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Coppe inaugura centro de pesquisa para separar CO2 do gás natural

A Coppe – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia já conta com o Centro de Excelência em Gás Natural – CEGN. Na unidade, localizada no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, com 2.200 m2, serão estudados diferentes processos destinados à separação do dióxido de carbono – CO2 do gás natural. Após sua separação, o CO2 é reinjetado nos poços de petróleo, agilizando a extração do óleo e do gás. A remoção traz vantagens econômicas e ambientais.

Os pesquisadores da Coppe e da Escola de Química da UFRJ testarão tecnologias que possibilitarão a separação do CO2 por intermédio de membranas ou por absorção e adsorção. O novo centro, que contará inicialmente com quatro unidades piloto – duas de permeação por membranas e duas com equipamentos de absorção e adsorção –, é ambiente para estudar os processos de separação do dióxido de carbono, avaliar os tipos de membranas e estudar as melhores rotas de tratamento do gás natural. Os resultados contribuirão para a exploração dos poços da camada do pré-sal, onde o teor de CO2 do gás natural é superior ao dos reservatórios localizados em áreas menos profundas.

A Petrobras investiu cerca de R$ 30 milhões no CEGN. O valor inclui as instalações do centro e os recursos destinados aos seis primeiros projetos que o Programa de Engenharia Química da Coppe e a Escola de Química da UFRJ desenvolverão para a companhia.

“O gás natural, comparativamente aos outros combustíveis fósseis, tem vantagem pela forma que é utilizado, ambientalmente menos agressiva”, comentou Luiz Pinguelli Rosa, diretor da Coppe. “Um dos desafios do Brasil será separar o CO2 do metano, no caso do pré-sal, e reinjetá-lo por razões de recuperação do petróleo, mas também evitar que vá até a atmosfera. Há o problema do efeito estufa e o Brasil tem compromissos assumidos em relação a essa questão.” Pela legislação brasileira, o gás natural consumido no País pode ter no máximo 3% de dióxido de carbono em sua composição.


Não sabíamos que sabíamos

10, maio, 2011 Deixar um comentário

Non ducor duco (Não sou conduzido, conduzo).

Antes da publicação do “1º Inventário de Emissões Antrópicas de Gases de Efeito Estufa (GEE) Diretos e Indiretos do Estado de São Paulo – Período 1990 a 2008”, em 20 de abril de 2011, na sede da CETESB/SMA, não sabíamos que sabíamos (apenas suspeitávamos) que o Estado de São Paulo era uma exemplar economia de baixo carbono.

Destaco do documento o seguinte texto: “(…) as emissões de GEE e o PIB do Estado de São Paulo e do Brasil, conclui-se que a economia do Estado de São Paulo, responsável por 33% do PIB nacional, emite 6,5% das emissões totais do País. Em outras palavras, para cada mil reais produzidos no País, são emitidos 0,72 tCO2eq, enquanto no Estado de São Paulo, a mesma produção corresponde a 0,14 tCO2eq, o que equivale a 20% do indicador nacional”.

Entre 2005, ano-base para definição das metas de redução, e 2008, o aumento de emissões foi de 7%. Responsável por cerca de 57% das emissões de GEE no ano de 2005, o setor energético tem sua maior emissão nos transportes (55,3%), devido principalmente ao emprego de combustíveis fósseis, seguido pela emissão das indústrias (30,1%).

Em 2005, o Estado de São Paulo emitiu 139.811 GgCO2eq  contra 2.192.602 GgCO2eq do todo o Brasil para o mesmo ano, ou seja, apenas 6,4% do total de emissões do País. O grande desafio que se apresenta agora é como o Estado de São Paulo materializará a meta de redução global de 20% das emissões de dióxido de carbono (CO2), relativas a 2005, em 2020.

Apesar do comprometimento da indústria brasileira com a manutenção de sua competitividade em um ambiente de baixo carbono, aparentemente estamos acomodados com esse cenário altamente promissor – deitado(s) eternamente em berço esplêndido – Ooops! Precisamos ter maior gestão da defesa do interesse do setor produtivo e mais articulação política para:

1. Participar ativamente na elaboração da projeção das emissões para 2020, assim como no detalhamento das metas de eficiência setoriais, tendo por base as emissões de gases de efeito estufa inventariadas para cada setor e parâmetros de eficiência que identifiquem, dentro de cada setor, padrões positivos de referência das ações para alcançar o objetivo expresso a ser disposto em futuros decretos;

2. Identificar os benefícios SMART (specific, measurable, achievable, relevant and time-bound – específico, mensurável, atingível, relevante e oportuno) para o setor produtivo no detalhamento das metas de eficiência setoriais e nas definições dos padrões positivos de referência;

3. INCENTIVOS JÁ, com desoneração fiscal e tributária para uma economia mais limpa, com políticas energéticas e climáticas que criem vantagens competitivas numa economia de baixo carbono. Estados que não concedem incentivos fiscais estão empobrecendo e enfrentam sérias dificuldades pela falta de atração de investimentos, o que impede a circulação de riquezas e atrofia o consumo (para cada R$ 1,00 de incentivo concedido, o retorno é de até R$ 7,00, diretamente na economia);

Regimes Tributários Especiais;

Desoneração tributária para toda a cadeia produtiva de tecnologias de baixo carbono, incluindo prestadores de serviços ligados à execução das instalações: redução ou isenção de tributos como PIS/COFINS, Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o Imposto sobre Serviços (ISS) e o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS);

Criar uma plataforma de produção de tecnologias limpas de baixo carbono, combinando economia e meio ambiente, com marcos regulatórios seguros e estáveis, sem risco de descontinuidade por motivos macroeconômicos, independente de espaço fiscal ou da necessidade do resultado fiscal ou meta mais elevada de superávit primário das contas do setor público no curto prazo.

4. NÃO AO AUMENTO de custos e tributos. São necessárias regras claras de longo prazo que darão a confiança para que os investidores públicos e privados façam a sua parte com relação a energias limpas, mudanças climáticas e proteção do Brasil e do planeta.

5. RESPEITO ÀS TENDÊNCIAS MACROECONÔMICAS ENERGÉTICAS: Precisamos de mais produção, maior eficiência, mais incentivos. E isso significa abrir novas áreas submarinas para o desenvolvimento do petróleo e do gás do pós e pré-sal, com aumento compatível com a oferta de GN na substituição de combustíveis mais poluentes – diesel, gasolina, óleo combustível, etc.; investimento em biocombustíveis e tecnologias limpas de carvão; queima de resíduos sólidos com cogeração de energia elétrica, vapor e créditos de carbono, fontes alternativas, geração distribuída e microgeração.

6. Garantir que as reduções de emissões já realizadas de maneira voluntária pela indústria sejam consideradas no estabelecimento de novas metas;

7. Garantir que os mecanismos de incentivo financeiro para uma economia de baixo carbono estejam disponíveis antes da implementação do cumprimento das metas;

8. Inserir um cenário complementar da avaliação das emissões no consumo (offshored emissions) contando as importações, exportações e o transporte internacional, apurando o real valor das emissões brasileiras. De acordo com o Protocolo de Quioto, as emissões são designadas para os países que as produziram. Focar no consumo em vez da produção das emissões (medir as emissões no consumo em vez da produção) é a única solução inteligente e ética.

“Eu produzo, você compra, nós poluímos”.

Exportamos grande quantidade de bens para todo o mundo, enquanto guardamos os resíduos e a degradação ambiental para nós. Isso significou mais/maior perda da cobertura vegetal, contaminação, gastos em saúde, empregos no agronegócio e em novas indústrias e uma conta energética maior. O meio ambiente piorou porque muitas indústrias potencialmente contaminantes, como as do ferro, aço, cimento e da construção, mudam dos países industriais para o Brasil. A mudança das indústrias também é a mudança dos contaminadores mundiais. Os países ricos têm cada vez menos pressão ambiental e o Brasil tem cada vez mais. Os dados de emissões de CO2 acumuladas per capita demonstram que os países ricos têm maior responsabilidade nas mudanças climáticas. Eles causaram o problema e também devem assumir a maior parte do custo das soluções.

9. Criar mecanismos de proteção contra a importação de produtos com pegadas de carbono maiores do que as dos fabricados pela indústria brasileira. Levar em conta as importações (offshored emissions – algo como emissões estrangeiras) tornará o sistema de medida mais complexo em seu funcionamento, mas qualquer desafio de medição seria ultrapassado se houvesse vontade política. A justiça demanda que o poluidor definitivo pague por sua parte. É possível levar o consumo em conta, por exemplo, adotando taxas de fronteira na transferência de emissões de CO2.

10. ADOÇÃO DE PRÁTICAS E AÇÕES DE MITIGAÇÃO E ADAPTAÇÃO CLIMÁTICA CONVERGENTES COM O INTERESSE NACIONAL. O Brasil nunca será bom para a estabilidade climática e sustentabilidade socioambiental global se não for bom primeiro para o brasileiro que mora aqui!

Agora que conhecemos os inventários de emissões de carbono nacional e paulista, podemos avaliar as ações no novo e possível cenário de restrições das emissões. Saber com antecipação qual é a nossa posição e poder planejar com calma as ações de mitigação e/ou compensação pode ser a diferença entre continuar a crescer ou ter de botar o pé no freio da produção e nas exportações. A divisa no brasão da cidade de São Paulo “Non ducor duco” quer dizer “Não sou conduzido, conduzo.” e valoriza o esforço das ações desenvolvidas pelos paulistas na busca da liderança no Estado e no País, sendo uma fonte de inspiração para todos nós.

Crédito: Decio Michellis Jr. é licenciado em eletrotécnica pela UNESP, extensão em Direito da Energia Elétrica pela UCAM, com MBA em Gestão Estratégica Socioambiental em Infraestrutura pela FIA/USP.