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Arquivo da Categoria ‘Meio Ambiente’

Nova resolução define o descarte de lâmpadas

 O Ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços – MDIC, Marcos Pereira, assinou, este mês, a Resolução nº 1/2016 do Conselho Nacional do Inmetro (Conmetro), que elimina a última barreira para a implantação do sistema de descarte – após o uso pelo consumidor (logística reversa) – de lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista e seus componentes. A nova resolução já foi publicada no Diário Oficial da União.

De acordo com a legislação brasileira, o  produto não pode ser recolhido pelo  serviço público de limpeza urbana. A obrigação passa a ser dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, informa o MDIC. A iniciativa contou com o apoio do setor privado, representado pela Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) e pela Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi). A resolução também confere ao Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) o controle e a fiscalização dos importadores e suas obrigações.

A logística reversa prevê que os produtos descartados retornem à cadeia produtiva para reaproveitamento, reciclagem ou destinação ambientalmente adequada.

 Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MDIC.

 


Inscrições abertas para o Prêmio von Martius de Sustentabilidade 2016

Organizado pela Câmara Brasil-Alemanha, por meio de seu Departamento de Meio Ambiente, Energias Renováveis e Eficiência Energética, o Prêmio von Martius de Sustentabilidade reconhece o mérito de iniciativas de empresas, poder público, indivíduos e sociedade civil para promover o desenvolvimento econômico, social e cultural no contexto da sustentabilidade.

O prêmio terá  no ano de 2016  uma Categoria Edição Especial/Startup – Recursos Hídricos, além das tradicionais Humanidade, Tecnologia e Natureza.

As inscrições podem ser feitas até 12 de setembro de 2016 (data de postagem) pelo site www.premiovonmartius.com.br/. Investimento: gratuito.


“Coalizão Cidades pela Água” – saiba como sua empresa pode se engajar nesse movimento

Até 20coalizão250, a demanda mundial por água nas indústrias será 55% maior do que a atual. Na agricultura e produção de alimentos, o crescimento previsto é de 60%, segundo a Unesco.  São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, enfrentam a pior crise hídrica de décadas. A demanda mundial pela água vem crescendo cada vez mais, enquanto a sua oferta só diminui. O grande desafio está em equilibrar a equação oferta e demanda, garantindo que a água esteja sempre disponível.

Por isso, o assunto, de tão importante, levou a TNC – The Nature Conservancy –  a maior organização de conservação ambiental do mundo, presente em mais de 35 países –, a  criar a “Coalizão Cidades pela Água”, um movimento que tem como objetivo engajar empresas, pessoas e governos a garantir, juntos, a segurança hídrica para todos. Saiba como sua empresa pode ajudar, acessando tnc.org.br/agua

A Coalizão vai atuar em 12 regiões metropolitanas que já apresentam estresse hídrico e onde as ações de conservação de bacias hidrográficas contribuem positivamente para a segurança hídrica.
Essas regiões representam mais de 35% da população e quase 40% do PIB brasileiro. É um trabalho de conservação e restauração de florestas em 21 bacias hidrográficas que abastecem quase 63 milhões de pessoas em mais de 250 cidades brasileiras.

A infraestrutura verde é vital para ajudar a garantir água para as cidades. Estudos da TNC apontam que a restauração de apenas 3% de floresta em áreas prioritárias dos sistemas Cantareira e Alto Tietê, na região metropolitana, por exemplo, pode reduzir sedimentos de terra e areia dos rios e represas em até 50%.

Antonio Werneck, diretor executivo da TNC Brasil, diz que a Coalizão espera mobilizar o setor privado. “Este precisa entender o risco que está correndo em meio à crise hídrica, o risco físico de não ter água para operar, o risco de seus fornecedores não terem água para produzir, o risco de não ter matéria-prima e ainda o risco dos clientes não terem água para consumir seus produtos. Existe ainda o risco de reputação, de ser vista como uma empresa irresponsável no uso de um recurso que é tão crítico, vital e escasso na sociedade, e o risco financeiro, com fábricas paradas, operando com meia capacidade”, afirma.

O investimento na proteção da natureza é uma das importantes ações que ajudará a garantir a segurança hídrica para uma população cada vez mais concentrada.

Para mais informações, acesse o site da TNC e o da Coalizão Cidades pela Água, cujos links estão abaixo. No site do projeto, você encontra informações detalhadas do movimento, tem à disposição um canal de comunicação, que permite às empresas conhecer como podem participar, e ainda pode assistir a vídeos.

 http://www.cidadespelaagua.com.br/

http://www.tnc.org.br/quem-e-a-tnc/index.htm


Novo selo ambiental indica a “pegada de carbono e água” de produtos nacionais

O lançamento de um novo selo permitirá às empresas nacionais demonstrar os benefícios ambientais de seus produtos em comparação aos internacionais graças a um novo sistema de medição e certificação da pegada de carbono e água de produtos.

O sistema será operado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, em particular pela ABNT Certificadora, e foi criado por meio de um processo participativo que envolveu a indústria brasileira e foi guiado pelo Carbon Trust, consultoria de estímulo à economia de baixo carbono com expertise global no tema. A concepção e desenvolvimento do sistema contou com o apoio institucional do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC e com financiamento do Prosperity Fund, da Embaixada Britânica, em Brasília.

Organizações que obtiverem a certificação cumprindo os parâmetros definidos nas regras do sistema, e atualizados por um comitê técnico sediado na ABNT, poderão utilizar os novos selos de pegada de carbono e de água da ABNT para comunicar suas ações de medição e redução do impacto ambiental ao longo do ciclo de vida dos seus produtos.

A capacidade de evidenciar o baixo impacto ambiental de produtos brasileiros dará às empresas vantagens competitivas no mercado internacional, sendo que elas tendem a crescer na medida em que as companhias brasileiras as transformarem em vantagens comerciais em um cenário de uma economia de baixo carbono. O sistema também trará vantagens para o mercado doméstico, permitindo que as empresas demonstrem suas vantagens em relação aos importados.

O projeto piloto, coordenado pelo MDIC, ABNT e Carbon Trust, envolveu empresas dos setores de alumínio, vidro, aço, cimento, químicos e tecidos, totalizando nove categorias de produtos e 16 subprodutos. Dentre estas, estão Braskem, CSN, Saint-Gobain, Arcelor Mittal, Votorantim, Novelis, BR Goods e EDB Polióis Vegetais do Brasil.


Novos produtos que vão ajudar a indústria a economizar

Energia e água são insumos essenciais para a atividade industrial e, como dizem os especialistas, com demanda crescente e oferta com restrições.

 A indústria brasileira é responsável por cerca de 41% do consumo de energia elétrica do País, segundo a Confederação Nacional da Indústria – CNI. Motores elétricos, refrigeração, ar comprimido e iluminação, juntos, representam mais de 50% desses custos. Em 2015, os preços da energia subiram aproximadamente 50%; e em 2016 os aumentos também serão salgados. Além disso, o Brasil desperdiçou R$ 12 bilhões com energia elétrica nos últimos cinco anos, segundo análise da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia – Abesco, sendo uma das razões o fato de os equipamentos consumidores de energia elétrica em todos setores estarem obsoletos, consumindo mais energia para fazer o mesmo trabalho.

A maior parte da energia elétrica produzida no Brasil vem das hidrelétricas. Com a crise hídrica, a preocupação com a geração de energia cresce.

Esse cenário exige a adoção de medidas urgentes e soluções tecnológicas capazes de promover a redução do consumo de energia e água, e seu uso eficiente, bem como o uso de fontes renováveis, gerando ganhos econômicos e ambientais.

Para facilitar sua busca por essas soluções, nesta seção estão reunidos novos produtos – pesquisados no Brasil e no exterior – que propiciam economia de água e/ou energia, apoiando sua empresa a enfrentar mais esse desafio. Consultamos também especialistas para conhecer as tecnologias em evidência e as tendências para essa área. No quesito Água, as atenções se voltam à pesquisa de tecnologias para reúso. Em relação à Energia, os sistemas fotovoltaicos estão em evidência. Para se ter uma ideia dessa dimensão, relatório da Agência Internacional de Energia – AIE aponta que as energias renováveis devem representar 26% da produção de eletricidade em todo o mundo em 2020, mobilizando investimentos em torno de US$ 230 bilhões anualmente; em 2013, o índice foi de 22%.

 

As dicas dos especialistas

Haroldo de Araújo Ponte, professor da Universidade Federal do Paraná e engenheiro mecânico doutor em Ciência e Engenharia dos Materiais destaca, como tecnologia limpa, o reprocesso de resíduos industriais, transformando-os em matéria-prima para novos processos ou aplicações diretas. “Quando o reprocessamento é possível, o que se tem é o aproveitamento indireto da água e energia que foram utilizadas em alguma produção”, explicou o docente, que desenvolve pesquisas na área de Tecnologia Ambiental. “Um exemplo: estamos finalizando a criação de um processo para reciclagem de embalagens longa vida após a remoção do papel, nesse caso visamos à obtenção de alumínio na forma metálica e do Polietileno de Baixa Densidade – PEBD como palet. Toda energia e água gastas na produção do alumínio são preservadas, assim como para o PEBD. Nesse processo, praticamente, toda a água é reprocessada e a quantidade de energia utilizada é mínima. Ao final, os reativos químicos usados geram como resíduo um produto de alto valor agregado.

Para colaborar com a contenção de energia e/ou água em uma indústria, a professora da pós-graduação em engenharia de produção e sistemas da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos, Cláudia Viegas, sugere investir em sistemas de automação, os quais considera úteis para controlar tempo de uso. Mas orienta: “a melhor tecnologia ou o conjunto delas precisa ser escolhido de acordo com uma avaliação prévia dos sistemas industriais em questão; primeiramente é necessário fazer uma análise de todas as matérias-primas e os insumos utilizados (entradas) e seu ciclo de vida.”

Porém, reforçou que medidas simples e baratas como redução do fator de carga e do fator de potência ajudam muito, elevando a eficiência energética. Além dessas, orienta a remodelação de ambientes internos, com uso de telhados de material transparente ou translúcido, ajudando a “salvar” energia; e o uso de lâmpadas LED.

Já Guilherme Luz Tortorella, engenheiro mecânico pós-doutor em sistemas de produção e professor de engenharia de produção da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, recomenda para a indústria metalmecânica o uso de equipamentos que propiciam usinagem a seco (sem utilização de óleo de refrigeração). “Não só pelos benefícios ambientais, uma vez que gera menos efluentes para tratamento, mas também por apresentarem em média menor consumo de energia”, disse Tortorella, que é membro dos Laboratórios de Gestão e Avaliação Ambiental e de Simulação de Sistemas de Produção.

Para o docente da UFSC, ainda há uma grande gama de empresas que não adotam práticas sustentáveis, por isso cabe aos órgãos de fiscalização serem mais severos com tais companhias para que possam encarar tal aspecto com a seriedade que ele merece. “Por outro lado, há um grande movimento em prol do desenvolvimento de pesquisas voltadas à sustentabilidade, fato que deve repercutir em resultados consistentes nos próximos anos”, revelou. Ele mesmo desenvolve pesquisas que associam práticas de produção enxuta com práticas “green”, trazendo como principal resultado a evidência de que é possível ser competitivo em termos globais e possuir ações de sustentabilidade robustas nas empresas. “Isto quebra alguns paradigmas acerca do tema, pois permite lapidar a visão de negócio dos empresários que eventualmente correlacionam tais atitudes com custos altos de implementação, comprometendo a viabilidade do negócio”, informou.

Exemplos de alguns novos produtos que vão ajudar a industria a economizar água e energia:

Máquina p/limpeza a seco economiza mais de 50% de energia: Destinada à limpeza intermediária de componentes de motores e transmissões, a EcoCVac remove a seco e sem ar comprimido contaminantes em 1,30 a 3 segundos, não apenas da peça, mas também …

Compressor Scroll tem desempenho otimizado – A série compreende o modelo DSH, com capacidade de 7,5 a 40 TR e até 120 TR, quando configurado em trio, e o modelo DCJ, com …

Sensor digital inteligente possui transmissor integrado – Para medição de pH, ORP e condutividade, o Smartsens possui transmissor integrado, oferecendo sinal de saída de 4-20 mA/Hart 7, para controle de …

Veja mais produtos na revista NEI digital.


Reduza, reutilize, recicle

Reduzir o consumo, reutilizar os recursos e reciclar os rejeitos compõem a política dos 3R, há anos ensinada nas escolas dos EUA como iniciação aos conceitos de sustentabilidade e respeito ao meio ambiente. No Brasil, acrescentamos a essa nobre intenção a urgente necessidade de preservar margens de lucro, hoje tão comprometidas. As perspectivas para este ano indicam uma clara tendência de aumento para os produtos com preços chamados “controlados”, ou seja, as tarifas de água e energia devem ficar mais salgadas, desafiando os setores produtivos – em particular a indústria – a encontrar alternativas que ajudem a enfrentar mais um ano de vacas magras.

Felizmente, o mercado oferece uma grande variedade de produtos e serviços que devem ajudar na missão de economizar água e energia. O leitor encontrará na edição de fevereiro/16 da Revista NEI, a partir da página 10 (acesse a versão digital da revista), uma seleção de soluções tecnológicas que vão auxiliá-lo na tarefa de se adequar ao novo cenário, desde uma simples lâmpada de LED até um sistema completo de reaproveitamento de águas de processo, ou seja, o investimento necessário para tornar uma empresa mais sustentável cabe em qualquer orçamento.

Nos últimos 5 anos, o Brasil desperdiçou R$ 12 bilhões apenas com energia elétrica e a tendência é que o desperdício aumente proporcionalmente nos próximos anos, segundo análise da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (ABESCO). Uma das razões para esse desperdício é a idade dos equipamentos consumidores de energia elétrica em todos os setores – inclusive o industrial, que estão ficando obsoletos, consumindo mais energia. A renovação do parque fabril, com a introdução de novas tecnologias que favoreçam a eficiência energética, é, portanto, necessária e importante para reduzir custos operacionais.

A ABESCO tem trabalhado junto com a Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL para montar uma agenda de ações que viabilizem o Plano Nacional de Eficiência Energética – PNEF a partir de 2016 e assim seja possível alcançar a meta de redução de 10% no consumo de energia em 2030. Soluções para eficiência energética, e também reúso da água, não são apenas uma opção, mas prioridade nos dias de hoje e imprescindíveis para o futuro.


Consumo de água da BCF Plásticos cai pela metade

Graças aos investimentos para economizar água, como a implementação de sistema de reúso da água, a troca das torneiras e válvulas por equipamentos mais econômicos, a ampliação da captação da água da chuva e a instalação de sistema eletrônico de controle de caixas e bombas, o consumo mensal para a fabricação dos produtos da BCF Plásticos, localizada em São Paulo-SP, caiu 50% e hoje fica em aproximadamente 35 m³ por mês, o que implica em 0,26m³ de água por tonelada de PVC processado. “Também fizemos uma ampla campanha interna”, contou Marco Antonio Capozzielli, diretor administrativo da empresa.

Capozzielli disse que as máquinas possuem sistema de reúso de água no processo de fabricação e basicamente a água reposta é somente a evaporada. “Nosso objetivo é tornar a empresa autossuficiente e imune a qualquer tipo de crise que possa surgir, ao mesmo tempo reduzimos custos e ajudamos o meio ambiente.”

 


Mercedes-Benz aplica adesivos em máquinas e equipamentos para reduzir energia

Após implementar nas instalações produtivas, áreas administrativas e de infraestrutura, recursos para o acionamento automático, a Mercedes-Benz do Brasil, em São Bernardo do Campo-SP, lança campanha interna que consiste em colocar adesivos em máquinas de setores que apresentam as maiores perdas energéticas para conscientizar os funcionários. Até este mês, mais de 2 mil equipamentos receberão os adesivos.   

adesivo1adesivo2A meta é reduzir quase 12% com as medidas implementadas de 2012 até o final deste ano. Apenas em 2015, a expectativa é atingir 4% de economia em relação ao resultado de 2014. Com as várias medidas adotadas de 2012 a 2014, cerca de 13.100 megawatt-hora deixaram de ser consumidos no ano passado.

Com essa ação, todo colaborador terá visão dos alertas colocados nas máquinas, equipamentos e acessórios, indicando os que podem ser desligados durante os intervalos de parada de funcionamento das máquinas.

adesivo01Cerca de dez multiplicadores com perfil de liderança e influência no grupo, que também são gestores de metas, contribuem para a prática diária dos procedimentos recomendados para o desligamento das máquinas nos postos de trabalho de cada área. Existem também comitês e subcomitês formados por colaboradores que solicitam empenho do grupo para praticar as recomendações. O sucesso dessa iniciativa está totalmente atrelado à conscientização dos colaboradores.

Antes de decidir pelos adesivos, a empresa realizou projeto piloto durante um ano com equipamentos do prédio da produção de agregados, obtendo redução de 30% no consumo em horários não produtivos.

Outra importante ação para atingir a meta de redução de 4% em 2015 ocorre no prédio administrativo, que teve seu sistema de iluminação substituído por LED, aliado a cores claras no
forro, paredes, piso e até mobiliário, que proporcionaram redução de cerca de 50% no consumo de energia elétrica desse local.


Com tanque de águas pluviais no Guarujá, Dow pretende recuperar 50 milhões de litros por ano

Para aumentar a coleta de água da chuva em diversos pontos da sua planta fabril no Guarujá-SP, a Dow construiu um tanque com capacidade de 450 mil litros e realizou ajustes na bacia de contenção capaz de armazenar 700 mil litros, totalizando capacidade de armazenagem de mais de 1 milhão de litros de águas pluviais. A expectativa é recuperar 50 milhões de litros de água por ano, quantidade que reduz significativamente a demanda por água de fontes externas do Complexo Fabril do Guarujá.

Para o projeto, além da construção do tanque e da adaptação da bacia de contenção, foram instaladas cinco bombas e 1 km de tubulação. A água da chuva é coletada por canaletas e bacias de contenção e, então, bombeada para o tanque.

O armazenamento é estratégico para os processos da Dow, uma vez que a água da chuva é a ideal para as operações da planta, que a utiliza aos poucos.


Soluções que ajudam a indústria a usar de modo eficiente água e energia

Água e energia são recursos importantíssimos para as atividades industriais. O cenário atual, marcado pela falta de água, crise de racionamento e custos altos de energia, sobretudo porque nossa matriz energética é dominada pelas hidrelétricas, desafia as fabricantes a lançar novos produtos que utilizam de forma racional água e/ou energia, visando proporcionar “alívio” ao meio ambiente e economia financeira aos negócios, sem perder qualidade e produtividade. Nesta seção estão reunidas diversas novas soluções para beneficiar as fábricas, já que o setor industrial é, segundo o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022, elaborado pela CNI, o maior consumidor de energia elétrica no Brasil, respondendo por cerca de 43% do consumo total.

Conversamos com especialistas de engenharia ambiental e sanitária, elétrica, eletrônica e de automação para trazer as tendências quando o assunto é economia de água e/ou energia nas indústrias.

Segundo Carmela Maria Polito Braga, professora do Depto. de Engenharia Eletrônica da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, e Anísio Rogério Braga, docente do Setor de Eletrônica do colégio técnico da UFMG, o uso racional desses elementos é viável por meio de medições e monitoramentos ubíquos, isto é, em toda parte, o tempo todo, o que torna possível: planejamento de oferta, demanda e comercialização; minimização de custos de produção, otimização do uso e redução de perdas.

Quanto às tecnologias para medição distribuída de água e energia, os docentes informaram que elas evoluem rapidamente, como soluções de hardwares, softwares e os sistemas microcontrolados – com capacidade de comunicação em rede, com ou sem fio, de baixo custo, associados à miniaturização dos sensores eletrônicos. Comentaram também que os aplicativos de softwares para monitoramento de grandes massas de dados ainda são caros, mas opções de baixo custo para viabilizar aplicações em larga escala estão em desenvolvimento.

Para que seja possível o acesso remoto aos dados das medições, é preciso identificar os pontos de entrada do consumo de cada área de processo, incluindo de equipamentos especiais com grande consumo de água e/ou energia elétrica, e estudar e especificar a instalação de medições nesses pontos, bem como sua integração aos sistemas de automação.

De acordo com os professores, as medições permitem um bom diagnóstico dos usos desses insumos nos processos. Quando o consumo de uma determinada área for o esperado, sua prática pode servir de referência e deve ser valorizada; quando for desproporcional, pode indicar a necessidade de investimentos em projeto e melhoria nas instalações para redução dos consumos. A automação de processos que regula segundo as referências pré-estabelecidas também pode contribuir para a redução dos consumos, uma vez que estabelece os valores devidos para as vazões e/ou acionamentos, e o sistema de controle automático regula o funcionamento compensando perturbações nas demandas e garantindo o uso minimizado dos insumos.

Carmela e Braga informaram que os melhores resultados de uso racional de energia elétrica e água com os consumos típicos de ambos, em condições normais de operação, são obtidos com modelos estatísticos, a partir dos quais monitora-se no tempo certo (just in time) os consumos em relação ao perfil típico nominal. Esse monitoramento pode se valer de técnicas de controle estatístico de processos, que detectam desvios dos consumos médios em relação ao perfil usual. Uma mudança no perfil de consumo, se esperada por alguma operação ou alteração programada no processo, estará justificada, mas quando não houver nenhuma razão conhecida poderá ser indício de uso indevido dos insumos ou perda. Como exemplos, fuga de corrente, no caso de energia elétrica, e vazamento, no caso de água.

Alertaram os docentes que as medições e os monitoramentos podem ser usados também como subsídios para medidas educativas na planta. Mesmo automatizando muitos sistemas, ainda restam aqueles que demandam decisão humana. Nesses casos, apenas medidas educativas continuadas podem prover resultados de uso racional de água e energia elétrica.

Para os professores, com certeza, as indústrias que se antecipam tecnologicamente a esse novo contexto reduzem seus riscos, pois conhecendo quanto e como consomem podem planejar o investimento em melhorias para o uso racional dos elementos.

“A medição é imprescindível para alcançarmos três objetivos estruturantes: conhecer o consumo típico e a perda, valorizar as boas práticas de uso racional de água e energia e responsabilizar consumidores e fornecedores”, finalizaram Carmela e Braga.

Outras novidades tecnológicas que contribuem para economizar energia foram apresentadas por Helmo Morales Paredes, doutor em engenharia elétrica e docente do curso de Engenharia de Controle e Automação da Unesp. São as microrredes inteligentes (smart micro-grid). “Esse conceito não envolve apenas medição eletrônica, é a integração dos sistemas computacionais, mini e micro geração distribuída (energias renováveis) e automação de redes”, explicou Paredes. “Por exemplo, sistemas de telecomunicação, que captam informações da operação em tempo real, contribuem para a otimização dinâmica do sistema elétrico da empresa, e a tecnologia de informação abrange todos os controles de gestão das companhias.”

Para Hermes José Gonçalves Júnior, docente do curso de Tecnologia em Sistemas Embarcados e coordenador do Laboratório de Eficiência Energética da Faculdade Senai de Tecnologia, em Porto Alegre-RS, as energias renováveis também se destacam com alta inovação. A instituição desenvolve pesquisa aplicada em geração e condicionamento de energia proveniente de fontes alternativas e renováveis.

Finalizando a parte tecnológica, Marlon Cavalcante Maynart, docente de engenharia ambiental e sanitária do Centro Universitário Senac, informou que diversos estudos são realizados para aperfeiçoar o sistema de tratamento por osmose reversa, como o desenvolvido por ele em seu doutorado em ciência e tecnologia/química na Universidade Federal do ABC com tecnologia eletroanalítica que possibilita identificar contaminantes, como pesticidas em óleo, exemplo do petróleo.

Há quem diga que a economia de água e energia é muito mais uma questão de atitude que de tecnologia, como Alexandre Marco da Silva, pós-doutor em ecologia, ciências ambientais e engenharia sanitária, livre-docente e professor da Unesp. “É preciso trabalhar em prol da melhoria da educação, incentivo, comprometimento das pessoas para economizar água e energia elétrica, mostrando as contas do mês anterior e atual, evidenciando ganhos e perdas, desde o faxineiro ao presidente da indústria.”

Como enfrentar a crise

Algumas dicas dos especialistas para reduzir o gasto com água e/ou energia; afinal, a crise tem de servir também para mudar o comportamento das empresas e da sociedade em geral.

  • Para um planejamento eficiente se faz necessário mapear o uso da água e energia conforme equipamentos, atividades, ambientes, etc., chegando às prioridades. Esse processo deve ser construído com as pessoas que participam das atividades.
  • Substituir máquinas e equipamentos ineficientes e planejar consumo adequado de seus energéticos.
  •  Manutenção frequente dos ativos.
  •  Alteração de energéticos. Exemplos: energia solar, gás natural, biomassa, resíduos industriais.
  •  Cogeração de energia.
  •  Combate intenso ao desperdício.
  •  Reduzir o consumo e trocar produtos, como torneiras, mangueiras, chuveiros e descargas, por versões mais eficientes.
  •  Aumentar o reúso: coletar e tratar a água de chuva e esgoto.
  •  Uso de poços artesianos e de águas subterrâneas.
  •  Apagar as luzes e desligar os aparelhos de ar-condicionado em ambientes vazios;
  •  Usar lâmpadas econômicas.
  •  Colocar sensor de presença em locais de passagem, como corredores e garagens;
  •  Aproveitar a luz natural.
  •  Ações de conscientização, como oferecer palestras para funcionários e clientes.
  •  Valorizar ideias e atitudes que contribuem para o uso parcimonioso.
  •  A gerência deve estabelecer metas de caráter ambiental. A distribuição dos lucros para a equipe pode estar associada a essas novas metas.
  •  Apresentação trimestral dos dados.

Mais um desafio para o Brasil em 2015: tornar-se exemplo de boas ações a favor do meio ambiente.

Brasil sediará 1ª edição latina de feira de tecnologias ambientais

A data e o local estão marcados. De 12 a 14 de abril de 2016, no São Paulo Expo, na cidade de São Paulo, será realizada a primeira edição na América Latina da Pollutec – Feira Internacional de Tecnologias e Soluções Ambientais, organizada pela Reed Exhibitions Alcantara Machado. Bianual de origem francesa, também já promovida em Marrocos e Argélia, contemplará tratamento de água e efluentes; gestão de resíduos, reciclagem e limpeza; eficiência energética; remediação de áreas contaminadas; medição, monitoramento, análise; e gerenciamento de riscos.

São esperados 100 expositores e mais de quatro mil visitantes. Palestras farão parte do evento, assim como visitas técnicas a empreendimentos sustentáveis. Para mais informações, acesse http://www.pollutec-brasil.com/.