A pergunta que fica, portanto, é por que precisamos de crises internacionais para fazer o que sempre soubemos que devíamos fazer?


A fórmula insuficiente

Os juros foram reduzidos nas duas pontas da economia – produção e consumo. É o que a teoria econômica tradicionalmente recomenda para ativar produção e animar o consumo.

As teorias e as práticas, contudo, frequentemente se desmentem e contraditam-se e, no momento que vivemos, parecem dizer que o cenário econômico do País alcançou tal porte e peso que exigem receitas mais sofisticadas do que a fácil alquimia que mistura renúncias fiscais a crédito mais fácil nas duas pontas do mercado.

O governo ainda confia na fórmula, apesar de alertado para o elevado endividamento do mercado consumidor, que reduz o impacto dos benefícios fiscais, e de conhecer o ceticismo da indústria em relação a medidas  pontuais, de duração efêmera e eficácia duvidosa.

A indústria e o País insistem na adoção de políticas mais abrangentes, que realmente mereçam o nome de política porque são capazes de enfrentar os diversos gargalos que compõem o custo Brasil – a elevada carga tributária, por exemplo, tão elevada quanto irracional, a ponto de representar 38% do custo de remédios, enquanto nos Estados Unidos esse custo está ao redor de 5%. A vizinha Argentina, apesar de não ser modelo para políticas fiscais, mantém esses impostos em 18%. Apenas um exemplo para dramatizar o peso desse custo Brasil, que inclui a precariedade da infraestrutura, a Justiça burocrática e bacharelesca, a ineficiência dos serviços públicos, que não esgota a lista de problemas, mas basta para dimensionar sua extrema  gravidade e a urgência das soluções.

A indústria reconhece, nas medidas já adotadas pelo governo federal, a vontade política e a persistência necessárias para liderar as transformações de que a economia precisa e das quais a indústria, mais do que outros segmentos, necessita para reconquistar posições que já desfrutou no mercado internacional. A opção que ninguém deseja é a desindustrialização, que terminará entregando aos importadores a maior  fatia do mercado interno.