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Textos com Etiquetas ‘Desindustrialização’

Empresários e trabalhadores se unem para fortalecer a indústria de transformação

Na abertura do lançamento da Coalizão Indústria – Trabalho para a Competitividade e o Desenvolvimento, realizado nesta semana, no Anhembi, em São Paulo-SP, Carlos Pastoriza, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – Abimaq, discorreu: “Este não é um movimento de oposição a quem quer que seja e não é partidário. É um grande grito de alerta à sociedade e ao governo, um grito de alerta para essa destruição da pátria”.

Reunindo cerca de duas mil pessoas, incluindo 42 entidades patronais da indústria da transformação de segmentos diversos e quatro centrais sindicais de trabalhadores, o movimento apresentou o manifesto “Em Defesa da Indústria e do Emprego”. O objetivo foi discutir propostas que viabilizem a retomada da competitividade da indústria nacional.

Ubiraci Dantas de Oliveira, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil – CGTB, destacou que “a desnacionalização e a desindustrialização aumentam a cada dia e que a política atual está matando a indústria e os empregos”. O empresário Jorge Gerdau, representante do Instituto Aço Brasil, acrescentou: “Somando juros, impostos e esse câmbio, o resultado é a morte da indústria de transformação”.

Cientes das dificuldades do governo de continuar a política de desoneração nesse momento, sem prejuízo das necessárias reformas institucionais, os membros da organização da coalizão acreditam que, mesmo sem renúncias fiscais sensíveis, seja possível reverter expectativas com uma agenda baseada em ações de curto e médio prazo que objetivem: câmbio competitivo, juros em padrões internacionais e sistema tributário/sem cumulatividade de impostos.


O que fazer para ser uma neoempresa?

6, agosto, 2012 Deixar um comentário

O crescimento do PIB abaixo das expectativas e a chamada desindustrialização do Brasil não são apenas reflexos da crise internacional nem podem ser revertidos somente com medidas governamentais. Os empresários precisam fazer seu dever de casa e entender que o maior concorrente está dentro da empresa: falta de rumo claro, escassez de líderes, estrutura inadequada, visão fragmentada, baixa inovação, falta de integração entre departamentos, baixo foco nos clientes, incapacidade de colaborar com parceiros, gestão de pessoas ultrapassada e governança engessada. Eles precisam entender que governo não é UTI para empreendimentos mal concebidos e mal gerenciados. Precisam, enfim, empreender e “empresariar”, não apenas se lamuriar e ficar pedindo subsídios.

O ranking das Melhores e Maiores Empresas do Brasil nos últimos 40 anos mostra que vários vencedores do passado naufragaram sob o peso das mesmas estratégias que os fizeram ter sucesso. Outros foram salvos em operações promovidas pelo governo ou por fusões e aquisições. Beneficiadas por décadas de protecionismo, muitas empresas nacionais não conseguiram se manter de pé quando o mercado se abriu. Foram impactadas também por inúmeras mudanças nas regras do jogo econômico, revolução tecnológica e absurdos custos fiscais, trabalhistas, financeiros e logísticos de operar no Brasil.  

A crença de que clientes compram produtos e serviços é uma das ideias que precisam ser sepultadas. Eles compram a realização de sonhos e o benefício do uso do produto ou serviço. As competências diferenciadoras são a imagem do produto, a cultura da empresa, a paixão das pessoas e dos clientes, o respeito da sociedade e a reputação junto a fornecedores críticos. Essas são mais difíceis de imitar do que o produto, por isso têm valor estratégico para a empresa.

Nesse ambiente, as neoempresas criam vantagens competitivas temporárias. Daí a necessidade de reinventá-las, não apenas em épocas de crise, mas de forma contínua. 

Onze diferenciais das neoempresas: 

1.Valoriza o intangível – estimula cultura própria e clima de confiança e inovação.  

2. Funciona como “hub” – a competição não se dará somente entre empresas nem apenas entre produtos, mas agregando partes interessadas, como investidores, fornecedores, parceiros, formadores de opinião.

3. Pratica a “clientividade” – em vez de apenas buscar o seu próprio crescimento, luta pelo progresso dos clientes. 

4. Estrutura-se de forma horizontal, flexível, com foco em resultados e negócios – novo modelo de governança mais sadio, que agiliza o processo decisório e atrai os talentos inquietos das novas gerações.     

5. Cultiva a paixão – não se limita a ações pontuais motivadoras e não manipula as emoções das pessoas. 

6. Integra de forma sistêmica – os modelos de negócios, de gestão e organizacional deixam de ser uma “colcha de retalhos”. 

7. Atrai e desenvolve líderes inspiradores que investem na formação de outros líderes. 

8. Customiza a gestão das pessoas – respeita individualidades e oferece inspiração para a vida de cada um. 

9. Reinventa-se continuamente – incentivando o clima de inovação e incorporando clientes e parceiros na busca de soluções. 

10. Incorpora a sustentabilidade ao modelo de negócio – identifica o fator crítico a ser priorizado para cada um de seus públicos. 

11. Constrói um “Mapa de geração de valor” – resultante do significado percebido pelas entidades que fazem parte do seu modelo de negócios.

O artigo de César Souza, presidente da consultoria Empreenda, foi editado pela Central de Geração de Conteúdo de NEI Soluções. Souza também é autor de diversos livros, como o recém-lançado A NeoEmpresa – o futuro da sua carreira e dos negócios no mundo em reconfiguração, Você é o líder da sua vida?, Você é do tamanho dos seus sonhos e Superdicas para conquistar clientes e para um atendimento 5 estrelas.


A fórmula insuficiente

Os juros foram reduzidos nas duas pontas da economia – produção e consumo. É o que a teoria econômica tradicionalmente recomenda para ativar produção e animar o consumo.

As teorias e as práticas, contudo, frequentemente se desmentem e contraditam-se e, no momento que vivemos, parecem dizer que o cenário econômico do País alcançou tal porte e peso que exigem receitas mais sofisticadas do que a fácil alquimia que mistura renúncias fiscais a crédito mais fácil nas duas pontas do mercado.

O governo ainda confia na fórmula, apesar de alertado para o elevado endividamento do mercado consumidor, que reduz o impacto dos benefícios fiscais, e de conhecer o ceticismo da indústria em relação a medidas  pontuais, de duração efêmera e eficácia duvidosa.

A indústria e o País insistem na adoção de políticas mais abrangentes, que realmente mereçam o nome de política porque são capazes de enfrentar os diversos gargalos que compõem o custo Brasil – a elevada carga tributária, por exemplo, tão elevada quanto irracional, a ponto de representar 38% do custo de remédios, enquanto nos Estados Unidos esse custo está ao redor de 5%. A vizinha Argentina, apesar de não ser modelo para políticas fiscais, mantém esses impostos em 18%. Apenas um exemplo para dramatizar o peso desse custo Brasil, que inclui a precariedade da infraestrutura, a Justiça burocrática e bacharelesca, a ineficiência dos serviços públicos, que não esgota a lista de problemas, mas basta para dimensionar sua extrema  gravidade e a urgência das soluções.

A indústria reconhece, nas medidas já adotadas pelo governo federal, a vontade política e a persistência necessárias para liderar as transformações de que a economia precisa e das quais a indústria, mais do que outros segmentos, necessita para reconquistar posições que já desfrutou no mercado internacional. A opção que ninguém deseja é a desindustrialização, que terminará entregando aos importadores a maior  fatia do mercado interno.


Para a indústria, mais sedativos

Apenas oito meses depois de a presidenta Dilma Rousseff lançar sua política industrial e de comércio exterior, os números conhecidos da economia em 2012 ligaram todas as sirenes de alarme e deram ao processo e ao tema da desindustrialização a dramaticidade que a indústria precisava para comover o governo federal.

Mas não tanto quanto a indústria esperava, como se pode deduzir do sintético e contundente comentário do presidente da Fiesp depois de ouvir o elenco de medidas anunciado pelo governo: “É mais do mesmo”. O que significa mais medidas de curto prazo e pontuais, paliativos, afinal.

A indústria sabe do que está falando, já que conhece os dois lados do balcão, porque aquela que protesta contra a desindustrialização é a mesma que tem preferido, em escala crescente, importar as máquinas de que precisa. Porque essa decisão, que se pode dizer suicida, é simplesmente a decisão mais lógica no mundo dos negócios.

Para escapar dessa ambivalência, e em nome de sua própria sobrevivência no mercado interno e externo, a indústria quer ir mais fundo e pede ao governo coragem para modernizar algumas estruturas políticas e administrativas responsáveis pelo famigerado “custo Brasil”.

Por que o governo se repete e insiste nessa série de providências que esgotam sua eficácia em algumas semanas?

Respostas possíveis? Paliativos são o que o governo pode oferecer porque as reformas estruturais, como a tributária, para usar o exemplo mais delicado, dependem de um novo pacto político, fundado no legítimo interesse do País e nas virtudes republicanas, que harmonize o Congresso e o Executivo. O que não tem sido possível e não é de agora.


Indústria mobiliza suas bases contra a desindustrialização

O “Grito de Alerta”, realizado ontem no estacionamento da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, reuniu milhares de pessoas, entre trabalhadores, empresários e representantes sindicais, para protestar contra a perda de espaço da indústria na economia brasileira. A concentração começou por volta de 8h30 em frente à sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp, na Avenida Paulista.

“A falta de competitividade no País não é um problema da indústria da porta para dentro, mas estrutural”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

O primeiro manifesto foi realizado no Rio Grande do Sul, no dia 26 de março; e o segundo, em Santa Catarina, em 28 de março. O próximo está programado para 12 de abril, em Minas Gerais.


Duas causas da desindustrialização

21, março, 2012 Deixar um comentário

Em oito anos, a energia elétrica subiu 246% no Brasil, enquanto a alta nos Estados Unidos foi de 35,3%. O levantamento realizado pela MB Associados também mostra que em Camaçari, na Bahia, o gás natural custa US$ 15 por milhão de British Thermal Unit – BTU (medida-padrão do setor), ante US$ 2,50 em Louisiana, nos Estados Unidos. Para o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, o início da exploração das imensas jazidas de gás de xisto deve assegurar o baixo custo de gás natural nos EUA. “Com insumos e mão de obra mais baratos, os Estados Unidos estão se tornando novamente atrativos para a produção industrial”, diz.

Entre 2003 e 2009, o custo da mão de obra na indústria brasileira aumentou 150% em relação ao custo dos parceiros comerciais do País, segundo trabalho recente do economista Regis Bonelli, do Instituto Brasileiro de Economia – Ibre, da Fundação Getulio Vargas – FGV no Rio de Janeiro. “A produtividade do trabalho teria de ter crescido a uma taxa cavalar para compensar o aumento do custo unitário do trabalho”, explica.

O custo unitário do trabalho, de forma simplificada, é o custo do trabalhador brasileiro comparado ao de outros países. Esse dado é um dos principais componentes para medir a competitividade internacional, principalmente em setores que empregam muita mão de obra, como o industrial.

No geral, o custo unitário do trabalho brasileiro subiu 120% entre 2003 e 2009. No setor agropecuário, a alta foi de 82%, e no setor de serviços, de 114%.

Mesmo considerando o ano de 2000 como ponto inicial, ano em que o câmbio estava bem mais valorizado do que em 2003, o encarecimento da mão de obra até 2009 ainda é alto: 72% para a economia como um todo, 57% para a agropecuária, 61% para os serviços, e 93% para a indústria.

Em números gerais, a produtividade (média produzida por trabalhador) cresceu em média 0,6% entre 2000 e 2009. Mas se considerar somente a indústria, esse desempenho aponta queda média de 0,8% ao ano de 2000 a 2009. A indústria não só sofre com a concorrência internacional, como vê seus preços serem comprimidos pelo crescimento da produção chinesa e pela redução da demanda dos países avançados, ocasionada pela crise.

O setor de serviços teve aumento anual de 0,5%, próximo da economia como um todo. Como esse segmento não sofre tanto com a concorrência internacional, o aumento dos custos acaba sendo repassados aos preços praticados.

Já o segmento agropecuário apresentou resultado positivo, com aumento de produtividade ao ritmo médio anual de 4,3%. Além dos ganhos de produtividade, o setor foi beneficiado pela incomum alta da cotação das commodities na esteira da demanda asiática.

Essas divergências explicam boa parte da diferença na evolução do custo unitário do trabalho dos diversos setores. Quanto pior a produtividade, mais caro é produzir para um mesmo nível de salário.

“A rentabilidade total das exportações caiu 19% entre 2003 e 2011, mas a da indústria de transformação caiu 35%, com destaque para material eletrônico e comunicações, com queda de mais de 60%”, resume o economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior – Funcex, Rodrigo Branco.

Fonte: Raquel Landim, O Estado de S. Paulo, seção Economia. Fernando Dantas, O Estado de S. Paulo, seção Economia.