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Inovação é caminho para indústria de celulose e papel manter competitividade

17, outubro, 2011 Deixar um comentário

Durante o ABTCP 2011- 44º Congresso e Exposição Internacional do setor, entidades do setor, como a ABTCP, e dirigentes das maiores empresas apontam oportunidades de mercado

Desenvolver novos produtos, ampliar a competitividade da base florestal brasileira, bem como investir em tecnologias novas em todas as pontas da cadeia produtiva são algumas das iniciativas que o setor está implementando para manter sua competitividade.

Em um cenário de retração da demanda nos mercados europeu e norte-americano, de forte competição com empresas asiáticas e de risco por conta da taxa de câmbio, o ABTCP 2011 – 44º Congresso Internacional de Celulose e Papel, realizado em São Paulo, discutiu os caminhos que a indústria de celulose e papel deve seguir para crescer, seus desafios e oportunidades.

Nos ativos florestais, o avanço da biotecnologia permitirá dar um salto de produtividade de 10%, 20% e até 40%, com a produção customizada do eucalipto para a fabricação de papel tissue, por exemplo. “Essa é uma grande oportunidade”, observou o presidente da Cia. Suzano de Papel e Celulose, Antônio Maciel, durante painel do evento que reuniu presidentes de várias empresas do setor, na última segunda-feira (03/10).

Novas tecnologias que permitem reduzir em até 25% o consumo de energia, ampliando a produtividade, são outra inovação do setor, lembrou o presidente da Voith Paper América do Sul, Nestor de Castro Neto, reforçando a constatação de que racionalizar o consumo dos recursos naturais está na pauta do setor.

Justamente com o objetivo de reduzir o consumo de energia, o diretor industrial e de engenharia da Fibria, Francisco Valério, citou iniciativas como o trabalho conjunto com fornecedores de equipamento e empresas de engenharia para modificar o lay out das fábricas e diminuir as distâncias das operações.

Em relação às iniciativas de inovação, o presidente da Suzano lembrou que 85% da inovação no mundo se refere a melhorias de produtos já existentes. Nesse sentido, constata-se o desenvolvimento de aplicações diferentes de embalagens que já existem, por exemplo, na área de alimentos.

As pesquisas e desenvolvimento de novos produtos no segmento de embalagens estão avançando em ritmo acelerado. “A indústria vem trabalhando para tornar as embalagens mais leves e resistentes”, ressaltou o presidente da ABTCP, Lairton Leonardi. Ele lembrou ainda que, com o avanço de novas tecnologias, tanto na matéria-prima do papelão ondulado, como no acabamento de impressão, as embalagens passaram a ter maior apelo funcional e visual.

Sérgio Amoroso, presidente do Grupo Orsa, destacou as inovações no mercado de papelão ondulado. “Estamos realizando estudos de mistura com amido que propiciarão a redução de 4% da gramatura do papel, o que demandará menos matéria-prima”, antecipou.

O VP executivo do Grupo Pöyry, Carlos Farinha e Silva, citou outras inovações no mercado de papel como o uso da nanotecnologia para a fabricação de embalagens, o desenvolvimento de folhas de papel tissue que se dissolvem em água e formam espuma e as tecnologias de impressão de circuitos elétricos e células fotovoltaicas diretamente em bobinas.

Por outro lado, observou Sérgio Amoroso, os fabricantes de papel ainda não investiram em máquinas de maior porte, o que é sentido no segmento de papelão ondulado, embora haja exceções, conforme ressaltou o presidente da Voith Paper América do Sul – empresa que está instalando, em um cliente do setor, uma máquina de grande porte, para produzir 300 mil toneladas de papel. “Quem investir em equipamentos e novas tecnologias, será competitivo, mesmo que a opção seja por máquinas menores”, completou Castro Neto.


Competitividade do papel é desafio para a indústria brasileira

2, setembro, 2011 Deixar um comentário

Segundo a ABTCP, investimentos em máquinas, recursos humanos e logística são fundamentais para o produto nacional.

O aquecimento da economia do Brasil, alavancada muito em função da melhora do poder aquisitivo do brasileiro, tem garantido o bom desempenho de consumo de papéis, principalmente aqueles para embalagens e também o tissue (para fins sanitários). No entanto, para manter a competitividade do papel nacional, o setor terá de investir mais fortemente em renovação de equipamentos, no desenvolvimento de novos produtos, na produção em larga escala, bem com inovar no modelo de negócio. De acordo com a ABTCP – Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel, o desafio é transferir para o papel toda a competitividade da celulose brasileira, tanto no mercado interno como no internacional.

A alta produtividade das florestas plantadas de pinus e eucalipto, a qualidade da madeira, a eficiência energética das fábricas, e os recursos humanos altamente qualificados em tecnologia da madeira, celulose e papel, são fatores favoráveis, que podem ser revertidos ao papel brasileiro. No entanto, desafios devem ser superados para incrementar a competitividade da fabricação de papel no Brasil, através de intervenções estratégicas identificadas pela ABTCP em diferentes aspectos.

Segundo o gerente técnico da entidade, Afonso Moura, a logística é um grande desafio para o segmento de papel, pela dificuldade de movimentação, já que o produto requer cuidados especiais de transporte e armazenamento. “A falta de canais de distribuição eficientes que permitam a comercialização no mercado interno e no externo é um empecilho, pois as fábricas normalmente estão distantes dos consumidores e isso dificulta o fornecimento imediato do produto”, aponta ele.

As condições precárias primordialmente de rodovias e portos nacionais acabam por encarecer o transporte doméstico e para o Mercosul do papel, o que resulta em perda de competitividade para similares importados. “Desta maneira, há a necessidade de portos especializados, transporte de cabotagem, hidrovias, serviços de navegação, ferroviários e rodoviários mais eficientes, incluindo melhores facilidades de distribuição”, observa Moura.

No que diz respeito a equipamentos, o gerente destaca a necessidade da modernização dos parques de produção de papel, muito defasados em relação à indústria de celulose.

Os recursos humanos e o conhecimento também são aspectos que influenciam a competitividade do papel brasileiro e a ABTCP, neste sentido, propõe a adequação da formação de novos profissionais para o atendimento da demanda do setor. Queremos formar profissionais que desenvolvam e disseminem o conhecimento da fabricação de papel com 100% fibras de Eucalyptus spp brasileiros, condição inédita para produtores e mercados internacionais”, afirma ele.

Por fim, o gerente técnico também aponta a falta de escala como mais um desafio para o papel brasileiro. Enquanto a alta demanda por celulose no mercado internacional permite a construção de plantas para produção do insumo em grande escala, o mesmo não acontece no mesmo ritmo com o papel, muito em função dos problemas citados acima, como o de logística, por exemplo.

Somente o crescimento do consumo de papel no mercado interno não viabiliza projetos de fabricação de larga escala no Brasil. Por isso, temos de aproveitar o momento atual de fechamento de fábricas de papel no hemisfério norte para tentarmos suprir esse vácuo com o papel nacional”, finaliza Moura.

Estes e outros assuntos serão debatidos durante o ABTCP 2011 – 44º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, o maior encontro da América Latina de celulose e papel, promovido pela entidade, este ano em parceria com a congênere alemã ZELLCHEMING – Associação de Químicos e Engenheiros de Polpa Química e Papel. Como parte das atrações do evento, realizado entre 3 e 5 de outubro, em São Paulo, acontecerá também o 1º Simpósio Latino-Americano de Papel para Embalagem.