Em oito anos, a energia elétrica subiu 246% no Brasil, enquanto a alta nos Estados Unidos foi de 35,3%. O levantamento realizado pela MB Associados também mostra que em Camaçari, na Bahia, o gás natural custa US$ 15 por milhão de British Thermal Unit – BTU (medida-padrão do setor), ante US$ 2,50 em Louisiana, nos Estados Unidos. Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, o início da exploração das imensas jazidas de gás de xisto deve assegurar o baixo custo de gás natural nos EUA. “Com insumos e mão de obra mais baratos, os Estados Unidos estão se tornando novamente atrativos para a produção industrial”, diz.

Entre 2003 e 2009, o custo da mão de obra na indústria brasileira aumentou 150% em relação ao custo dos parceiros comerciais do País, segundo trabalho recente do economista Regis Bonelli, do Instituto Brasileiro de Economia – Ibre, da Fundação Getulio Vargas – FGV no Rio de Janeiro. “A produtividade do trabalho teria de ter crescido a uma taxa cavalar para compensar o aumento do custo unitário do trabalho”, explica.
O custo unitário do trabalho, de forma simplificada, é o custo do trabalhador brasileiro comparado ao de outros países. Esse dado é um dos principais componentes para medir a competitividade internacional, principalmente em setores que empregam muita mão de obra, como o industrial.
No geral, o custo unitário do trabalho brasileiro subiu 120% entre 2003 e 2009. No setor agropecuário, a alta foi de 82%, e no setor de serviços, de 114%.
Mesmo considerando o ano de 2000 como ponto inicial, ano em que o câmbio estava bem mais valorizado do que em 2003, o encarecimento da mão de obra até 2009 ainda é alto: 72% para a economia como um todo, 57% para a agropecuária, 61% para os serviços, e 93% para a indústria.
Em números gerais, a produtividade (média produzida por trabalhador) cresceu em média 0,6% entre 2000 e 2009. Mas se considerar somente a indústria, esse desempenho aponta queda média de 0,8% ao ano de 2000 a 2009. A indústria não só sofre com a concorrência internacional, como vê seus preços serem comprimidos pelo crescimento da produção chinesa e pela redução da demanda dos países avançados, ocasionada pela crise.
O setor de serviços teve aumento anual de 0,5%, próximo da economia como um todo. Como esse segmento não sofre tanto com a concorrência internacional, o aumento dos custos acaba sendo repassados aos preços praticados.
Já o segmento agropecuário apresentou resultado positivo, com aumento de produtividade ao ritmo médio anual de 4,3%. Além dos ganhos de produtividade, o setor foi beneficiado pela incomum alta da cotação das commodities na esteira da demanda asiática.
Essas divergências explicam boa parte da diferença na evolução do custo unitário do trabalho dos diversos setores. Quanto pior a produtividade, mais caro é produzir para um mesmo nível de salário.
“A rentabilidade total das exportações caiu 19% entre 2003 e 2011, mas a da indústria de transformação caiu 35%, com destaque para material eletrônico e comunicações, com queda de mais de 60%”, resume o economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior – Funcex, Rodrigo Branco.
Fonte: Raquel Landim, O Estado de S. Paulo, seção Economia. Fernando Dantas, O Estado de S. Paulo, seção Economia.