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Crise perde fôlego, principalmente na indústria, aponta pesquisa do Ipea

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada –Ipea divulgou, esta semana, pesquisa sobre o comportamento da atividade econômica no Brasil. Realizada pelo seu Grupo de Conjuntura (Gecon), o estudo revela que o desempenho recente de alguns indicadores da atividade econômica sugere que a crise está perdendo fôlego. E a boa notícia é que os primeiros sinais deste possível início de recuperação cíclica estão concentrados na indústria.

O foco no comércio exterior está gerando efeitos positivos, principalmente nos setores de têxteis, calçados e madeira. Além do aumento na competitividade, nota-se também, segundo o Ipea, que a desvalorização da moeda está estimulando a substituição de importações, principalmente na produção de bens intermediários.

Por sua vez, a contração da demanda doméstica segue provocando forte ajuste de estoques, o que pode representar mais uma fonte de estímulo à recuperação da produção. Os níveis de confiança dos empresários também cresceram – embora se mantenham em patamares muito próximos dos mínimos históricos. O desempenho da produção da indústria ainda apresenta-se volátil, afirma o Ipea, mesmo com resultados positivos mais frequentes. Após duas altas consecutivas, o indicador de produção industrial do Ipea aponta queda de 1,6% da produção industrial física na passagem entre abril e maio, no comparativo com ajuste sazonal, o equivalente a uma queda de 6,5% sobre o mesmo período de 2015.

Enquanto o setor industrial dá indícios de melhora, espera-se uma recuperação mais lenta do consumo de bens e serviços, cujo desempenho está associado à dinâmica do mercado de trabalho. Além disso, a queda continuada na demanda doméstica gerou forte redução no grau de utilização da capacidade na indústria, o que pode retardar a recuperação dos investimentos.

Outro fator negativo para o crescimento do consumo aparente de bens de capital é a desvalorização do real frente ao dólar, que encarece a importação de máquinas e equipamentos. Mesmo assim, de acordo com estimativas do Ipea, o bom desempenho dos indicadores da construção civil e do consumo aparente de máquinas e equipamentos no mês de abril indica que os investimentos tiveram um bom início de segundo trimestre, com alta de 2,8% em abril, na comparação com ajuste sazonal.

Fonte: Ipea. Para ler a íntegra do estudo, acesse aqui.


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Brasil sediará em 2016 a primeira edição latina da Pollutec

A data e o local estão marcados. De 12 a 14 de abril de 2016, no novo espaço de eventos, o São Paulo Expo, antigo Centro de Exposições Imigrantes, em São Paulo-SP, será realizada a primeira edição na América Latina da feira bianual de origem francesa Pollutec. Já promovida também no Marrocos e Argélia, a Feira Internacional de Tecnologias e Soluções Ambientais é dedicada a apresentar as mais recentes inovações para o setor ambiental no mundo.

São esperados 100 expositores e mais de quatro mil visitantes. Palestras farão parte do evento com os temas: Cidade sustentável, Indústria sustentável e competitiva, Desafios do setor de saneamento no Brasil e na América Latina, Economia circular e verde e Melhores práticas internacionais. Visitas técnicas em empreendimentos sustentáveis completarão a programação.

No Brasil, a organização e a promoção são da Reed Exhibitions Alcantara Machado, que conta com apoio da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária – Abes para realizar esse evento. O anúncio da nova feira foi feito nessa quarta-feira em encontro para convidados na cidade de São Paulo. Para mais informações, acesse http://www.pollutec-brasil.com/.


Enfrentando desafios

Apesar de as perspectivas para o crescimento da indústria em 2015 não serem otimistas, podemos admitir que há muito tempo não temos um câmbio tão favorável, a economia norte-americana em expansão e o valor das commodities (metais) em queda.

As empresas que no passado se prepararam para competir no exigente mercado globalizado, que investiram em tecnologia e capacitação profissional, estarão mais preparadas para enfrentar qualquer crise, no momento em que as exportações podem compensar uma eventual queda no consumo interno.

Oportunidades de crescimento surgem todos os anos, mas para aproveitá-las é preciso ser rápido e correr contra o tempo, aproveitar a indecisão da concorrência e investir, trabalhar para colher bons frutos no futuro. Todos sabemos que essa tarefa não é fácil; entre outras, essa atitude pede confiança, ousadia, competência, planejamento e, acima de tudo, a colaboração de parceiros antigos e fiéis como a NEI, que agora em março comemora 41 anos de estreita colaboração com a indústria nacional.

Para ajudá-lo nessa empreitada, em março trazemos cerca de 200 produtos criteriosamente selecionados para que você conheça os lançamentos mais relevantes para o mercado industrial brasileiro e internacional, com atenção especial a produtos do setor de eletroeletrônica. São produtos inovadores que vão contribuir para a busca pela excelência na qualidade, pelo aumento da produtividade e pela otimização do consumo de energia e outros recursos vitais. Muitas dessas novidades você só vai encontrar nas grandes feiras industriais que começam agora, a partir de março com a FIEE.

 


Indústria brasileira busca novos acordos comerciais com os EUA

Representantes da indústria estão em Washington DC, nos Estados Unidos, com o objetivo, entre outros, de discutir acordo de livre comércio entre os dois países. A viagem, organizada pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, inclui visita a órgãos do Poder Executivo e ao Congresso. Participarão ainda da reunião anual do Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos, formado por representantes do setor privado dos dois países.

Diego Bonomo, gerente executivo de Comércio Exterior da CNI, disse que a agenda comercial não pode parar em função das denúncias de espionagem. “Há dez anos o Brasil e os Estados Unidos não têm discussão formal sobre liberalização do comércio”, destacou. Para ele, o momento é oportuno para a retomada da discussão, já que os Estados Unidos dão sinais de recuperação da crise econômica. “Eles vão sair com economia aquecida da crise e estão com agenda de acordos agressiva. O acordo deles com os europeus pode excluir os brasileiros desses dois mercados. Temos de nos posicionar para não perdê-los.”

Na visita também serão debatidas barreiras ao etanol brasileiro e aprovação da nova lei agrícola dos Estados Unidos. A legislação atual, que expira em 30 de setembro, incorpora os subsídios ao algodão concedidos pelo país norte-americano, considerados abusivos pela Organização Mundial do Comércio. Atualmente, os Estados Unidos fazem pagamentos anuais de US$ 147 milhões ao Instituto Brasileiro do Algodão como forma de compensação. “O ambiente político não é favorável [a uma nova lei que exclua os subsídios], mas vamos marcar nossa posição ou exigir que a compensação continue”, declarou.

Fonte: com informações da Agência Brasil.


O lado bom das crises

Os números recentes mostram a ainda modesta, mas bastante promissora recuperação da indústria. Os números vêm das entidades que congregam e representam o setor industrial, de organismos que monitoram a economia e do próprio governo federal.

As esperanças que temos nascem menos desses números de nossa economia no terceiro trimestre e muito mais do conjunto de providências adotadas pelo governo. As desonerações tributárias das folhas de pessoal, a redução recorde das taxas de juros e a mais recente de todas, a redução importante na conta da energia. No caso da indústria, uma redução que pode alcançar um terço da conta atual de energia. A esse pacote de estímulos é preciso adicionar as restrições criadas para posicionar as importações em patamares mais aceitáveis.

Esse elenco de providências deve cumprir seu papel estimulante, especialmente porque o discurso da equipe econômica permite alimentar a hipótese de que estamos criando uma nova e permanente política econômica, encerrando de vez as intervenções episódicas, remédios temporários para surtos de depressão econômica.

É interessante notar como o impacto das crises internacionais, além de mostrar as óbvias interdependências da economia globalizada, impõe maior racionalidade à nossa economia. Quase uma reforma, se pensamos no tempo que convivemos com taxas de juros “selvagens”, folhas de pessoal engessadas, custos de energia incompatíveis com a matriz energética fundada na mais barata das formas de geração.

A crise de 2008 serviu para evidenciar a força do mercado interno, a proteção que transformou a crise em marola administrável. Agora, o segundo turno da crise afeta gravemente a zona do euro e, somado à ainda fraca recuperação do mercado norte-americano, obriga nossas equipes econômicas a implantar medidas que o País exige há muito tempo, ou seja, um ataque frontal ao “custo Brasil”, do qual os impostos pendurados nas tarifas de energia elétrica são um exemplo eloquente, mas não único.

A pergunta que fica, portanto, é por que precisamos de crises internacionais para fazer o que sempre soubemos que devíamos fazer?


O que fazer para ser uma neoempresa?

O crescimento do PIB abaixo das expectativas e a chamada desindustrialização do Brasil não são apenas reflexos da crise internacional nem podem ser revertidos somente com medidas governamentais. Os empresários precisam fazer seu dever de casa e entender que o maior concorrente está dentro da empresa: falta de rumo claro, escassez de líderes, estrutura inadequada, visão fragmentada, baixa inovação, falta de integração entre departamentos, baixo foco nos clientes, incapacidade de colaborar com parceiros, gestão de pessoas ultrapassada e governança engessada. Eles precisam entender que governo não é UTI para empreendimentos mal concebidos e mal gerenciados. Precisam, enfim, empreender e “empresariar”, não apenas se lamuriar e ficar pedindo subsídios.

O ranking das Melhores e Maiores Empresas do Brasil nos últimos 40 anos mostra que vários vencedores do passado naufragaram sob o peso das mesmas estratégias que os fizeram ter sucesso. Outros foram salvos em operações promovidas pelo governo ou por fusões e aquisições. Beneficiadas por décadas de protecionismo, muitas empresas nacionais não conseguiram se manter de pé quando o mercado se abriu. Foram impactadas também por inúmeras mudanças nas regras do jogo econômico, revolução tecnológica e absurdos custos fiscais, trabalhistas, financeiros e logísticos de operar no Brasil.  

A crença de que clientes compram produtos e serviços é uma das ideias que precisam ser sepultadas. Eles compram a realização de sonhos e o benefício do uso do produto ou serviço. As competências diferenciadoras são a imagem do produto, a cultura da empresa, a paixão das pessoas e dos clientes, o respeito da sociedade e a reputação junto a fornecedores críticos. Essas são mais difíceis de imitar do que o produto, por isso têm valor estratégico para a empresa.

Nesse ambiente, as neoempresas criam vantagens competitivas temporárias. Daí a necessidade de reinventá-las, não apenas em épocas de crise, mas de forma contínua. 

Onze diferenciais das neoempresas: 

1.Valoriza o intangível – estimula cultura própria e clima de confiança e inovação.  

2. Funciona como “hub” – a competição não se dará somente entre empresas nem apenas entre produtos, mas agregando partes interessadas, como investidores, fornecedores, parceiros, formadores de opinião.

3. Pratica a “clientividade” – em vez de apenas buscar o seu próprio crescimento, luta pelo progresso dos clientes. 

4. Estrutura-se de forma horizontal, flexível, com foco em resultados e negócios – novo modelo de governança mais sadio, que agiliza o processo decisório e atrai os talentos inquietos das novas gerações.     

5. Cultiva a paixão – não se limita a ações pontuais motivadoras e não manipula as emoções das pessoas. 

6. Integra de forma sistêmica – os modelos de negócios, de gestão e organizacional deixam de ser uma “colcha de retalhos”. 

7. Atrai e desenvolve líderes inspiradores que investem na formação de outros líderes. 

8. Customiza a gestão das pessoas – respeita individualidades e oferece inspiração para a vida de cada um. 

9. Reinventa-se continuamente – incentivando o clima de inovação e incorporando clientes e parceiros na busca de soluções. 

10. Incorpora a sustentabilidade ao modelo de negócio – identifica o fator crítico a ser priorizado para cada um de seus públicos. 

11. Constrói um “Mapa de geração de valor” – resultante do significado percebido pelas entidades que fazem parte do seu modelo de negócios.

O artigo de César Souza, presidente da consultoria Empreenda, foi editado pela Central de Geração de Conteúdo de NEI Soluções. Souza também é autor de diversos livros, como o recém-lançado A NeoEmpresa – o futuro da sua carreira e dos negócios no mundo em reconfiguração, Você é o líder da sua vida?, Você é do tamanho dos seus sonhos e Superdicas para conquistar clientes e para um atendimento 5 estrelas.


Redução da Selic contribui para enfrentar efeitos da crise, diz CNI

15, setembro, 2011 1 comentário

A Confederação Nacional da Indústria – CNI, viu na redução da taxa Selic um importante passo dado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para enfrentar as dificuldades que a economia brasileira começa a sentir com a nova fase da crise mundial. Segundo a entidade, o Banco Central priorizou a sustentação da atividade econômica num momento de menor ímpeto da inflação.

Na visão da CNI, a redução de 0,50 ponto percentual Indica que o Banco Central iniciou um novo ciclo de flexibilização monetária, cuja magnitude irá depender dos desdobramentos da crise e de suas implicações na economia do país.


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Assinala a entidade que a mudança na política monetária ocorre simultaneamente à disposição de uso mais intenso da política fiscal. A recente elevação da meta de superávit primário indica, na ótica da CNI, que o excesso temporário de arrecadação sobre o previsto não será aplicado na elevação dos gastos públicos. Considera essa disposição uma mudança importante na política fiscal, que, na eclosão da crise, foi expansionista.

De acordo com a CNI, a nova postura no equilíbrio da utilização das políticas monetária e fiscal é uma necessidade, pois torna possíveis reduzir os juros e manter a estabilidade econômica. Esse novo mix de política é absolutamente necessário, mas exige maior esforço no controle dos gastos, alerta a entidade. Enfatiza que como já há aumento de despesas assumidas para 2012, é fundamental conter a expansão dos demais dispêndios, sob pena do aumento dos gastos acima do crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) dificultar a redução mais rápida dos juros.


Obstáculos aos investimentos

A performance positiva da economia brasileira no enfrentamento da crise mundial, seu ritmo este ano e as boas perspectivas para 2011 não significam a consolidação do crescimento sustentado. Por isto mesmo, devemos analisar com realismo e prudência a evolução de 9% do PIB no primeiro trimestre, em relação a igual período de 2009, que acaba de ser anunciada pelo IBGE. Os indicadores médios não são nada excepcionais. Assim, não se justificam as sinalizações que vêm sendo feitas pelo governo no sentido de tirar o pé do acelerador para evitar o superaquecimento e as consequentes pressões inflacionárias. O que precisamos, sim, é solucionar alguns gargalos para que o País possa assimilar índices cada vez mais substantivos de expansão.

Nesse sentido, é necessário enfatizar o alerta de que o crescimento econômico nacional continua muito atrelado ao consumo, carecendo da base mais consistente dos investimentos e da poupança. Em 2009, a Formação Bruta de Capital Fixo, índice aferidor dos investimentos produtivos, somou R$ 525,8 bilhões, significando queda de 9,9% na comparação com 2008. Este ano, segundo estimativas, deverá elevar-se em 18%.

A despeito desse aumento do importante indicador, o volume de recursos segue aquém do patamar de sustentabilidade do crescimento econômico a taxas médias anuais superiores a 5%. Então, o Departamento de Competitividade e Tecnologia da Fiesp decidiu consultar as empresas sobre a questão, realizando a Pesquisa de Obstáculos ao Investimento. Foram ouvidas 318 indústrias. As respostas são taxativas e inequívocas no diagnóstico de graves empecilhos.

A elevada carga tributária é a principal barreira para as empresas, independentemente de seu porte, por incidir de modo direto sobre os próprios investimentos, como apontam 76% dos entrevistados, e principalmente por retirar recursos que poderiam ser aplicados em empreendimentos produtivos, conforme 87% das respostas. A percepção das indústrias referenda o quanto é nocivo o fato de o Brasil ser um dos poucos países que tributam investimento.

Outro fator limitante apontado pelo estudo é o juro elevado, que aumenta os riscos econômicos do investimento, afetando-o por três vias: ao agravar as despesas financeiras, minando os recursos a serem investidos; ao inibir a demanda dos produtos industriais; e ao estimular a especulação financeira. Se os juros no Brasil fossem semelhantes aos dos seus concorrentes internacionais, a indústria pouparia R$ 58,2 bilhões, viabilizando-se ampliação de 38,3% do volume de investimentos do setor. Nossas taxas reais, ou seja, descontada a inflação, mesmo quando atreladas à TJLP, chegam a 6% ao ano, contra 2,5% na média das nações com as quais competimos.

Impostos e juros escorchantes são os ingredientes do terceiro grande obstáculo, em especial para as pequenas e médias empresas: a escassez de recursos próprios, carência ainda não sanada integralmente pelas linhas de crédito do BNDES, devido à dificuldade de acesso provocada pela burocracia intransponível, exigências e garantias exageradas. Além disso, diante da impossibilidade de utilização dos fundos públicos garantidores (o BNDES-FGI ainda está em processo de habilitação), os bancos repassam recursos em valores inferiores aos demandados, a fim de diminuir riscos.

É preciso, também, ampliar os sistemas de informação sobre linhas de apoio ao investimento e os fundos de investimentos, os quais são apontados, principalmente pelas pequenas empresas, como obstáculos significativos à aplicação de recursos em empreendimentos produtivos. Finalmente, a pesquisa indicou o empecilho do câmbio valorizado, principalmente para as empresas exportadoras, pois reduz a competitividade dos produtos nacionais. Afinal, associado à baixa qualidade da infraestrutura, encarece muito os nossos produtos no mercado externo.

Exemplo real e conclusivo de como todos esses problemas afetam a manufatura encontra-se na indústria de transformação do plástico. Constituído por aproximadamente 11.500 empresas, na quais trabalham cerca de 330 mil brasileiros, o setor apresenta déficit em sua balança comercial já próximo de um bilhão de dólares. Somente em 2009, o País importou US$ 2,1 bilhões em produtos plásticos transformados.

Portanto, o elevado custo para produzir e a dificuldade de investir para ganhar mais competitividade, conforme indicou a pesquisa da Fiesp, precisam ser solucionados. Caso contrário, o crescimento econômico nacional continuará assentado sobre bases muito frágeis, o que, convenhamos, é um imenso risco na volátil e caprichosa economia contemporânea.    

Por José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Plástico (Abiplast) e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia da FIESP.


Momento de reavaliação

Além de fomentar novos negócios e mostrar os produtos que estão chegando ao mercado, os megaeventos industriais espelham o comportamento da indústria diante das oscilações da economia. Uma feira como a Mecânica 2010, realizada já no pós-crise de 2008, é um bom momento para observar como as indústrias reagiram e como usaram as pressões decorrentes da crise para dela emergir em melhores condições, oferecendo melhor qualidade e menores preços. Visitar os expositores da Mecânica 2010 foi uma oportunidade especial para conhecer essas reações.

As máquinas ganharam novo design, por exemplo, mais compacto e, sobretudo, com linhas retas. Vários fabricantes abandonaram perfis curvilíneos, esteticamente defensáveis mas dificilmente mais econômicos do que as soluções retilíneas.

Entrevista realizada com vários expositores revelou, ainda, que o tempo da crise foi usado na busca por fornecedores capazes de oferecer melhores preços, começando pelos fornecedores de componentes não críticos, mas tendendo para uma revisão mais abrangente no cadastro de fornecedores. Essa busca é permanente no ambiente industrial, mas a velocidade com que se realiza é proporcional à gravidade da crise.

Foi possível também observar a padronização de componentes em toda a linha, limitando, portanto, as diferenças entre os modelos. Em muitos desses casos, essa tendência levou a parcerias mais amplas e consistentes com os fornecedores. Essas medidas ajudaram a diminuir o custo de fabricação e, consequentemente, o preço final dos produtos, tornando-os mais competitivos, principalmente quando a indústria precisa enfrentar os importados chineses.

Produtos ecologicamente corretos, que consomem menos energia e poluem menos, tiveram destaque na feira, reforçando a importância da sustentabilidade nos novos projetos. O Pré-Sal e as oportunidades geradas pelas novas descobertas também mostraram que algumas indústrias estão adaptando seus produtos para atender as rigorosas exigências da cadeia petrolífera.

O aprendizado durante a crise ajudou um significativo número de indústrias a relançar seus produtos com novos recursos para atender um novo mercado, mais exigente e competitivo. A Mecânica 2010 mostrou inúmeros exemplos de como a crise desencadeada em 2008 estimulou a criatividade da indústria, demonstrando, mais uma vez, que os dias de crise são vésperas de soluções. Com alguma liberdade, podemos dizer que 2008 serviu para a indústria preparar-se para as oportunidades que os novos projetos em curso e planejados já estão oferecendo.