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Arquivo da Categoria ‘Pesquisa & Inovação’

Produção de biomassa a partir de tocos e raízes de eucaliptos leva a Eldorado a anunciar investimentos de R$300 milhões em térmica no MS

A fabricante de celulose Eldorado Brasil vai aproveitar tocos e raízes de eucalipto, não utilizados na operação de colheita, para geração de energia a partir de biomassa. A empresa venceu o leilão da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), realizado no final de abril 2016, com o projeto Usina Termoelétrica (UTE) Onça Pintada, que vai gerar energia utilizando cavacos de madeira como principal combustível, com potência instalada de 50 MW. O investimento de R$ 300 milhões na construção da UTE de biomassa prevê gerar mais de 1.000 empregos diretos e indiretos para a região.

Um projeto-piloto de utilização da biomassa extraídas dos tocos e raízes de eucalipto das florestas da Eldorado foi realizado durante quatro meses ao longo de 2015. Esses cavacos de madeira, de elevado poder calorífico –superior ao da cana, por exemplo–, foram processados em térmicas da região de Três Lagoas, evidenciado a viabilidade da biomassa da companhia para geração de energia.

A UTE Onça Pintada será instalada em uma fazenda da companhia em Aparecida do Taboado (MS) e irá iniciar o fornecimento ao sistema elétrico nacional em janeiro de 2021, conforme previsto em leilão. O projeto agora segue para homologação na Aneel.

 


RS pode se tornar um polo industrial de produtos e insumos nanotecnológicos

Um contrato assinado este mês irá contribuir para que o Rio Grande do Sul se torne um polo industrial no país de produtos e insumos nanotecnológicos. O acordo envolve o Grupo empresarial FK-Biotec S.A. e a Fundação de Ciência e Tecnologia (CIENTEC) – fundação pública vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado do Rio Grande do Sul.

Com investimentos globais de R$ 2 milhões, o Grupo FK estima produção inicial, com início ainda no mês de maio, de até 600 L diários de fragrâncias e óleos essenciais de nanoestruturados, devendo chegar a 2.000 L até o fim do ano, informa o cientista Fernando Kreutz, pesquisador à frente da Holding de pesquisa.

O Grupo utilizará a multiplanta tecnológica da CIENTEC, localizada em Cachoerinha, RS, para realização de testes piloto e produção em escala industrial do produto Nanovech – um odorizador de ambientes com nanogotículas de citronela (Nanocitronela) que já está disponível nas gôndolas de supermercados de todo o Brasil.

Além disso, a FK trabalha para o lançamento de uma linha de fragrâncias nanoestruturadas da empresa Khala, uma spin out do grupo FK-Biotec, especializada em cosméticos e insumos nanotecnológicos.

A CIENTEC foi o berço de criação do Grupo FK, que, em 1999, iniciava suas atividades na Incubadora Tecnológica da Cientec.

Estimativas de profissionais do campo da nanotecnologia, informa o Grupo FK-Biotec, é de que o setor possa movimentar no mundo, até 2018, um montante de R$ 4 trilhões; e o Brasil espera ter 1% de todo esse mercado, gerando negócios ao redor de R$ 40 bilhões.


FEIMEC oferece e-book gratuito sobre Manufatura Avançada

Tudo o que você precisa saber sobre a 4ª Revolução Industrial e os desafios a serem enfrentados para sua implementação no Brasil está no e-book “Manufatura Avançada”, oferecido gratuitamente no site da FEIMEC – Feira Internacional de Máquinas e Equipamentos e que traz depoimentos de vários especialistas no assunto.

Para fazer o download gratuito, acesse o endereço http://feimec.com.br/a-voz-da-industria/e-book—manufatura-avancadaFeimec-ebook-manufatura-miniatura2. Basta inserir seu nome, e-mail, cargo e cidade, e selecionar o segmento da empresa e estado. Tudo de forma rápida e simples.

O e-book traz uma definição sobre o que é manufatura avançada, sua relação com as revoluções industriais e seus benefícios para tornar a indústria mais eficiente, flexível e ágil. Além de tratar a manufatura avançada no mundo e no Brasil, apresentando, inclusive, os desafios que precisamos enfrentar para iniciar sua implantação, o documento discute a relação da manufatura avançada com emprego e ainda traz indícios de que a demanda por máquinas-ferramenta no Brasil será enorme, em vista da necessidade de modernização do parque fabril.

Você também encontra no e-book informações sobre linhas de financiamento de incentivo à Manufatura Avançada, oferecidas pelo BNDES, além de ter a oportunidade de saber mais sobre a Fábrica Inteligente, na FEIMEC – um espaço que vai demonstrar de forma exclusiva os princípios da manufatura avançada.

A FEIMEC – que acontece de 3 a 7 de maio, no São Paulo Expo Exhibition Center, em São Paulo – é uma iniciativa da ABIMAQ (Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos), Informa Exhibitions e várias entidades do setor. Para se credenciar, acesse o site da feira.


BNDES faz chamada pública para estudo sobre IoT

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES aprovou uma Chamada Pública que selecionará propostas para a realização de um amplo estudo técnico de diagnóstico e sugestão de políticas públicas no tema Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês).

O estudo, realizado a partir de uma parceria entre o BNDES e o Ministério das Comunicações, será o mais abrangente já realizado no Brasil sobre o tema. Ele deverá estimular a cooperação e articulação entre empresas, poder público, universidades e centros de pesquisa e será apoiado com recursos não reembolsáveis do Fundo de Estruturação de Projetos do BNDES, constituído com parcela dos lucros do Banco.

O estudo também avaliará o estágio e as perspectivas de implantação da IoT no mundo e no país. Com base nisso, deverá propor políticas públicas que potencializem tanto os benefícios para a sociedade brasileira, quanto impactos econômicos, tecnológicos e produtivos.

Como produto final, será entregue um plano de ação, com cronograma para cinco anos (2017 a 2022), que aponte objetivos, metas e ações a serem empreendidas. O plano deve ser referência para iniciativas concretas para acelerar a implantação de soluções em IoT em áreas que o estudo virá a selecionar, apontando as questões mais relevantes – tecnológicas, regulatórias e institucionais – a serem superadas.

Para mais detalhes sobre a chamada pública, a assessoria de imprensa do banco sugere que acesse o link: http://goo.gl/nmko8s


São Paulo terá o maior centro de pesquisa em Grafeno da América Latina

Dias 2 e 3 de março datam os primeiros dias de atividade do MackGraphe, Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologias da Universidade Presbiteriana Mackenzie, considerado umas das principais referências em grafeno no mundo.

Com investimento de R$ 100 milhões, o projeto é o primeiro desenvolvido por uma universidade privada e com recursos próprios.

Para os membros do Instituto, as expectativas são grandiosas: “Pesquisas e produtos em grafeno já são o foco de grandes universidades do mundo e, agora, com o apoio da Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, nós colocamos a América Latina nesse patamar”, aponta Dr. Maurício Melo de Meneses, presidente do Instituto Presbiteriano Mackenzie.

Para mais informações acesse: http://mackgraphe.mackenzie.br/index.php?id=26893&L=1

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Indústria integrada: Soluções para permitir e intensificar a comunicação no chão de fábrica

A Indústria 4.0 está em curso e promete revolucionar os processos produtivos, com sistemas, máquinas, sensores e dispositivos integrados que “conversam” entre si, colaborando para o aumento de eficiência, produtividade e flexibilidade, além de redução de custos, entre outros benefícios. A comunicação em rede será capaz de gerar dados e informação para apoiar decisões numa indústria, permitindo melhor interação entre as várias áreas, como engenharia, produção, vendas e manutenção. Esse é o futuro, cedo ou tarde essas soluções chegarão à sua empresa. 

Sabemos que a conjuntura atual tem dificultado a modernização tecnológica da indústria nacional. A boa notícia, segundo Renan Billa, professor titular da Faculdade de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Uberlândia, é que não precisamos passar por todo o processo de modernização fabril ocorrido nos países desenvolvidos nas últimas décadas para então abraçar as tecnologias da Indústria 4.0. Segundo o docente, podemos e devemos queimar etapas. O que não podemos é ignorar essa revolução se quisermos preservar a indústria no Brasil e prepará-la para esse novo panorama competitivo. Nesse novo cenário, afirma Renan, as tecnologias de informação e de automação – e não a mão de obra de baixo custo – serão as responsáveis por gerar as vantagens competitivas para as nações com setor de manufatura relevante.

De acordo com o professor Renan, o termo Indústria 4.0 já tem sido abordado com mais frequência no Brasil, mas com aplicações mais restritas nos bastidores da tecnologia da informação. “É importante ressaltar que o maior benefício que esta mudança proverá é a disponibilidade de grandes quantidades de dados, em qualquer dispositivo e em tempo real. A Indústria 4.0 pode nos levar a uma harmonização heterogênea de arquitetura dos sistemas legados, onde diferentes sistemas conversam e se integram a outras centenas de aplicações, reduzindo, assim, custos de operação, iniciando investimentos pendentes e instalando conceitos de longo prazo, além de proporcionar aumento de segurança em processos de gestão de risco, com mais transparência e estabilidade.”, afirma.

O professor doutor Rene F. B. Gonçalves, da engenharia mecânica da Universidade Federal do Pará também afirma que o conceito da Indústria 4.0 representa uma evolução natural e que os avanços tecnológicos serão constantemente aplicados em processos produtivos para aumento de velocidade e qualidade de produtos e processos. Além disso, diz o docente, as fábricas serão mais enxutas e compactas; e os profissionais poderão ter acesso e controle total das operações de qualquer lugar por meio de smartphones ou qualquer aparelho com acesso à internet. Isso fará com que o custo e o preço de insumos sejam reduzidos, acarretando desenvolvimento mais rápido das cidades e dos profissionais.

Na opinião de Valder Steffen Jr., professor doutor da engenharia mecânica da Universidade Federal de Uberlândia, o conceito de Indústria 4.0 envolve uma mudança de paradigma na indústria; os sensores inteligentes passam a orientar as máquinas e os sistemas de engenharia quanto ao seu funcionamento, de maneira autônoma ou descentralizada, com grandes reflexos na produção, na segurança e nos custos operacionais de forma geral. Exemplo dessa evolução pode ser visto no setor aeronáutico, informa o docente, que tem registrado desenvolvimentos no monitoramento da integridade estrutural das aeronaves a partir da introdução de sensores atuadores inteligentes distribuídos convenientemente. Com isso visa-se à redução de custos de inspeção e manutenção, assim como ao aumento da segurança da estrutura.

Segundo Valder Steffen, existem grupos de pesquisa no Brasil que vem trabalhando no desenvolvimento de tecnologias para o monitoramento da integridade estrutural de aeronaves. Como exemplo, citou o INCT-EIE de Estruturas inteligentes para Engenharia, que reúne vários laboratórios universitários no Brasil e no exterior. “Penso que é inevitável a utilização de novas tecnologias e materiais na indústria conforme já se pode identificar em diversos projetos de inovação tecnológica. Algumas dessas inovações já são realidade e muito está por acontecer nos próximos anos”, prevê o docente.

Acompanhar as inovações tecnológicas é fundamental para que você conheça soluções que vão ajudá-lo a produzir melhor. A Indústria 4.0 está em curso, e cada vez mais vai se aproximar do seu, do nosso dia a dia. Por isso preparamos uma seção especial na na edição de março/16 da Revista NEI, reunindo produtos que podem contribuir para proporcionar maior integração e comunicação entre processos nos ambientes fabris, selecionados pela área editorial de NEI nos mercados nacional e internacional.


FEI inaugura Laboratório de Manufatura Digital

A FEI inaugura este mês o Laboratório de Manufatura Digital para pesquisas e estudos em engenharia, desenvolvido para fomentar o ensino e a pesquisa de sistemas na área de projetos, planejamento e gestão do ciclo de vida de um produto. Criado em parceria com a Siemens PLM Software, unidade de negócios da Siemens Digital Factory Division, tem como objetivo estreitar o relacionamento entre o meio acadêmico e as empresas do setor.

A manufatura digital está inserida em um conceito mais amplo de digitalização, alinhando-se à Indústria 4.0, onde as máquinas serão mais autônomas e se comunicarão entre si, tornando integrados os recursos desses sistemas e o processo produtivo muito mais eficiente.

Segundo Fabio Lima, um dos coordenadores do projeto e professor do curso de Engenharia de Produção da FEI, o novo laboratório deve colocar a FEI na vanguarda do estudo de sistemas de manufatura. “O projeto tem um caráter multidisciplinar, permitindo o envolvimento de alunos e professores de praticamente todos os cursos da Instituição”, afirma.

O coordenador do curso de Engenharia de Produção da FEI, Prof. Dário Alliprandini, diz ainda que esse novo projeto vai permitir aos alunos da FEI aplicar conhecimentos da engenharia no contexto da manufatura digital durante a sua formação, trabalhando com um dos elementos da indústria 4.0.

 

 


Instrumentação & Controle: Indústria 4.0 indica tendências tecnológicas para monitoramento de processos

Cada vez mais inserida no mundo, no Brasil a transição para a Indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial apenas se iniciou, por isso NEI colabora para expandir o conhecimento, consequentemente agilizar a inserção do novo conceito no País. Durante todo este ano, a equipe de reportagem de NEI entrevistou especialistas de diversas áreas da indústria que mencionaram o tema como tendência, e esse conteúdo foi apresentado aos leitores nos textos de abertura das seções especiais mensais da Revista NEI e aqui, neste Blog. Essas reportagens introduziram muitas notícias de lançamentos de produtos já relacionados à indústria do futuro. Para este mês, os entrevistados, focados na área de instrumentação e controle, não responderam diferente. Novamente citam a Indústria 4.0 como “a bola da vez”.

Para acompanhar este texto, aqui há uma seleção de novidades de instrumentação e controle pesquisadas no Brasil e no exterior, muitas já inseridas no conceito da nova revolução. Além de colaborar para a implantação da Indústria 4.0 no País, os lançamentos contribuirão para ampliar a qualidade e a produtividade industrial, reduzir os custos operacionais e fornecer maior segurança, aumentando a lucratividade das empresas, das pequenas às grandes, de todos os setores industriais.

“O que está em evidencia é a Indústria 4.0 e tudo o que se une para dar suporte a ela, como Identificação por Radiofrequência (RFID), Sistemas Ciberfísicos (CPS), Internet das Coisas (IoT), computação em nuvem, realidade virtual, realidade aumentada e Big Data”, informou Fabrício Junqueira, docente e membro do Laboratório de Sistemas de Automação da Escola Politécnica da USP. “As diferentes combinações desses elementos, pois não há necessidade de usar todos ao mesmo tempo, ditarão várias tendências. Evidentemente influenciarão os diferentes setores industriais de forma diferente.”

Ainda sobre tecnologia, um tema para discussão sugerido por Ludmila Correa de Alkmin e Silva, professora da Faculdade de Engenharia Mecânica da Unicamp, doutora e pós-doutora em engenharia mecânica e especialista em projetos de máquinas, possibilitando uso no futuro, é a aplicação do Arduino na automação industrial (plataforma de prototipagem eletrônica). “É composto por um microcontrolador Atmel AVR e componentes complementares para facilitar a programação e a incorporação para outros circuitos com o conceito de software e hardware livre”, explicou a docente.

Segundo Ludmila, com a evolução e a popularização do Arduino, aumentou a discussão sobre seu implemento na automação de processos produtivos. “Algumas vantagens e desvantagens possui em relação aos controladores lógicos programáveis industriais – CLPs, que são os mais comuns atualmente”, contou. “Os CLPs são usados por serem robustos e seguros, porém apresentam custo mais elevado, enquanto o Arduino é mais simples no uso e na implementação.” Assim, a professora fomenta a discussão se em pequenas plantas automatizadas o Arduino poderia substituir o CLP.

A força da I&C na indústria

As tecnologias de instrumentação e controle sempre foram o pilar da produção industrial, mas agora não apenas completam o ciclo produtivo, tornam-se inteligentes o suficiente para nutrir os sistemas de gerenciamento de ativos, passando de apenas modernas para modernas e eficientes, disse Luiz Tadashi Akuta, gerente de desenvolvimento de negócios da Mitsubishi Electric do Brasil. “Quando bem aplicadas, as tecnologias podem levar muito mais modernização com eficiência às empresas, já que possibilitam conhecimento dos processos e otimização das linhas de produção, das quantidades estocadas, da qualidade do produto final e redução de gargalos, sendo as pontes entre as áreas produtiva e gerencial”, acrescentou Marcilio Pongitori, diretor da Shevat, empresa de projetos e treinamentos de controle de processos, elétrica, instrumentação e automação, de Campinas-SP. E Akuta finalizou: “A instrumentação ‘de ponta’ é a arma estratégica que fará diferença na competição de mercado, com eficiência e economia.”

Mesmo neste período de dificuldade econômica que o Brasil enfrenta, Pongitori justifica o investimento nesse setor: “Em uma implantação de melhoria nos processos, a I&C apresenta o menor custo no total de investimento, pois tradicionalmente representa menos de 5% do total, porém em termos de impacto no processo é a área que tem maior retorno”. De acordo com o gerente de desenvolvimento da Mitsubishi, nos momentos de crises, há necessidade de se gerenciar tudo, e isso só é possível com a I&C para obter os dados que fazem aumentar a eficiência dos processos. “O momento atual é para preparar as fábricas para ser o mais hábil possível, pois após essa fase, os que se organizaram responderão com maior velocidade e rentabilidade”, sugeriu Akuta.

Colaboraria ainda se todas as partes envolvidas com a I&C investissem em qualificação profissional e parcerias. Para Junqueira, um bom exemplo é como agem os japoneses, que “debruçam-se” sobre um problema, um produto, um ciclo de produção, uma forma de transportar mercadorias, esgotando tudo o que se pode fazer. “Isso todos nós poderíamos fazer aqui”, destacou o docente, que ainda orienta as empresas concorrentes a se unir para dominar conhecimento para concorrer com outros países. “Como engenheiro, gostaria de ver o ‘boom’ da engenharia no País, da industrialização, da exploração expressiva dos produtos”, almejou o professor.

A parceria indústria e comunidade acadêmica foi sugerida por Rodrigo Alvite Romano, doutor em engenharia elétrica e professor do Instituto Mauá de Tecnologia. “Infelizmente há uma visão equivocada de que os pesquisadores e acadêmicos não podem cooperar para resolver os problemas da indústria”, disse Romano. “Deixo algumas perguntas para os leitores da NEI refletirem: quantos profissionais existem na sua empresa com perfil para buscar soluções inovadoras? quantas vezes recorreu a uma universidade para solucionar um problema recorrente?

A experiência de Romano com esse tema mostra que há pouca interação entre os meios industrial e universitário. “Além de cooperar para a solução de problemas, essa parceria certamente colabora para a qualificação de profissionais.

Se desejar opinar sobre as questões sugeridas pelos especialistas, deixe sua mensagem aqui.


Panorama da evolução industrial: fatos históricos e atuais

2, julho, 2015 1 comentário

Uma revolução é sempre caracterizada por grandes mudanças, não só no aspecto político, mas também no social, sendo a revolução industrial um marco histórico para a humanidade em ambos os aspectos. Muitos historiadores podem elencar vários movimentos sociais que culminaram na revolução industrial no século XVIII, porém o responsável por esse processo foi, sem dúvida, a invenção da máquina a vapor por James Watts em 1762.  Essa primeira tecnologia desenvolveu as fábricas e, assim, os primeiros conceitos de produção, representada pelas grandes tecelagens que utilizavam teares mecânicos movidos pela energia do vapor.

A primeira revolução industrial aplicou uma nova tecnologia, a do vapor, beneficiando produtividade e eficiência, e esse conceito ainda persiste. Passados 85 anos de reinado dos motores a vapor, a eletricidade apareceu e trouxe os eficientes motores elétricos, e essa nova tecnologia transformou a manufatura do mundo na década de 1870, junto com o encantado das luzes da cidade de Paris. O Brasil do final do século XIX começava a esboçar alguma reação industrial quando os primeiros movimentos abolicionistas apareceram por aqui. Contudo, nosso Visconde de Mauá anda não tinha terminado sua primeira ferrovia e o Brasil nem percebeu a segunda revolução industrial.

Vivenciando a mudança

A revolução da revolução apareceu somente 25 anos após o término da Segunda Grande Guerra, no auge da indústria automotiva americana que quebrava recordes de produção na década de 1970. Nesse ano, os computadores aparecerem na vida das pessoas e, junto disso, uma nova tecnologia formigava no chão de fábricas do mundo inteiro. A revolução industrial versão 3.0 já tinha um representante chamado de CLP (Controlador Lógico Programável). Nessa época o Brasil já tinha uma cara industrial nas capitais das Regiões Sul e Sudeste, porém respirava a Lei da Reserva de Mercado (Lei Federal nº 7.232/84), mas algo já estava mudando.

Um ícone oculto

A indústria 4.0 ainda não possui um representante definitivo, mas basta olhar ao redor para você conhecer os candidatos. O seu smartphone pode iniciar um ciclo de produção inteiro numa fábrica em algum lugar do mundo hoje. Ele e seu automóvel sabem onde você está e até onde você deseja ir, podendo informar tanto para seu televisor, quanto para seu micro ondas, que está chegando em casa e que já podem esquentar o lanche e deixar seu canal preferido no ar. Imaginando essa realidade para a indústria, uma máquina solicita que um robô traga mais matéria-prima, informando também ao setor de vendas que terá um pequeno atraso na produção, pois será realizada uma manutenção programada em sua bomba de óleo, entre 2 e 3 horas do próximo domingo. Essa nova revolução industrial apareceu naturalmente com o avanço dos computadores, unindo forças entre eletrônica, programação e redes de comunicação. A rede social da indústria chama-se Sistema Supervisório, que conecta computadores e CLP de uma fábrica inteira com outras ao redor do mundo, e isso já está além do conceito de globalização cunhado no final dos anos 90.

Iniciativas governamentais

A atual revolução industrial ainda não tem um agente individual para representar essa nova mudança, todavia isso não vai surgir ao acaso. A designação de Indústria 4.0 vem do conceito de evolução de um programa de computador, intimamente relacionado à nuvem de programas, a processos e procedimentos que circulam numa indústria moderna. Contudo, esse termo foi cunhado em 2011 pelo Deutsche Forschungszentrum für Künstliche Intelligenz GmbH – DFKI, que é um Centro de Pesquisa do governo Alemão para a Inteligência Artificial. Esse órgão está norteando grandes empresas da Alemanha e Europa para a conquista definitiva da 4º revolução industrial, utilizando principalmente os conceitos de Internet of ThingsIoT ou Internet das coisas em ambientes industriais, comerciais e residenciais, sem fronteiras. Em 2013 o presidente Obama lançou o documento intitulado “National Network for Manufacturing and Innovation: a Preliminary Design” com o intuito de fomentar as indústrias de seu país para a inovação em manufatura, criando assim a Advanced Manufacturing National Program Office – AMNPO. Essa nova agência vai investir 1 bilhão de US$ em pesquisa para o setor de manufatura, já sabendo que seu parque industrial já está defasado quando comparado com indústrias na Alemanha, Coreia e Japão. No Brasil, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI é a responsável por criar políticas públicas para colocar o Brasil nos rumos dessa revolução. Contudo, essa revolução, assim como as demais, é tecnológica e depende da solução de desafios tecnológicos reais da indústria mundial. Esses desafios assombram todas as indústrias do Brasil também, mas agora temos algumas iniciativas em curso.

A complexidade das operações

A corrida para definir a indústria 4.0 já começou e o Brasil apresenta um panorama positivo, já que temos um parque industrial misto entre empresas de origem europeia, norte-americana, entre outras. De acordo com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, o Brasil é o país que mais possui empresas de origem alemã, são 1.200, o que cria um alinhamento muito grande com os conceitos do DFKI. Um ponto importante para viabilizar a indústria 4.0 é a forma de comunicação entre máquinas e equipamentos do futuro, sem isso não há revolução. A definição dessa linguagem comum representa o desafio, tanto do ponto de vista de hardware, quando de software, para viabilizar uma completa integração de sistemas. Muitas empresas já estão formando clusters para debater esse tipo de “comunicação das coisas”, mas nada surpreende ainda. Os aspectos legais impactam bastante, já que decidem sobre o que essas máquinas vão poder conversar. Com certeza a heterogeneidade de empresas no Brasil pode contribuir para essa definição, mas ainda não temos uma frente de ação unificada para isso. De qualquer maneira, essa revolução agora passa por aqui e ainda temos chance de ser participantes dela.

Crédito

Artigo escrito por Carlos Eguti, doutor em engenharia mecatrônica pela Technische Universität Darmstadt – TUD e pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA na área de engenharia aeroespacial e mecatrônica, mestre em engenharia mecânica (ciências térmicas) pela Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” –Unesp e engenheiro elétrico pela Unesp. Atualmente faz pós-doutorado no Centro de Competência em Manufatura – CCM/ITA na área de mecatrônica, onde atua como pesquisador e estuda o tema Indústria 4.0.


Soluções que ajudam a indústria a usar de modo eficiente água e energia

Água e energia são recursos importantíssimos para as atividades industriais. O cenário atual, marcado pela falta de água, crise de racionamento e custos altos de energia, sobretudo porque nossa matriz energética é dominada pelas hidrelétricas, desafia as fabricantes a lançar novos produtos que utilizam de forma racional água e/ou energia, visando proporcionar “alívio” ao meio ambiente e economia financeira aos negócios, sem perder qualidade e produtividade. Nesta seção estão reunidas diversas novas soluções para beneficiar as fábricas, já que o setor industrial é, segundo o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022, elaborado pela CNI, o maior consumidor de energia elétrica no Brasil, respondendo por cerca de 43% do consumo total.

Conversamos com especialistas de engenharia ambiental e sanitária, elétrica, eletrônica e de automação para trazer as tendências quando o assunto é economia de água e/ou energia nas indústrias.

Segundo Carmela Maria Polito Braga, professora do Depto. de Engenharia Eletrônica da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, e Anísio Rogério Braga, docente do Setor de Eletrônica do colégio técnico da UFMG, o uso racional desses elementos é viável por meio de medições e monitoramentos ubíquos, isto é, em toda parte, o tempo todo, o que torna possível: planejamento de oferta, demanda e comercialização; minimização de custos de produção, otimização do uso e redução de perdas.

Quanto às tecnologias para medição distribuída de água e energia, os docentes informaram que elas evoluem rapidamente, como soluções de hardwares, softwares e os sistemas microcontrolados – com capacidade de comunicação em rede, com ou sem fio, de baixo custo, associados à miniaturização dos sensores eletrônicos. Comentaram também que os aplicativos de softwares para monitoramento de grandes massas de dados ainda são caros, mas opções de baixo custo para viabilizar aplicações em larga escala estão em desenvolvimento.

Para que seja possível o acesso remoto aos dados das medições, é preciso identificar os pontos de entrada do consumo de cada área de processo, incluindo de equipamentos especiais com grande consumo de água e/ou energia elétrica, e estudar e especificar a instalação de medições nesses pontos, bem como sua integração aos sistemas de automação.

De acordo com os professores, as medições permitem um bom diagnóstico dos usos desses insumos nos processos. Quando o consumo de uma determinada área for o esperado, sua prática pode servir de referência e deve ser valorizada; quando for desproporcional, pode indicar a necessidade de investimentos em projeto e melhoria nas instalações para redução dos consumos. A automação de processos que regula segundo as referências pré-estabelecidas também pode contribuir para a redução dos consumos, uma vez que estabelece os valores devidos para as vazões e/ou acionamentos, e o sistema de controle automático regula o funcionamento compensando perturbações nas demandas e garantindo o uso minimizado dos insumos.

Carmela e Braga informaram que os melhores resultados de uso racional de energia elétrica e água com os consumos típicos de ambos, em condições normais de operação, são obtidos com modelos estatísticos, a partir dos quais monitora-se no tempo certo (just in time) os consumos em relação ao perfil típico nominal. Esse monitoramento pode se valer de técnicas de controle estatístico de processos, que detectam desvios dos consumos médios em relação ao perfil usual. Uma mudança no perfil de consumo, se esperada por alguma operação ou alteração programada no processo, estará justificada, mas quando não houver nenhuma razão conhecida poderá ser indício de uso indevido dos insumos ou perda. Como exemplos, fuga de corrente, no caso de energia elétrica, e vazamento, no caso de água.

Alertaram os docentes que as medições e os monitoramentos podem ser usados também como subsídios para medidas educativas na planta. Mesmo automatizando muitos sistemas, ainda restam aqueles que demandam decisão humana. Nesses casos, apenas medidas educativas continuadas podem prover resultados de uso racional de água e energia elétrica.

Para os professores, com certeza, as indústrias que se antecipam tecnologicamente a esse novo contexto reduzem seus riscos, pois conhecendo quanto e como consomem podem planejar o investimento em melhorias para o uso racional dos elementos.

“A medição é imprescindível para alcançarmos três objetivos estruturantes: conhecer o consumo típico e a perda, valorizar as boas práticas de uso racional de água e energia e responsabilizar consumidores e fornecedores”, finalizaram Carmela e Braga.

Outras novidades tecnológicas que contribuem para economizar energia foram apresentadas por Helmo Morales Paredes, doutor em engenharia elétrica e docente do curso de Engenharia de Controle e Automação da Unesp. São as microrredes inteligentes (smart micro-grid). “Esse conceito não envolve apenas medição eletrônica, é a integração dos sistemas computacionais, mini e micro geração distribuída (energias renováveis) e automação de redes”, explicou Paredes. “Por exemplo, sistemas de telecomunicação, que captam informações da operação em tempo real, contribuem para a otimização dinâmica do sistema elétrico da empresa, e a tecnologia de informação abrange todos os controles de gestão das companhias.”

Para Hermes José Gonçalves Júnior, docente do curso de Tecnologia em Sistemas Embarcados e coordenador do Laboratório de Eficiência Energética da Faculdade Senai de Tecnologia, em Porto Alegre-RS, as energias renováveis também se destacam com alta inovação. A instituição desenvolve pesquisa aplicada em geração e condicionamento de energia proveniente de fontes alternativas e renováveis.

Finalizando a parte tecnológica, Marlon Cavalcante Maynart, docente de engenharia ambiental e sanitária do Centro Universitário Senac, informou que diversos estudos são realizados para aperfeiçoar o sistema de tratamento por osmose reversa, como o desenvolvido por ele em seu doutorado em ciência e tecnologia/química na Universidade Federal do ABC com tecnologia eletroanalítica que possibilita identificar contaminantes, como pesticidas em óleo, exemplo do petróleo.

Há quem diga que a economia de água e energia é muito mais uma questão de atitude que de tecnologia, como Alexandre Marco da Silva, pós-doutor em ecologia, ciências ambientais e engenharia sanitária, livre-docente e professor da Unesp. “É preciso trabalhar em prol da melhoria da educação, incentivo, comprometimento das pessoas para economizar água e energia elétrica, mostrando as contas do mês anterior e atual, evidenciando ganhos e perdas, desde o faxineiro ao presidente da indústria.”

Como enfrentar a crise

Algumas dicas dos especialistas para reduzir o gasto com água e/ou energia; afinal, a crise tem de servir também para mudar o comportamento das empresas e da sociedade em geral.

  • Para um planejamento eficiente se faz necessário mapear o uso da água e energia conforme equipamentos, atividades, ambientes, etc., chegando às prioridades. Esse processo deve ser construído com as pessoas que participam das atividades.
  • Substituir máquinas e equipamentos ineficientes e planejar consumo adequado de seus energéticos.
  •  Manutenção frequente dos ativos.
  •  Alteração de energéticos. Exemplos: energia solar, gás natural, biomassa, resíduos industriais.
  •  Cogeração de energia.
  •  Combate intenso ao desperdício.
  •  Reduzir o consumo e trocar produtos, como torneiras, mangueiras, chuveiros e descargas, por versões mais eficientes.
  •  Aumentar o reúso: coletar e tratar a água de chuva e esgoto.
  •  Uso de poços artesianos e de águas subterrâneas.
  •  Apagar as luzes e desligar os aparelhos de ar-condicionado em ambientes vazios;
  •  Usar lâmpadas econômicas.
  •  Colocar sensor de presença em locais de passagem, como corredores e garagens;
  •  Aproveitar a luz natural.
  •  Ações de conscientização, como oferecer palestras para funcionários e clientes.
  •  Valorizar ideias e atitudes que contribuem para o uso parcimonioso.
  •  A gerência deve estabelecer metas de caráter ambiental. A distribuição dos lucros para a equipe pode estar associada a essas novas metas.
  •  Apresentação trimestral dos dados.

Mais um desafio para o Brasil em 2015: tornar-se exemplo de boas ações a favor do meio ambiente.

Brasil sediará 1ª edição latina de feira de tecnologias ambientais

A data e o local estão marcados. De 12 a 14 de abril de 2016, no São Paulo Expo, na cidade de São Paulo, será realizada a primeira edição na América Latina da Pollutec – Feira Internacional de Tecnologias e Soluções Ambientais, organizada pela Reed Exhibitions Alcantara Machado. Bianual de origem francesa, também já promovida em Marrocos e Argélia, contemplará tratamento de água e efluentes; gestão de resíduos, reciclagem e limpeza; eficiência energética; remediação de áreas contaminadas; medição, monitoramento, análise; e gerenciamento de riscos.

São esperados 100 expositores e mais de quatro mil visitantes. Palestras farão parte do evento, assim como visitas técnicas a empreendimentos sustentáveis. Para mais informações, acesse http://www.pollutec-brasil.com/.