Arquivo

Textos com Etiquetas ‘carbono’

Novo selo ambiental indica a “pegada de carbono e água” de produtos nacionais

O lançamento de um novo selo permitirá às empresas nacionais demonstrar os benefícios ambientais de seus produtos em comparação aos internacionais graças a um novo sistema de medição e certificação da pegada de carbono e água de produtos.

O sistema será operado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, em particular pela ABNT Certificadora, e foi criado por meio de um processo participativo que envolveu a indústria brasileira e foi guiado pelo Carbon Trust, consultoria de estímulo à economia de baixo carbono com expertise global no tema. A concepção e desenvolvimento do sistema contou com o apoio institucional do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC e com financiamento do Prosperity Fund, da Embaixada Britânica, em Brasília.

Organizações que obtiverem a certificação cumprindo os parâmetros definidos nas regras do sistema, e atualizados por um comitê técnico sediado na ABNT, poderão utilizar os novos selos de pegada de carbono e de água da ABNT para comunicar suas ações de medição e redução do impacto ambiental ao longo do ciclo de vida dos seus produtos.

A capacidade de evidenciar o baixo impacto ambiental de produtos brasileiros dará às empresas vantagens competitivas no mercado internacional, sendo que elas tendem a crescer na medida em que as companhias brasileiras as transformarem em vantagens comerciais em um cenário de uma economia de baixo carbono. O sistema também trará vantagens para o mercado doméstico, permitindo que as empresas demonstrem suas vantagens em relação aos importados.

O projeto piloto, coordenado pelo MDIC, ABNT e Carbon Trust, envolveu empresas dos setores de alumínio, vidro, aço, cimento, químicos e tecidos, totalizando nove categorias de produtos e 16 subprodutos. Dentre estas, estão Braskem, CSN, Saint-Gobain, Arcelor Mittal, Votorantim, Novelis, BR Goods e EDB Polióis Vegetais do Brasil.


A Geopolítica do Clima como Fator Determinante das Escolhas Brasileiras

18, novembro, 2010 Deixar um comentário

O perigo não é para as Mudanças Climáticas, mas para as Políticas de Mudanças Climáticas, nas quais a geopolítica do clima deveria ser o fator determinante das escolhas brasileiras.

Não importa se você é um ardoroso defensor da causa do aquecimento global ou um cético do clima que luta contra o capitalismo de carbono: o aquecimento global transcende a questão técnica – atualmente é uma construção social, política e econômica. Temos marcos regulatórios, compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e obrigações legais a serem cumpridas pelo setor produtivo.

Inventamos uma lei cujo cumprimento é voluntário (pouco mais do que boas intenções, pelo menos por parte do Executivo, considerando os efeitos da Lei de Responsabilidade Fiscal). Mas para o Setor Produtivo a interpretação no caso concreto da aplicação do Art. 12 da Política Nacional de Mudanças Climáticas (“Para alcançar os objetivos da PNMC, o País adotará, como compromisso nacional voluntário, ações de mitigação das emissões de gases de efeito estufa, com vistas em reduzir entre 36,1% e 38,9% suas emissões projetadas até 2020.”) será compulsória frente à interpretação do Parágrafo único do Art. 11 da mesma lei Nº 12.187/09: “Decreto do Poder Executivo estabelecerá, em consonância com a Política Nacional sobre Mudança do Clima, os Planos setoriais de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas visando à consolidação de uma economia de baixo consumo de carbono, na geração e distribuição de energia elétrica, no transporte público urbano e nos sistemas modais de transporte interestadual de cargas e passageiros, na indústria de transformação e na de bens de consumo duráveis, nas indústrias químicas fina e de base, na indústria de papel e celulose, na mineração, na indústria da construção civil, nos serviços de saúde e na agropecuária, com vistas em atender metas gradativas de redução de emissões antrópicas quantificáveis e verificáveis, considerando as especificidades de cada setor, inclusive por meio do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL e das Ações de Mitigação Nacionalmente Apropriadas – NAMAs”.

Já o resultado da COP-16 (México) poderá ser mais frustrante do que foi Copenhague: será determinado pelas possibilidades de conciliação dos interesses econômicos nacionais das grandes potências tradicionais e emergentes resultantes da combinação entre segurança energética e novos negócios baseados em soluções de baixo carbono.

O mundo nunca deixou de ser uma arena de competição na disputa por recursos naturais finitos e mercados idem, ainda que as formas pelas quais ela se manifesta variem com o tempo. Por isso mesmo, o mundo continua e continuará inseguro, pois é a própria essência da luta pela sobrevivência entre os Estados. O fundamentalismo das boas intenções a pretexto da estabilidade climática e de crises ambientais, imbuído das mais nobres intenções, tem proposto e imposto uma série de convenções ambientais e climáticas exigindo a adoção das mais diversas políticas segregacionistas, protecionistas, discriminatórias e socialmente excludentes.

A geopolítica do clima diz respeito às disputas de poder e pressões de todos os tipos no espaço mundial por meio do poder de influir na tomada de decisão dos Estados sobre o uso do território além dos próprios limites territoriais. Implicam também relações de assimetria que podem ser disputas econômicas, conflitos culturais, ideológicos, além de questões sobre mudanças climáticas, inovações tecnológicas e diferentes aspectos da globalização.

A nova geopolítica do clima envolve questões complexas e difusas, como capitalismo de carbono, crise energética, ecoescravidão, perpetuação da exclusão social, armadilhas energéticas, riscos regulatórios, custos ambientais crescentes, limites do crescimento sustentável, barreiras socioambientais, biocomplexidade, níveis “ótimos” de poluição, esfriamento global, fraudes, destinação do CO2 sequestrado, etc.

Neste desafio fascinante de prever eventos climáticos extremos, a realidade do clima (ainda temos dificuldades de prever o tempo para o dia seguinte) e de fornecer uma visão de longo prazo do mundo, vivemos um paradoxo: práticas que parecem melhorar a qualidade de vida a curto prazo podem conduzir a colapsos desastrosos a longo prazo, como resultado da exaustão/destruição não só de recursos naturais imprescindíveis à existência da sociedade moderna, mas destruindo valor para os acionistas públicos e privados. Inclui a noção sistêmica de que fazemos parte do planeta, dependemos de seu equilíbrio relativo para prosperar e da sua estabilidade dinâmica para perpetuar nossos negócios.

Todas as causas climáticas e socioambientais são dignas. Ao escolher as ações a serem implementadas, devemos fazê-la por dever moral, benevolência, melhoria de reputação ou reação à pressão de determinados grupos de interesse e principalmente a partir da análise criteriosa do potencial de “geração de valor compartilhado“ (a capacidade de produzir benefícios relevantes para o planeta e valiosos para o país) e da competitividade nacional. As duas lógicas – a climática e a econômica – são complementares, fortalecendo a noção de interdependência, pressupondo sinergias.

Adotar práticas de promoção do desenvolvimento sustentável e uma política ambiental direcionada à competitividade e não inibidora do crescimento econômico é a chave para liderar o processo de desenvolvimento sustentável nacional, fortalecendo nossa competitividade e buscando a melhoria contínua das condições socioeconômicas do país.

Caso contrário, investiremos em ações de mitigação e adaptação climática das quais não precisamos, com o dinheiro que não temos (essencial no combate à fome, na saúde, na segurança, na educação e infraestrutrura, incluindo saneamento básico), para impressionar países e grupos de interesse, que são os principais responsáveis pelo problema (mas que ainda vão continuar impondo barreiras à exportação de nossos produtos de baixo carbono).

Afirma o pai da administração moderna, Peter Drucker, o “planejamento de longo prazo não lida com decisões futuras, mas com o futuro de decisões presentes”. O perigo, portanto, não é para as Mudanças Climáticas, mas para as Políticas de Mudanças Climáticas nas quais a geopolítica do clima deveria ser o fator determinante das escolhas brasileiras. A precipitação não transformará nenhuma de nossas vantagens comparativas em vantagens competitivas. Devemos correr, mas devagar.

 

Crédito: Decio Michellis Jr. é licenciado em eletrotécnica pela UNESP, extensão em Direito da Energia Elétrica pela UCAM, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura pela FIA/USP e Diretor de energia do Departamento de Infraestrutura da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo e assessor especial de meio ambiente da Vice-presidência Corporativa de Distribuição da Rede Energia.

 


Oportunidades da indústria numa economia de baixo carbono

29, junho, 2010 Deixar um comentário

As emissões de gases de efeito estufa (GEE), assim como a poluição de uma forma geral, pode ser considerado um sinal do uso improdutivo dos recursos naturais. Requer uma honesta comparação em relação às melhores práticas vigentes no mercado técnica e economicamente viáveis e a decisão de se fazer alguma coisa a respeito. A chave do sucesso da indústria numa economia de baixo carbono reside no processo de governança climática intrinsecamente ligada ao processo de expansão da noção de governança corporativa através de estratégias de redução das emissões de GEE, acompanhada pela prospecção de linhas de produtos e serviços de baixa intensidade de emissões (carbon low-intensive).

Consiste na ponderação sistêmica de riscos através de uma melhor compreensão de suas emissões de GEE, analisando as ameaças e quantificando os custos e as diferentes medidas para reduzir o consumo de energia e emissões (menor consumo, métodos mais limpos de extração, processamento e utilização de energia e matérias primas).

Igualmente aproveitar todas as oportunidades que as políticas públicas em regulamentação podem oferecer para redução de custos e baixar preços: fomento para reduções de emissões de GEE; ampliação do prazo de renovação de licenças ambientais; priorização e menores taxas de juros em financiamentos públicos; incentivos fiscais; mercado de permissões; receitas não-operacionais de créditos de carbono; novas políticas energética e fiscal para a conservação de energia e o aumento da participação das fontes renováveis na matriz energética.

Na oferta de novos produtos e serviços é preciso considerar a possibilidade de atuar com todas as forças em um segmento específico da nova economia de baixo carbono seja com a diferenciação com estratégias de nicho, criando algo único no mercado, ou que tenha baixa oferta e demanda maior que essa oferta.

A gestão estratégica da indústria numa economia de baixo carbono por resultados compreende: i) fazer mais com menos emissões de GEE; ii) uma cultura voltada a resultados e ao efetivo  “fazer acontecer” (produtos e serviços “carbon low-intensive”); iii) melhoria na prestação dos serviços e da satisfação dos usuários, independentemente dos níveis de recursos alocados na redução de emissões de GEE; e iv) empreendedorismo sustentável e parcerias para atender as necessidades essenciais da sociedade em uma economia de baixo carbono.

A indústria necessita de investimentos crescentes em ciência, tecnologia e inovação e usar este conhecimento para auferir vantagem competitiva para melhorar a vida no mundo em desenvolvimento.

A sustentabilidade é uma maneira de fazer negócios que permite o aumento da competitividade e cria valor para os acionistas em uma perspectiva de longo prazo, através do aproveitamento das oportunidades e do gerenciamento dos riscos derivados de desenvolvimentos nas dimensões econômicas e socioambientais na busca da melhor maneira de viver e conviver, aqui e agora.

Crédito: Decio Michellis Jr. é licenciado em eletrotécnica pela UNESP, extensão em Direito da Energia Elétrica pela UCAM, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura pela FIA/USP.


Novos caminhos: como a indústria será afetada pelas políticas públicas de mudanças climáticas

13, maio, 2010 1 comentário

Está sendo desenvolvida a regulamentação políticas públicas (nacional, estaduais e municipais) de mudanças climáticas através de medidas reais, mensuráveis e verificáveis para reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE). Isto ocorrerá de duas formas: i) através de metas de estabilização ou redução de emissões e ii) de metas de eficiência setoriais, tendo por base as emissões de gases de efeito estufa inventariadas para cada setor e parâmetros de eficiência que identifiquem, dentro de cada setor, padrões positivos de referência.

A pergunta não é “se”, mas “quando” e “quanto” a indústria será afetada pelas políticas públicas de mudanças climáticas. Como medida sensata de precaução as indústrias estão desenvolvendo uma melhor compreensão de suas emissões de GEE, analisando riscos e quantificando os custos e as diferentes medidas para reduzir o consumo de energia e emissões.

O Índice de Carbono Eficiente – ICE (BM&F Bovespa/BNDES) medirá a eficiência das emissões de GEE/ por receita gerada como unidade base das empresas de capital aberto, formado a partir do inventário de emissões de GEE. Será utilizado para ‘redefinir’ o peso das ações dentro do índice IBrX 50, afetando a liquidez das ações.

Novos financiamentos poderão ter novas condicionantes ainda não exigidas pelos Órgãos Ambientais, tais como a gestão de passivos ambiental-climáticos e a antecipação de compromissos de regularização.

As ecotaxas, incluindo os impostos sobre as emissões de carbono, são os tributos do futuro (cada vez mais próximo). O crescimento das despesas correntes do setor público (%PIB) levará inexoravelmente a um aumento da carga tributária pela criação de ecotaxas: serão estabelecidos preços e tarifas públicas, tributos e outras formas de cobrança por atividades emissoras de gases de efeito estufa.

Setores já descarbonizados ou que anteciparam suas reduções de emissão de GEE poderão até mesmo ser penalizados, onde o custo marginal de redução varia entre US$ 40,00 a US$ 200,00 t/CO2.

Algumas oportunidades estão em discussão: o fomento para reduções de emissões de gases de efeito estufa, ampliação do prazo de renovação de licenças ambientais, priorização e menores taxas de juros em financiamentos públicos, incentivos fiscais, criação de um mercado de permissões e revisão das políticas energética e fiscal para a conservação de energia e o aumento da participação das fontes renováveis na matriz energética.

Como alternativas de atuação nesta frente de competição empresarial podemos liderar através de: i) possibilidades de reduzir custos e baixar preços incluindo receitas não-operacionais de créditos de carbono; ii) atuar com todas as forças em um segmento específico da nova economia de baixo carbono; iii) diferenciação com estratégias de nicho, criando algo único no mercado, ou que tenha baixa oferta e demanda maior que essa oferta.

Para alguns segmentos da indústria a redução de emissões de GEE será alcançada com melhorias tecnológicas contínuas, para outros através da diversidade tecnológica e em alguns casos somente com rupturas e revoluções tecnológicas frente a tecnologias inexistentes. Serão novos caminhos e um novo jeito de caminhar rumo à inovação e a competitividade industrial. A competitividade da indústria reside, portanto na capacidade sustentável de sobreviver e, de preferência, crescer nos mercados concorrentes ou em novos mercados numa economia de baixo carbono.

Crédito: Decio Michellis Jr. é licenciado em eletrotécnica pela UNESP, extensão em Direito da Energia Elétrica pela UCAM, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura pela FIA/USP.