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Brasileiros prontos para a Hannover Messe, que começa hoje

De hoje até 17 de abril será realizada a Hannover Messe, feira alemã que é a principal exibição de novas tecnologias industriais do mundo, desta vez com o tema “Indústria Integrada – Faça parte da Rede!”. Visando impulsionar as exportações em momento favorável de alta da moeda norte-americana, empresas e entidades brasileiras participam do evento, como: Kels, Varixx, Embrasul, Interguest Brazil, KitFrame, Confederação Nacional da Indústria – CNI, que organizou a Missão Internacional com representantes de indústrias brasileiras; e a Indel Bauru, expositora desde 2001.

Segundo Thiago Francisco Xavier, representante do marketing da Indel Bauru, o que os motiva a continuar como expositores, além dos bons resultados conquistados nas edições anteriores, é receber os clientes frequentadores dessa feira e dos novos interessados nos produtos. Clique aqui para conhecer a novidade que a Indel Bauru lança no evento.

hannover1Organizada pela Deutsche Messe AG, neste ano tem a Índia como país parceiro, representado por cerca de 130 expositores, sendo dividida em dez feiras. São elas: Automação Industrial, Motion, Drive & Automation – MDA, Energia, Energia Eólica, MobiliTec, Fábrica Digital, ComVac, Suprimentos Industriais, Tecnologia de Superfície e Pesquisa & Tecnologia.

 

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O evento dará forte ênfase aos temas: Indústria 4.0, Automação Industrial e TI, Transmissão de Força e Energia Fluida, Energia e Tecnologias Ambientais, Subcontratação Industrial, Engenharia de Produção e Serviços e Pesquisa e Desenvolvimento. Na ocasião, os participantes visualizam plantas de produção digitalmente conectadas, novos processos de produção, soluções de automação baseadas em TI que trazem mudanças para os processos organizacionais dentro das fábricas e robôs da nova geração, como os colaborativos que trabalham com os humanos sem barreiras de segurança.

 

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hannover4Parte integrante da Hannover Messe, o Hermes Award foi entregue ontem na cerimônia de abertura da feira. Concorreram empresas com tecnologias inovadoras e a vencedora foi a Wittenstein AG, da Alemanha, com um novo tipo de redutor, batizado de Galaxie e  caracterizado pela conectividade da Indústria 4.0 para uso em máquinas-ferramenta, robôs, turbinas eólicas e máquinas têxteis. A organizadora recebeu inscrições de cerca de 70 empresas, de 10 países, e selecionou as cinco finalistas alemãs: ABB, ContiTech, Next Kraftwerke, Schunk e Wittenstein, sendo que três produtos são importantes contribuições para a Indústria 4.0 e os demais colaboram para um sistema energético mais sustentável.

“Todas as tecnologias em exibição em cada área temática têm uma coisa em comum: são projetadas para estimular a produtividade e, assim, a competitividade dos fabricantes”, afirmou Marc Siemering, vice-presidente sênior da Deutsche Messe.

O editor técnico de NEI, Roberto Guazzelli, participa do evento e trará novidades que serão publicadas nas próximas edições da Revista e no NEI.com.br. Contudo, alguns lançamentos você já confere na Revista NEI deste mês e no NEI.com.br.


Brasileiros apostam na feira alemã para impulsionar exportações

Nesta época de alta da moeda norte-americana, as indústrias nacionais visam às vendas no mercado externo. Assim, a Indel Bauru, localizada em Bauru-SP, expositora da Hannover Messe desde 2001, se prepara para mais uma participação na feira que é o mostruário industrial do mundo e que em 2015 será realizada de 13 a 17 de abril. Segundo Thiago Francisco Xavier, representante do marketing da companhia, é importante para uma empresa brasileira estar na Hannover porque esse é um dos mais importantes eventos de tecnologia industrial do mundo. “Serve de vitrine para nós e outras  nacionais que buscam ampliar a visibilidade no mercado internacional”, comentou Xavier.

O que os motiva a continuar como expositores do evento alemão, além dos bons resultados conquistados nas edições anteriores, é receber a visita dos clientes frequentadores dessa feira, para avaliar a satisfação, descobrir oportunidades de melhoria, estreitar as relações comerciais e fortalecer a marca; e dos novos interessados nos produtos, seja para representações, vendas diretas ou demais parcerias, com foco principal na Ásia, África e Oceania.

“Em 2001 estávamos começando a exportar, então havia interesse em descobrir mercados e conquistar clientes”, disse Xavier. “Optamos por expor em feiras internacionais e a Hannover Messe foi uma das escolhidas, por sua importância e visibilidade. As exposições nessa feira alemã trouxeram bons resultados, lá surgiram pessoas interessadas em nossos produtos, as quais continuaram com negociações após a feira – de países como Nova Zelândia, Espanha, África do Sul, Arábia Saudita e Sri Lanka –, que terminaram em vendas.” As primeiras exportações da Indel Bauru foram de seus principais produtos, os elos fusíveis, que hoje são vendidos principalmente para Estados Unidos, Argentina, Taiwan, Uruguai, Indonésia, Filipinas, Paraguai, Espanha e África do Sul.

A empresa aproveitará a Hannover Messe 2015 para lançar o terminal conector rosca, conformado a frio com cobre monolítico estanhado, utilizado por instaladores na conexão de cabos de cobre e alumínio de 10 a 240 mm2 em diversos contatos elétricos; mas o grande destaque serão os elos fusíveis para proteção de redes de distribuição de energia elétrica, principalmente transformadores de energia. Como um dos diferenciais técnicos do terminal conector rosca, a companhia informou a fixação do terminal com parafuso de aço inoxidável que dispensa o uso de ferramentas pesadas, pois ocorre pelo aperto do parafuso, que se quebra quando atinge o torque ideal, sem provocar danos na estanhagem ou fissuras no conector. “Pretendemos expor a novidade para avaliar o interesse do mercado, visualizar possibilidades de aplicação, discutir questões técnicas e refinar o desenvolvimento do produto”, comentou Xavier. “Após a feira, vamos avaliar o impacto para decidir se vamos exportá-lo.”

A notícia técnica sobre os elos fusíveis da Indel Bauru, assim como demais produtos de outras marcas apresentados na Hannover Messe 2015, você confere antecipadamente nesta seção. E isso é apenas uma prévia, pois outros produtos desse megaevento você encontrará nos próximos meses no NEI.com.br.

A Confederação Nacional da Indústria – CNI colabora para alavancar as exportações brasileiras com a organização da Missão Internacional à Hannover Messe, com atuação de federações e sindicatos para mobilizar as indústrias. Em média, forma-se um grupo de 100 visitantes por ano. Haverá suporte com estande de apoio aos processos de internacionalização, organização de visitas técnicas em indústrias na Alemanha e acompanhamento de técnico especialista na área industrial. Para os organizadores, o principal retorno dos empresários participantes é o acesso à informação e à inovação que possam gerar oportunidades para a indústria brasileira e incrementar a competitividade.

Neste ano, Hannover Messe terá a Índia como país parceiro, representado por cerca de 130 expositores, e será dividida em dez feiras. São elas: Automação Industrial, Motion, Drive & Automation – MDA, Energia, Energia Eólica, MobiliTec, Fábrica Digital, ComVac, Suprimentos Industriais, Tecnologia de Superfície e Pesquisa & Tecnologia. O evento dará forte ênfase aos temas: Indústria 4.0, Automação Industrial e TI, Transmissão de Força e Energia Fluida, Energia e Tecnologias Ambientais, Subcontratação Industrial, Engenharia de Produção e Serviços e Pesquisa e Desenvolvimento.

 


Enfrentando desafios

19, março, 2015 Deixar um comentário

Apesar de as perspectivas para o crescimento da indústria em 2015 não serem otimistas, podemos admitir que há muito tempo não temos um câmbio tão favorável, a economia norte-americana em expansão e o valor das commodities (metais) em queda.

As empresas que no passado se prepararam para competir no exigente mercado globalizado, que investiram em tecnologia e capacitação profissional, estarão mais preparadas para enfrentar qualquer crise, no momento em que as exportações podem compensar uma eventual queda no consumo interno.

Oportunidades de crescimento surgem todos os anos, mas para aproveitá-las é preciso ser rápido e correr contra o tempo, aproveitar a indecisão da concorrência e investir, trabalhar para colher bons frutos no futuro. Todos sabemos que essa tarefa não é fácil; entre outras, essa atitude pede confiança, ousadia, competência, planejamento e, acima de tudo, a colaboração de parceiros antigos e fiéis como a NEI, que agora em março comemora 41 anos de estreita colaboração com a indústria nacional.

Para ajudá-lo nessa empreitada, em março trazemos cerca de 200 produtos criteriosamente selecionados para que você conheça os lançamentos mais relevantes para o mercado industrial brasileiro e internacional, com atenção especial a produtos do setor de eletroeletrônica. São produtos inovadores que vão contribuir para a busca pela excelência na qualidade, pelo aumento da produtividade e pela otimização do consumo de energia e outros recursos vitais. Muitas dessas novidades você só vai encontrar nas grandes feiras industriais que começam agora, a partir de março com a FIEE.

 


Eletroeletrônica: setor deve receber R$ 28 bi de investimentos entre 2015 e 2018

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES estima investimento de R$ 28 bilhões no Complexo Eletrônico entre 2015 e 2018, o que representará crescimento real de 25,9% em relação ao montante aplicado de 2010 a 2013. O Complexo Eletrônico envolve a indústria eletroeletrônica, que engloba componentes eletrônicos, eletrônica de consumo, equipamentos eletrônicos e de comunicação, automação industrial e informática; e também a indústria de software e serviços de Tecnologia da Informação.

No total, os investimentos na economia brasileira devem exceder R$ 4,1 trilhões no período, segundo a pesquisa do banco, nomeada “Perspectivas do investimento 2015-2018 e panoramas setoriais”. Esse valor é 17% superior ao investido entre 2010 e 2013. A indústria deve receber R$ 909 bilhões, 18,5% a mais que no período anterior. No atual quadriênio os investimentos são mais intensivos em tecnologia e menos em capital, visando, inclusive, à pesquisa e ao desenvolvimento de novos produtos.

No mercado de equipamentos do Complexo Eletrônico, segundo o estudo, o valor agregado se concentra cada vez mais nos componentes estratégicos dos produtos, isto é, em chips (circuitos integrados) e displays, porém para explorar o mercado de microeletrônica e displays, os investimentos são grandiosos (bilhões de dólares) e a qualificação tecnológica é um desafio, com muitos riscos. Cada vez mais a eletroeletrônica se beneficia dos recursos da informática.

Informa o relatório que os chips concentram a “inteligência” dos produtos na medida em que vão se tornando mais integrados, reunindo em um único componente: microcontroladores, processadores de dados e imagens, sensores e memória, entre outros. Há poucos anos, essas atribuições eram distribuídas entre diversos componentes. Desse modo, concluiu o estudo, o valor agregado na cadeia de bens eletrônicos se concentra mais a cada dia nas empresas que projetam e fabricam chips.

Uma das tendências dos chips é a miniaturização, a fim de permitir que a eletrônica esteja embarcada em todos os itens, incluindo eletrodomésticos e roupas, seguindo a tendência da Internet das Coisas. Além do tamanho, evoluem para utilizar cada vez menos energia, pois um dos grandes desafios para a expansão da eletrônica está em como carregar tantos dispositivos diferentes com chips embarcados. Há também a tendência de uso de novos materiais em chips e displays e formas de fabricação, saindo do modelo-padrão da utilização do silício e processos de difusão e deposição de gases em salas limpas e direcionando-se para a eletrônica orgânica, isso é, com base no carbono, cujos processos fabris associados exigem menor investimento em capital, o que pode mudar o padrão de concorrência no futuro, informa a pesquisa do BNDES

No futuro breve, a eletroeletrônica se beneficiará também da Indústria 4.0 (entre os conceitos estão o uso intensivo de robôs e o fluxo de dados proporcionado pela conectividade de pessoas e coisas), que proporcionará a criação de cadeias de suprimento mais flexíveis, adaptáveis e capazes de produzir produtos customizados em massa, tendendo a trazer a manufatura novamente para locais mais próximos aos mercados consumidores, impactando a divisão de trabalho da economia mundial, conforme consta no relatório.

Para esse novo cenário, lembra o estudo, a infraestrutura deverá ser capaz de armazenar (cloud computing), processar (alto desempenho computacional) e comunicar (ultrabanda larga) elevada quantidade de dados, disponibilizando-os em todo lugar (celulares, tablets, carros, eletrodomésticos, robôs, sensores) e por qualquer meio (redes de satélites, fibra óptica, sem fio e metálicas cabeadas). Um volume de dados da ordem de terabits exigirá o desenvolvimento de novos sistemas computacionais, elementos de rede, meios de comunicação (intenso uso da fotônica), elementos de armazenamento de dados e computadores com alto paralelismo e poder de processamento.

Na pesquisa do banco consta a afirmação de que o Complexo Eletrônico tem sido recorrentemente um dos focos estratégicos de políticas de desenvolvimento econômico nacional. Iniciativas atuais de destaque são o Plano TI Maior e a Portaria 950 do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, que aumenta os benefícios fiscais da Lei de Informática para os produtos que, além de fabricados no Brasil, forem desenvolvidos localmente.

Cada vez mais a informática está associada à indústria eletroeletrônica. Já fazendo uso ou não da informática, há 60 novos produtos de eletroeletrônica para otimizar seus processos na seção de Eletroeletrônica no NEI.com.br.

E muito mais novidades você encontrará nas próximas edições da Revista e no site NEI, já que a Central de Geração de Conteúdo de NEI Soluções visitará neste mês a 28ª FIEE – Feira Internacional da Indústria Elétrica, Eletrônica, Energia e Automação, entre os dias 23 e 27, no Anhembi, em São Paulo – SP, para levar a você as informações técnicas dos lançamentos do setor. São cerca de 700 expositores nacionais e internacionais, representando mais de 1.400 marcas, que apresentarão suas novidades para um público esperado de 60 mil compradores.

Uma das novidades da feira é a setorização com sinalização diferenciada para os quatro setores macro (equipamentos industriais, eletrônica, automação e energia). As outras são: Ilhas Temáticas, apresentação prática das tecnologias em espaços reservados em cada setor; showroom de lançamentos na entrada da feira; e workshops gratuitos em pequenos auditórios para mostra de produtos/serviços. Para completar as atrações, nos mesmos dias em que ocorrerá a FIEE, a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Abinee realizará no hotel Holiday Inn Parque Anhembi, o Abinee TEC 2015 – Fórum de Sustentabilidade, Energias Alternativas e Eficiência Energética. Serão abordados os temas: aperfeiçoamento do setor elétrico brasileiro, eficiência energética e segurança das instalações, Lei de Informática, inovação, startups, sustentabilidade e futuro das micros, pequenas e médias empresas no Brasil.

Projeções econômicas para 2015

Dada a necessidade de ajustes na economia do País, para 2015 o setor não projeta aumentos significativos nos negócios, segundo a Abinee. O faturamento deverá apresentar crescimento nominal de cerca de 2% em relação a 2014, somando R$ 163 milhões, sendo modesto em todas as áreas.

As importações deverão ficar no mesmo patamar de 2014, atingindo US$ 41,9 bilhões, influenciadas pela estabilidade esperada para o mercado interno. Por sua vez, as exportações deverão ficar 1% abaixo das realizadas em 2014, registrando US$ 6,6 bilhões. Os investimentos do setor em 2015 ficarão 2% acima em relação aos de 2014, de R$ 4 bilhões, e o número de empregados permanecerá em 175 mil.

Projeção para var. % do faturamento nominal do setor

2015 x 2014

Áreas                                          Var %

  • Automação Industrial                                           6%
  • Componentes Elétricos e Eletrônicos             5%
  • Equipamentos Industriais                                   6%
  • GTD                                                                              -4%
  • Informática                                                                0%
  • Material Elétrico de Instalação                         6%
  • Telecomunicações                                                  4%
  • Utilidades Domésticas                                           2%
  • Total                                                                              2%

2015 é de ajuste, fundamental para retomar a trajetória de crescimento nos próximos anos

E não há como a economia nacional apresentar resultados positivos sem a recuperação e o fortalecimento da indústria. O Brasil tem pressa e a indústria precisa estar à frente

Nada melhor que começar um ano com boas propostas, incluindo a retomada da confiança. No Brasil, a esperança por uma nação melhor com uma indústria forte se renova a cada troca de equipe ministerial. E este é o momento atual.

A reforma nos ministérios tem o objetivo de dialogar com e acalmar os mercados. A opinião de Danilo Sartorello Spinola, pesquisador do Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia – NEIT da Unicamp e consultor da Divisão de Desenvolvimento Produtivo e Empresarial da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, é também a de muitos especialistas consultados por NEI para esta reportagem. Na visão do economista Ricardo Amorim, se a “casa” for arrumada em 2015, recuperando a confiança de empresários e consumidores, pode-se retomar um ciclo de crescimento mais rápido a partir do final deste ano. “Só poderemos crescer como de 2004 a 2010 acelerando a produtividade, o que exige trabalhadores mais bem preparados e equipados, portanto muito investimento em educação, máquinas, equipamentos e tecnologia”, explicou Amorim, lembrando que a “mãe” das oportunidades são os problemas.

A indústria também se aproveita desse cenário de mudança, devido ao novo líder do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC. Armando Monteiro Neto, que presidiu entre 2002 e 2010 a Confederação Nacional da Indústria – CNI, o Senai e o Sesi, se diz disposto a manter parceria com todos os segmentos do setor produtivo e elenca como seu principal desafio a promoção da competitividade, o que significa reduzir custos sistêmicos e elevar a produtividade, a fim de proporcionar crescimento do País nos próximos anos. “Nesse contexto, a indústria tem papel central, pois crescer pela indústria é sempre o melhor caminho, porque há forte associação com a criação de empregos de qualidade, a disseminação do conhecimento, o desenvolvimento tecnológico e a geração de divisas”, afirmou Neto.

Para promover a competitividade, o novo ministro definiu cinco medidas: reformas microeconômicas, que envolvem melhorias no ambiente tributário e regulatório e simplificação dos processos; política de comércio exterior mais “ativa”, que amplie os acordos comerciais com parceiros estratégicos e permita maior inserção nas cadeias globais de valor; incentivo ao investimento e à renovação do parque fabril, de modo a reduzir a idade média das máquinas e equipamentos em operação no Brasil (que hoje é de 17 anos), e a adoção de modelo de financiamento de bancos públicos que viabilize crescentemente acesso dos recursos para pequenas e médias empresas; estimulo à inovação; e aperfeiçoamento do sistema que irá gerir a “agenda” da competitividade.

Por ser um nome ligado à indústria, a escolha de Neto à frente do MDIC é vista como positiva, por exemplo, pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica – Abinee e por especialistas, como Pedro Chadarevian, prof. dr. de economia da Unifesp e da pós-graduação de políticas públicas da UFABC. Para ele, o ano começa com outras duas boas notícias para a indústria. Uma é a maturação dos investimentos feitos nos últimos anos para a qualificação da mão de obra devido à expansão do acesso ao dos investimentos feitos nos últimos anos para a qualificação da mão de obra devido à expansão do acesso ao ensino superior. “Nos últimos dez anos mais que dobramos a proporção de pessoal ocupado na indústria com nível universitário, o que deve refletir mais cedo ou mais tarde em maior produtividade”, disse Chadarevian.

Outra previsão é a desvalorização do câmbio, encarecendo as importações. “Nesse sentido, deve ocorrer recuperação do segmento de máquinas e equipamentos, inclusive pela necessidade de mecanização generalizada, especialmente nos setores mais pressionados por salários, regulamentações trabalhistas e rentabilidade, como é o caso, entre outros, do agronegócio”, contou o economista.

Quanto ao câmbio, entidades ligadas à indústria, a exemplo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – Abimaq e Abinee e de economistas, como José Luís Oreiro, prof. dr. da UFRJ, defendem que tem de ser no mínimo R$ 3,00 para começar a ser bom para a indústria nacional. Victor Gomes, doutor em economia, docente da UNB e pesquisador associado da Rede de Economia Aplicada, disse que esse cenário já está ocorrendo. “No caso, o fortalecimento do dólar deve fortalecer as exportações brasileiras”, explicou. “Com essa ótica, medidas que facilitem negócios internacionais são bem-vindas. Se o governo for ‘claro’ em suas ações, empresas brasileiras podem aproveitar e expandir suas operações no mercado doméstico ou internacional. Os desafios são enormes, mas grandes dificuldades trazem boas oportunidades.”

Os setores de máquinas e equipamentos e de infraestrutura deverão ser os primeiros a apresentar melhoras a partir de 2015, conforme a confiança recuperada elevar os investimentos em projetos, prevê Alberto Suen, prof. dr. de finanças da UFABC e engenheiro de produção. Assim como para esses dois setores, também para a cadeia do petróleo estão programados investimentos, seja devido aos últimos leilões de concessão e/ou aos desembolsos necessários à viabilização da exploração do pré-sal, afirmou a economista Roberta Possamai, pesquisadora e mestranda da FGV. Outra aposta de boas perspectivas envolve a indústria alimentícia, como indicou Ana Elisa Périco, docente de finanças da Unesp, pesquisadora das infraestruturas produtivas e doutora em engenharia de produção. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação, a previsão do setor para 2015 é de crescimento de 2,5% no volume de produção industrial, 3% de vendas e exportações de US$ 40 bilhões.

A Abinee projeta crescimento nominal e investimentos em reais de cerca de 2% em relação a 2014, e a indústria de transformação do plástico deverá ter aumento de 1% na produção física, 2% no índice de emprego e 2% no consumo aparente dos transformados plásticos (em toneladas), informou a Associação Brasileira da Indústria do Plástico.

Para completar as perspectivas para os setores, Antônio Márcio Buainain, prof. dr. de economia da Unicamp, crê em recuperação, no segundo semestre, da construção civil e transportes. Já Elton Eustáquio Casagrande, doutor em economia e docente da Unesp, aposta que a cadeia do agronegócio será outro destaque em 2015.

A energia é mais um tema comentado pelos especialistas que deve pautar ainda mais as discussões neste ano. O professor da UNB alertou que medidas sustentáveis e competitivas para o setor de energia são cruciais para o avanço industrial e para atrair investimentos.

Outra boa notícia para a indústria em 2015, de acordo com Buainain e Spinola, é que o crescimento pode se dar também pela ocupação de capacidade ociosa, porque em 2014 elevou-se a ociosidade, podendo, neste ano, ser recolocadas máquinas em operação. “Deve-se lembrar que Copa do Mundo, com forte elevação de preços no período, e eleições afetam as decisões de gasto, fatores que não ocorrerão em 2015”, opinou o pesquisador do NEIT. “A Copa também afetou a produção industrial pelo aumento dos feriados, que também gerou retração do consumo.”

No curto prazo, além de o Banco Central deixar a taxa de câmbio se acomodar em um patamar mais alto e o governo recuperar a confiança do setor produtivo, outra medida é fundamental: apresentação de programa de investimentos em infraestrutura crível, reduzindo parte do chamado custo Brasil, citou Roberta.

Amorim completa a lista de melhorias para a indústria nacional, sugerindo reforma das leis trabalhistas.

Apesar das novas equipes ministeriais, boas aspirações e algumas ações correntes que já entusiasmam, recuperar o crescimento sustentado já em 2015 será pouco provável na visão dos economistas entrevistados e associações ligadas à indústria. Em análise publicada no Valor Econômico de 1º de dezembro, Silvia Matos e Vinícius Botelho, pesquisadores do Instituto Brasileiro de Economia – IBRE da FGV, comentam que este deve ser um ano de ajustes, mas, reestabelecidas as condições de política econômica para gerar crescimento, a partir de 2016 o País voltará a apresentar taxas próximas do potencial estimado. Segundo a CNI, a indústria terá expansão de 1% em 2015.

Projeções para o macroBrasil

A reportagem de NEI conversou com economistas de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília para descobrir as palavras de ordem para o Brasil. O resultado é o conjunto de mandamentos: retomada da confiança, ajuste, controle de gastos e da inflação, competitividade, internacionalização, equilíbrio fiscal, fim da impunidade, austeridade fiscal, menor intervenção governamental, adequação das empresas para o retorno do crescimento econômico, emprego, inovação, responsabilidade social e distribuição de renda.

Felizmente, a nova equipe econômica já sinalizou que pretende trazer de volta a confiança perdida e realizar outros ajustes, que devem ser feitos para corrigir uma série de desequilíbrios que a economia brasileira acumulou. “Um dos motivos de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, um economista ortodoxo, é resgatar a credibilidade da equipe econômica do governo no segundo mandato”, opinou Marcel Grillo Balassiano, da área de Economia Aplicada do IBRE. Como medidas iniciais, Levy anunciou que o governo vai buscar superávit primário de 1,2% do PIB em 2015 e de 2% em 2016 e 2017.

Segundo Felippe Cauê Serigati, professor de economia da FGV, será necessário aumentar a taxa de juros e encarecer o crédito para acomodar a inflação; do lado das contas públicas, será preciso cortar algumas despesas e elevar impostos; por fim, para reduzir o déficit nas contas externas, o Banco Central terá de permitir que a taxa de câmbio se desvalorize, embora isso pressione ainda mais a inflação.

De acordo com a CNI, a economia crescerá 1% em 2015. Por trás disso, comentou Serigati, está a desaceleração do consumo interno e a queda dos preços das commodities que o Brasil exporta, bem como a menor capacidade do governo em repassar recursos para os bancos públicos. “Apesar disso, o crescimento de 2015 deve ser melhor que o de 2014 por causa de alguns investimentos que já foram contratados”, revelou. Já a inflação, possivelmente ficará em 6,5%, com novo aumento da taxa Selic para tentar diminuir a inflação. Lembrou Serigati que o ideal é a inflação ser acomodada em patamar próximo da meta, de 4,5% a.a.

Quanto aos investimentos no Brasil, economistas acreditam em ligeiro aumento devido, principalmente, aos resultados das últimas concessões de aeroportos, rodovias, ferrovias e portos, bem como à exploração do pré-sal. No tempo certo deve-se mobilizar o capital privado, que tem interesse em investir. Reforçam ainda que um tema crucial para a retomada do crescimento é a punição e o combate à corrupção.

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Responsabilidades do empresário industrial em 2015 

Em cenário de dificuldades, se o empresariado apenas se defender aumentando o nível de ociosidade e elevando margens e demissões, há o risco de se “entrar em uma espiral” de crise e desconfiança muito perigosa aos sistemas econômicos, alertou Spinola.

É preciso mudar o foco das reivindicações e negociações com o governo, que tem se concentrado em “pequenos favores” que não resolvem o problema, apenas produzem alívio imediato, sugeriu Buainain.

Para os especialistas, a princípio a missão é manter a empresa “saudável”. Se os ajustes prometidos para este ano forem feitos, a indústria deverá começar a colher os frutos nos próximos anos. À medida que a confiança aumentar, é hora de acreditar, investir, buscar produtividade com inovação para elevar a competitividade e aproveitar as oportunidades para o novo ciclo de crescimento que deve ter início em 2016. Para completar, há de acreditar mais nos trabalhadores e incentivá-los e desenvolver inteligência estratégica para assegurar empregos. Faz parte de todo o processo cobrar regras claras, sustentáveis e competitivas de regulação econômica e atuar em parceria com o setor público.

Mario Winterstein, diretor de desenvolvimento de negócios da The Association For Manufacturing Technology (EUA) – AMT, recomenda que o Brasil siga os mesmos passos que permitiram aos EUA tornar-se o país com um dos custos de manufatura mais baixos, inclusive em relação à China, para bens duráveis a serem “consumidos” na América do Norte. Para ele, os passos incluem: baixar o custo de energia, inovar, utilizar máquinas avançadas, criar novos materiais e ferramentas, automatizar a usinagem e a montagem, definir ganho na produtividade e treinar a mão de obra. “Tudo isso deve ser acompanhado de bom senso, deixando o mercado achar seu caminho, sem interferência governamental e protecionismo. Das empresas de manufatura, somente as competitivas por mérito próprio sobrevivem e crescem.”

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Retomada de confiança

Na edição de fevereiro da Revista NEI e aqui, neste canal de notícias, um artigo exclusivo sobre as perspectivas para o Brasil em 2015 reúne a opinião de vários economistas e especialistas do País, consultados por NEI, sobre o cenário político e econômico, e como todas as mudanças previstas devem impactar no desenvolvimento da indústria. Com o anúncio da nova equipe ministerial no final de 2014, optamos por divulgar este artigo em fevereiro, comumente publicado em janeiro.

Os desafios são muitos, como a retomada de confiança de empresários e consumidores, e do diálogo, permitindo à indústria resgatar seu papel na discussão econômica. Como afirmou o novo líder do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, Armando Monteiro Neto, que já presidiu a Confederação Nacional da Indústria – CNI entre 2002 e 2010, crescer pela indústria é sempre o melhor caminho. Entre medidas importantes previstas estão reformas microeconômicas para melhorar e simplificar o ambiente tributário e regulatório, incentivos ao investimento e à renovação do parque fabril, estímulos à inovação e política de comércio exterior mais ativa.

O ano de 2015 será de ajuste: é hora de “arrumar” a casa. À medida que a confiança aumentar – e isso está acontecendo gradativamente, afirmam os especialistas –, será hora de planejar, investir, buscar produtividade com inovação para elevar a competitividade e se preparar para a aproveitar as oportunidades geradas pelo novo ciclo de crescimento esperado a partir de 2016.

Em fevereiro trazemos também uma seção especial sobre Indústria Mecânica, reunindo uma seleção de novas máquinas, equipamentos e dispositivos direcionados às áreas produtivas que podem contribuir com a otimização de processos e a modernização de fábricas. Para conhecer as inovações mais recentes da área mecânica, a equipe editorial de NEI conversou com especialistas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola de Engenharia de São Carlos. Eles apontam como destaque os robôs com sentido sensorial para segurança, que operam de forma colaborativa em ambientes com humanos; os robôs manipuladores com estrutura mecânica paralela; e ainda os robôs com topologia híbrida, ou seja, duas estruturas mecânicas: a mecânica e a serial. Outra tecnologia citada pelos especialistas, e que já temos trazido em edições anteriores, é a impressão 3D de produtos metálicos.

As inovações estão acontecendo no mercado global. É preciso acompanhar as tendências e estar atento em como tudo isso pode ajudar sua empresa a se modernizar. A introdução de novas soluções tecnológicas contribuem, com certeza, com o desenvolvimento de produtos melhores e mais competitivos.

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Próspero Ano Novo

Começamos 2015 mais confiantes. A relação entre o setor produtivo e o governo deve se fortalecer, e a competitividade ser colocada no centro da agenda política do País. A escolha de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda e de Armando Monteiro para o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC foi bem recebida pelo mercado e avaliada positivamente pela Confederação Nacional da Indústria – CNI. As novas diretrizes preveem elevar a produtividade, desburocratizar processos tributários, dar incentivos ao parque fabril e favorecer a inovação, entre outras.

Outra boa notícia é que estão previstos investimentos na economia brasileira, entre 2015 e 2018, de R$ 4,1 trilhões, representando crescimento de 17% frente aos valores efetivamente realizados entre 2010
e 2013, segundo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES. Para a indústria estão estimados R$ 909 bilhões, 18,5% a mais que no período anterior. De acordo com BNDES, os investimentos previstos a partir de 2015 vão privilegiar projetos mais intensivos em tecnologia.

Para as empresas que planejam inovar e alcançar melhores níveis de produtividade e qualidade – todas deveriam perseguir essas diretrizes – duas frentes precisam ser alcançadas: qualificação de mão de obra, cada vez mais necessária, e investimentos em tecnologias modernas. Conhecer novos equipamentos e máquinas permite identificar soluções para incrementar os processos de manufatura. Sem investimento em soluções tecnológicas, não há inovação.

Parte de uma nova era na indústria de manufatura em nível mundial, a impressão 3D é um bom exemplo de tecnologia em desenvolvimento que vem ganhando espaço e importância no setor industrial. Pela segunda vez consecutiva, uma impressora 3D foi o produto que despertou maior interesse dos profissionais que acessaram o NEI.com.br. A seção Campeões de Interesse 2014 traz a impressora vencedora, da Ex One, e mais de 60 produtos, dos mais diversos segmentos, que também chamaram a atenção desses profissionais, mostrando sobre quais tecnologias recai o interesse do mercado.

A impressão 3D é apenas um exemplo de quanto é importante estar atento às novas tecnologias que podem abrir horizontes para sua empresa.


Mercedes-Benz investirá R$ 1 bi no Brasil em 2014 e 2015

O plano de investimentos da Mercedes-Benz do Brasil engloba cerca de R$ 1 bilhão no setor de caminhões e ônibus em 2014 e 2015, nas fábricas de São Bernardo do Campo-SP e de Juiz de Fora-MG. Entre 2010 e 2013, foi aplicado R$ 1,5 bilhão no setor de veículos comerciais.

“Dos R$ 562,3 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, mais de 60% serão destinados para projetos de pesquisa e desenvolvimento de produtos, sendo grande parte para nacionalização do caminhão extrapesado Actros fabricado em Juiz de Fora”, afirmou Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO para América Latina.

De acordo com o executivo, o plano prevê ainda recursos para outros desenvolvimentos no setor de caminhões e ônibus, como atualizações tecnológicas. Diversas iniciativas nas áreas ambiental e social também compõem o plano.