O Brasil tem potencial para ser uma liderança na nova economia verde e de baixo carbono porque possui abundante capital natural, megabiodiversidade, sociodiversidade, matrizes energética e elétrica predominantemente renováveis, inflação sob controle (ainda), ambiente democrático, mobilidade social das populações menos favorecidas, uma política nacional de mudanças do clima e outros tantos aspectos, motivos de orgulho nacional.
Para o capitalismo global, o Brazil vem ampliando gradualmente sua presença e atuação internacional. Essa atuação é proeminente em áreas como as de commodities agrícolas, minerais, infraestrutura e construção pesada, em que empresas brasileiras são bem competitivas e ocupam posições de liderança em alguns mercados complexos. E isso incomoda nossos principais concorrentes.
O mundo nunca deixou de ser uma arena de competição na disputa por recursos naturais finitos e mercados idem, ainda que as formas pelas quais ela se manifesta variem com o tempo. Por isso mesmo, o mundo continua e continuará inseguro, porque é a própria essência da luta pela sobrevivência entre os Estados. O fundamentalismo das boas intenções, a pretexto da estabilidade climática e de crises ambientais, imbuído das mais nobres intenções, tem proposto e imposto uma série de convenções ambientais e climáticas exigindo a adoção das mais diversas políticas segregacionistas, protecionistas, discriminatórias e socialmente excludentes.
A geopolítica do clima diz respeito às disputas de poder e pressões de todo tipo no espaço mundial por meio do poder de influir na tomada de decisão dos Estados sobre o uso do território além dos próprios limites territoriais. Implicam também relações de assimetria que podem ser disputas econômicas, conflitos culturais, ideológicos, além de questões sobre mudanças climáticas, inovações tecnológicas e diferentes aspectos da globalização.
Vivemos uma combinação das anomalias climáticas cíclicas – El-Niño-La Niña – muito rigorosas, que produzem exacerbação dos fenômenos climáticos e desastres naturais e humanitários reais. À medida que terra e água se tornam mais escassas, que as mudanças climáticas se intensificam e a segurança alimentar mundial se deteriora, surge uma geopolítica perigosa de escassez de alimentos. Isso desencadeia uma luta pelo poder global para segurança alimentar.
A nova geopolítica do clima envolve questões tão complexas e difusas como: capitalismo de carbono, crise energética, ecoescravidão, perpetuação da exclusão social, armadilhas energéticas, riscos regulatórios, custos ambientais crescentes, limites do crescimento sustentável, barreiras socioambientais, biocomplexidade, níveis “ótimos” de poluição, esfriamento global, fraudes, destinação do CO2 sequestrado, etc.
Esse glorioso mercado global compra cada vez menos, remunera cada vez pior e está abarrotado de iniciativas “sustentáveis”. Entre elas, assistimos uma escalada de ações do aparato internacional, que se oculta por trás dos chamados movimentos sociais e das causas relacionadas ao meio ambiente e ao indigenismo, contra grandes projetos de infraestrutura em curso no País.
Às vezes a vida imita a arte: no filme Leap of Faith (Fé demais não cheira bem), de 1992, Steve Martin vive o reverendo Jonas Nightengale, um charlatão que vende a salvação em troca das ofertas que recebe por doação. Desconfie: fé demais (na causa aquecimentista) não cheira bem.
Não importa se você é um ardoroso defensor da causa do aquecimento global ou um cético do clima que luta contra o capitalismo de carbono: o aquecimento global transcende a questão técnica – atualmente é uma construção social, política e econômica. Temos marcos regulatórios, compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e obrigações legais a serem cumpridas pelo setor produtivo.
Todas as causas climáticas e socioambientais são dignas. Ao escolher as ações a serem implementadas, devemos fazê-lo por dever moral, benevolência, melhoria de reputação ou reação à pressão de determinados grupos de interesse e, principalmente, a partir da análise criteriosa do potencial de “geração de valor compartilhado“ (a capacidade de produzir benefícios relevantes para o planeta e valiosos para o País) e da competitividade nacional. Adotar práticas de promoção do desenvolvimento sustentável e uma política ambiental direcionada à competitividade e não inibidora do crescimento econômico é a chave para liderar o processo de desenvolvimento sustentável nacional, fortalecendo nossa competitividade e buscando a melhoria contínua das condições socioeconômicas.
As duas lógicas – a climática e a econômica – são complementares, fortalecendo a noção de interdependência, pressupondo sinergias. É necessário reduzir as relações de assimetria materializadas nas políticas ambientais que apresentam características segregacionistas, protecionistas, discriminatórias, socialmente excludentes, e que não raro são acompanhadas de ciclos de eclosão, colapso econômico e ambiental, pois sem riqueza econômica é impossível investir na conservação e recuperação ambiental e numa economia de baixo carbono.
De todos os riscos que o Brasil enfrenta, nenhum é mais preocupante do que abrir mão de sua soberania (cada vez mais relativa) e dos interesses nacionais no uso sustentável e legítimo dos recursos naturais (renováveis ou não), curvando-se aos interesses do Brazil como falsa saída para o seu desenvolvimento.
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