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Textos com Etiquetas ‘Economia’

Dados da ABIQUIM apontam recorde no consumo aparente nacional

12, outubro, 2011 Deixar um comentário

Os principais índices de volume do segmento de produtos químicos de uso industrial tiveram resultados positivos em agosto de 2011: produção +2,47% e vendas internas +9,84%.

Tradicionalmente, agosto é um mês de volumes bons no setor, sobretudo em razão de formação de estoques para atendimento da demanda de final de ano, que normalmente cresce entre os meses de setembro e outubro. No entanto, na comparação com agosto do ano passado, os dados deste ano são negativos. Com relação ao índice de preços, após cinco elevações consecutivas, o segmento vem registrando deflação nos últimos dois meses, com resultado de -3,15% em agosto. Tal fato decorre da queda de preços no mercado internacional, parte atribuída à redução da demanda mundial, mas uma parte também pode ser justificada pelo novo cenário de ganhos de competitividade no mercado americano, com o advento do shale gas. O gás nos Estados Unidos, que custa atualmente um terço do preço praticado no Brasil, está motivando a retomada de plantas que haviam sido paralisadas no passado, bem como atraindo novos investimentos.


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Apesar da melhora recente, na média de janeiro a agosto de 2011, sobre igual período do ano passado, o índice de produção apresentou declínio de 4,34% e o de vendas internas teve queda de 3,59%. Nos primeiros oito meses deste ano, as empresas trabalharam com ociosidade elevada, uma vez que o índice de utilização da capacidade instalada foi de apenas 79%, quatro pontos abaixo de igual período do ano passado. Para um segmento que opera na maioria dos casos em processo contínuo, esse nível de produção é preocupante. Quanto ao índice de preços, houve elevação de 14,86% nos primeiros oito meses do ano, comparado com igual período do ano passado. Na análise dos últimos 12 meses, encerrados em agosto, sobre igual período imediatamente anterior, o índice de produção foi negativo em 2,21% e o de vendas internas teve recuo de 0,47%.

A boa notícia, no entanto, é que o País continua demandando produtos químicos e o reflexo disso está no consumo aparente nacional (CAN) dos produtos amostrados no RAC, que alcançou recorde histórico em agosto de 2011, crescendo expressivos 14,1% sobre o mês anterior. Vale registrar que as importações dessa mesma amostra de produtos, em volume, subiram 35,5% em agosto na comparação com julho. De janeiro a agosto de 2011, sobre igual período de 2010, o CAN cresceu 10,2%.

No entanto, como houve recuo da produção, todo o incremento na demanda interna foi atendido por acréscimos na parcela de importação, cujo volume subiu expressivos 36,7% na mesma comparação. A questão da apreciação do real frente ao dólar, combinada com a situação internacional mencionada e com o custo Brasil, está favorecendo as importações.

Há fortes indicações de que o segmento deverá registrar novo recorde no seu já elevado déficit, que pode superar US$ 25 bilhões neste ano. Essa situação irá pressionar muito a balança de pagamentos do Brasil. Para reverter esse quadro, o setor carece de medidas de longo prazo que venham a estimular a produção atual em bases competitivas com os seus principais concorrentes no mercado internacional, além de destravar investimentos.

Uma dessas medidas diz respeito à adoção de uma política para o uso do gás natural como matéria-prima, já prevista na lei do gás. Não se pode deixar de mencionar que a química tem a capacidade e o poder de agregar valor, transformando matérias-primas (ou commodities) em produtos de elevado conteúdo e que, nesse processo, há um forte efeito multiplicador sobre a economia. Não é coincidência que não existe nenhuma economia desenvolvida sem uma química de base também forte.

Fonte: ABIQUIM - RAC – Relatório de Acompanhamento Conjuntural

Os Grandes Desempenhos das empresas Top Five

A edição NEI Top Five completa 20 anos ininterruptos de circulação e, neste ano, além dos fornecedores preferidos pelo mercado industrial, traz também 26 histórias de empresas que conseguiram manter-se Top Five por 20 anos consecutivos na mesma categoria de produto.

Circulando desde 1992, inicialmente como uma seção especial dentro de Noticiário de Equipamentos Industriais – NEI, a edição NEI Top Five celebra 20 anos de publicação. Top Five 2011/2012, como todas as anteriores, traz os fornecedores preferidos pelos profissionais da indústria em cada uma das 442 categorias de produtos. Esta edição, contudo, comemorando seu vigésimo aniversário, vai além e traz também 29 fornecedores que conseguiram manter-se Top Five, na mesma categoria de produto, durante 20 anos consecutivos e conta como 26 deles conseguiram essa marca histórica.

Essas 26 empresas atenderam ao pedido da Central de Geração de Conteúdo de NEI Soluções e revelam os métodos e as estratégias que tornaram possível ser e manter-se Top Tive. Suas histórias acumulam décadas de experiência no dia a dia com o mercado industrial e revelam as opções e decisões empresariais que garantiram a evolução da empresa e a preferência dos profissionais da indústria em um período marcado por fortes turbulências da economia brasileira e da indústria.

Essas histórias empresariais estão reunidas sob o título genérico de “Grandes Desempenhos”. Clique aqui para ler os exemplos de sucesso. Vale a pena conhecer e replicar.

Maratona de Eficiência energética acontecerá em outubro

29, setembro, 2011 Deixar um comentário

Programada inicialmente para agosto e adiada devido a problemas com o asfalto do Kartódromo de Interlagos, a Maratona Universitária da Eficiência Energética está confirmada pela organização e será disputada no circuito paulistano entre os dias 12 e 14 de outubro. Em sua oitava edição, a prova reunirá um número recorde de participantes.

A competição envolverá 51 protótipos de economia de combustível, criados por professores e alunos de 25 instituições de ensino superior do país. Serão 19 carros elétricos, 14 modelos a etanol e 18 movidos à gasolina. A meta das equipes é superar os recordes de 39,6 km percorridos com uma bateria de moto de 12V 4Ah (elétricos), 140 km/l (etanol) e 367 km/l (gasolina).

Além de percorrer a maior distância com o menor consumo energético, os veículos da Maratona Universitária da Eficiência Energética 2011 passarão por avaliações de segurança e sustentabilidade. As inspeções e análises dos relatórios de cada projeto serão realizadas por engenheiros especializados. As melhores soluções contarão com uma premiação especial.

Oito estados serão representados em Interlagos. Além da grande presença das regiões Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e Sudeste (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), a oitava edição marcará a estreia do Nordeste, representado pelo carro da Universidade Estadual de Santa Cruz (Bahia) e pelos alunos da Universidade Estadual do Maranhão.

Megaeventos podem gerar oportunidades para o mercado de iluminação feita com LED

27, setembro, 2011 1 comentário

Segundo a International Energy Agency (IEA), 19% da energia utilizada no mundo é voltada para a iluminação, enquanto que na América Latina esta porcentagem aumenta para 24%. O que demonstra que somos menos eficientes.

O setor de iluminação está passando por um período de grandes transformações. O que tem chamado mais atenção é que os governos dos vários estados brasileiros vem demonstrando que a aplicação da iluminação com LEDs tem gerado uma economia de energia considerável nos cofres públicos, além do custo excessivo com manutenção.

Com a aproximação de dois grandes eventos, a Copa do Mundo e Olimpíadas, vislumbra-se uma projeção ainda maior de consumo. A iluminação dos ginásios e estádios, além de toda a infra-estrutura que os rodeiam, como hotéis, restaurantes, aeroportos e etc.

As lâmpadas com tecnologia LED possuem várias vantagens se comparadas às demais, se destacando em relação ao apelo ecológico, com menor impacto ambiental. Elas possuem melhor reprodução de cores, não emitem raios ultravioleta e infravermelhos, propagam menos calor e, consequentemente, atrai menor quantidade de insetos. Apresentam boa eficiência e maior vida útil, estimada em aproximadamente 50 mil horas de funcionamento. As lâmpadas de vapor de sódio, as mais utilizadas atualmente, duram até 32 mil horas, as de vapor de mercúrio, 12 mil horas, e as de vapor metálico, comuns em fachadas de prédios, 10 mil horas.


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Segundo Carlos Eduardo Uchôa Fagundes, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux), a qual a empresa O2Led é associada, a fabricação do LED hoje é bastante concentrada e passa por escala mundial, mas o custo-benefício do produto já pode viabilizar a produção no país, especialmente no  que se refere à iluminação pública, que necessita de lâmpadas de alta durabilidade.

Com toda esta gama de vantagens obtidas com a iluminação feita por LED, fica mais real a possibilidade de que as trocas sejam realizadas em um prazo menor do que o esperado. Ao optar por uma iluminação composta unicamente por LEDs, a empresa economizará cerca 50% em energia relativa à iluminação, não precisará trocar lâmpadas por 4 anos, no mínimo, e recuperará seu investimento inicial em menos de 2 anos. Em diversos edifícios comerciais e residenciais os LEDs já estão substituindo os produtos mais antigos.

“O setor está cada vez mais convencido que a geração de luz com tecnologia a LED é um caminho sem volta e em cinco anos responderá por 40% de tudo que se ilumina no Brasil”, sinaliza Roberto Cardoso, Diretor de Tecnologia da empresa.

Confiança da indústria cai frente a economia

Com redução de 5,5 pontos em relação a julho/10, o otimismo dos empresários industriais brasileiros atingiu 57,9 pontos em 2011, sendo esse o menor resultado na média histórica, que foi de 59,6 pontos. As informações são do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) na última terça-feira (19).

O estudo, realizado desde 1999, traz uma escala de 0 a 100, sendo que valores abaixo de 50 pontos indicam a falta de confiança do mercado.

Segundo a CNI, o baixo resultado é proveniente da percepção de piora nas condições de negócio em relação aos últimos meses. Nesse caso, o indicador reduziu dos 57,6 pontos em julho/10 para 45,4 pontos em julho/11. No mesmo período, a percepção quanto à empresa também recuou (-12,1 pontos), chegando a 49,7 pontos.

O economista da CNI, Marcelo Souza Azevedo, afirma: “Os dados confirmam que os empresários estão preocupados com os efeitos do aumento da inflação e das medidas de contenção do consumo sobre a economia e a produção das indústrias”.

Apesar dos baixos resultados, as expectativas futuras são melhores. Sobre o desempenho da economia e das empresas, o resultado ficou em 62,7 pontos.

O ICEI de julho foi calculado com base nas entrevistas realizadas com 2.103 empresas entre 1º e 15 deste mês. Entre as indústrias entrevistadas, 1.127 são pequenas, 684 são médias e 292, grandes.

Fonte: Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Estabilidade estimula investimentos na produção de aço no País

14, dezembro, 2010 Deixar um comentário

O mercado de aço brasileiro vive um bom momento. Até agosto, a produção de aço no País cresceu próximo de 40%, em relação ao mesmo período de 2009. Para os aços longos, a ascensão foi de 36,5%. O Brasil produz cerca de 30 milhões de toneladas de aço por ano.

Os números refletem a recuperação da economia, após o período de crise, fortemente apoiada nos investimentos do mercado interno. Outras condições para os resultados positivos para o parque industrial, e o conseqüente aumento consumo de aço, foram as exportações.

Com a estimativa do crescimento do PIB no Brasil em torno de 7%, em 2010, vários setores, diretamente ligados ao aço, também acompanham essa movimentação ascendente. A indústria de transformação deverá fechar o ano com um crescimento de 8% e  o segmento da construção civil deve contribuir com expansão na casa dos 10%. Um indicador importante desta evolução é a venda de veículos, com previsão de crescimento de 9% este ano.

Para 2011, a expectativa é de um ano promissor para o setor de aço. Uma expectativa que se baseia, por sua vez, nas expectativas otimistas setores industriais, assumindo como exemplo,  o automobilístico, além do desempenho  mercados como o agrícola, de petróleo, construção civil, e açúcar e álcool. Vale lembrar ainda que as obras do PAC, Copa do Mundo e Olimpíadas irão exigir da siderurgia esforço adicional para atender as novas demandas.

Acesse o NEI.com.br e conheça os últimos lançamentos do mercado de aços.

Por Antonio Abbud, gerente de vendas da Açotubo, empresa posicionada entre as maiores distribuidoras de tubos e barras de aço carbono da América Latina e eleita fornecedor TOP FIVE pelos leitores da revista NEI.

A Tríplice Fronteira da Sustentabilidade na Indústria

A Indústria na busca permanente de uma maneira de fazer negócios que crie valor para os acionistas em uma perspectiva de longo prazo, através do aproveitamento das oportunidades e do gerenciamento dos riscos derivados de desenvolvimentos nas dimensões econômica, ambiental e social depara-se com uma tríplice fronteira:

I) Produção e consumo sustentável;

II) Governança climática;

III) A economia dos ecossistemas e da biodiversidade.

Adotar práticas de promoção do desenvolvimento sustentável e uma política ambiental direcionada à competitividade e não inibidora do crescimento econômico é a chave para liderar o processo de desenvolvimento sustentável da indústria, fortalecendo sua competitividade e buscando a melhoria contínua das condições socioeconômicas do país. Inclui soluções que proporcionem economia e, ao mesmo tempo, receita para as empresas: utilização de processos produtivos mais sustentáveis na indústria e em sua cadeia produtiva baseados na otimização de resultados econômicos, ambientais, sociais e elevação da produtividade.

I – Produção e Consumo Sustentáveis: considerando preço e qualidade, os consumidores brasileiros preferem produtos que não agridem o meio ambiente. Para atender esta demanda crescente são necessárias ações articuladas, que podem promover uma (re) evolução nas relações de consumo:

I) Mudança para padrões mais sustentáveis de produção e consumo;

II) Aumento dos 4R´s: reduza, re-use, recicle e repare;

III) Promoção junto à cadeia de suprimentos e a seus colaboradores de informação para a adoção de práticas compatíveis com a produção e o consumo sustentáveis;

IV) Diminuição do impacto social e ambiental na geração e uso de energia;

V) Transição da visão de compra mais vantajosa baseada em preço para aquela baseada em custo, considerando o ciclo de vida do produto;

VI) Dar preferência aos produtos com maior agregação de valor social e ambiental, atuando de maneira ética com o Planeta e com a sociedade, transformando o ato de consumo em um verdadeiro ato positivo de solidariedade e cidadania;

VII) Integrar a produção com as ações do varejo ligadas à diminuição da geração de resíduos, à reciclagem, à educação de varejistas e consumidores;

VIII) Educação para o consumo sustentável.

II – Governança climática está intrinsecamente ligada ao processo de expansão da noção de governança corporativa. Consiste numa cultura empresarial voltada a resultados e ao efetivo “fazer acontecer” (produtos e serviços “carbon low-intensive” e ambientalmente amigáveis) e compreende:

I) Elaboração e/ou verificação de inventários corporativos de GEE – Gases de Efeito Estufa;

II) Ponderação sistêmica de riscos e oportunidades;

III) Internalização nas estratégias corporativas de sustentabilidade;

IV) Fazer mais com menos emissões de GEE e menor consumo de recursos naturais renováveis e não renováveis;

V) Desenvolvimento de projetos que utilizem o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo – MDL, a fim de que se beneficiem do “Mercado de Carbono”, decorrente do Protocolo de Quioto, e de outros mercados similares.

III – A economia dos ecossistemas e da biodiversidade: além de apresentaram preocupação com a biodiversidade e os ecossistemas em seus relatórios, as indústrias precisam comprovar essa informação na sua documentação financeira, incluindo a divulgação de ativos e passivos ambientais de suas atividades econômicas, já que preservar as diversas espécies é uma forma de manter e de garantir qualidade de vida também para as gerações futuras. Isto inclui:

I) Identificação dos impactos e as relações de dependência do seu negócio sobre a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos (BSE);

II) Avaliação dos riscos e as oportunidades da atividade associados com estes impactos e com as relações de dependência;

III) Desenvolver sistemas de informação sobre BSE, estabelecer metas, mensurar e valorar o desempenho e reportar os resultados;

IV) Adotar medidas para evitar, minimizar e mitigar os riscos da perda de BSE, incluindo a compensação (offsets) quando possível e aplicável;

V) Buscar oportunidades de negócio emergentes de BSE, como as relações de custo-efetividade, novos produtos e novos mercados;

VI) Integrar a estratégia e as ações relacionadas às oportunidades de negócio com a BSE com outras iniciativas de responsabilidade social corporativa;

V) Participar na formulação de políticas de uso sustentável da biodiversidade em seus vários aspectos: acesso a recursos genéticos e repartição de benefícios deles derivados, áreas de preservação permanente, reserva legal, transferência de tecnologia, dentre outros. Inúmeros processos industriais dependem de regras claras que possibilitem e incentivem investimentos em negócios sustentáveis em biodiversidade.

A tríplice fronteira da sustentabilidade na indústria apenas demonstra como um tema dinâmico, complexo e em constante evolução, reflete a capacidade de adotar estratégias de negócios e ações que visem atender às necessidades da empresa e de seus stakeholders no presente, enquanto protege, mantém e estimula os recursos humanos e naturais que serão necessários no futuro.

Setores econômicos que têm boas perspectivas de crescimento

8, outubro, 2010 Deixar um comentário

Depois de ser pontualmente atingido pela crise financeira mundial de 2008/2009, o Brasil tem retomado de forma vigorosa o rumo do crescimento, o que abre grandes perspectivas para a economia. Além disso, uma série de grandes eventos e o surgimento de novas oportunidades de negócio deverão movimentar e estimular significativamente alguns setores produtivos e prestadores de serviços.

Primeiro, podemos destacar o início da exploração comercial do petróleo da área do pré-sal, previsto para acontecer dentro de quatro ou cinco anos. A seguir, é importante lembrarmos dos dois maiores eventos esportivos de nosso planeta, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, ambos a ocorrer no Brasil. Também não devemos nos esquecer do agronegócio, que é um dos grandes motores do crescimento nacional e tem ótimas perspectivas de expansão no breve futuro.

Sem grande esforço, percebermos que o setor de construção de infraestruturas será um dos mais requisitados nos próximos anos. Por exemplo, algumas das obras necessárias para a Copa da Mundo de 2014 já foram iniciadas, como é o caso da reforma do Maracanã. Para além das óbvias intervenções e novas construções de estádios, serão realizados investimentos bilionários na renovação e ampliação dos sistemas de transportes coletivos (metrô, trens, ônibus, etc.) e da estrutura aeroportuária nacional, tocadas obras de adequação da malha viária (estradas, pontes, viadutos…), além de implementados novos sistemas de telecomunicações mais eficientes e modernos.

A exploração de petróleo e gás dos campos do pré-sal estimulará não apenas a indústria ligada a este setor específico, mas mexerá também com as indústrias naval (na construção de navios e plataformas), petroquímica, aérea (com a demanda por helicópteros e aviões), da mineração e metalúrgica (pelo uso de metais em gasodutos, equipamentos, veículos, etc.); com o setor de serviços; com as áreas de desenvolvimento tecnológico; e com o ramo da logística.

Já o agronegócio demandará investimentos vultosos no desenvolvimento de tecnologias para a otimização da produtividade, na mecanização do setor e na ampliação e qualificação das estruturas de escoamento da produção, com a aplicação de recursos em nova e melhor malha viária, em ferrovias e hidrovias e, especialmente, na adequação e ampliação da capacidade portuária nacional.

Desta forma, e conhecendo as carências existentes, a indústria da construção civil será a mais requisitada nesse processo de adequação infraestrutural. A ela caberá responder também a necessidades acessórias ao crescimento previsto, como é o caso de um esperado boom no mercado imobiliário, especialmente em cidades que receberão a Copa do Mundo e a Olimpíada (neste caso, o Rio de Janeiro), além daquelas que se desenvolverão a reboque da exploração do petróleo do pré-sal.

O turismo receberá também grande estímulo, em suas duas principais vertentes: a do lazer e a dos negócios. Serão necessários novos hotéis, além da modernização da rede hoteleira já existente. Também haverá oportunidades para os segmentos de negócios e serviços que se alinham ao Turismo, especialmente no que tange às estruturas de lazer, de gastronomia e de esportes.

Sem considerar outros segmentos, que naturalmente se desenvolverão e exigirão investimentos ao longo dos próximos anos, é possível prever estímulos aos setores aéreo, automobilístico, eletroeletrônico, de serviços e logística, TICs (tecnologias da informação e da comunicação), saúde e segurança. Para concluir, e como não poderia deixar de ser, precisamos estar muito bem preparados, pois será necessário investir fortemente em educação para a formação de pessoal capacitado a atuar e a atender às necessidades de todos e de cada um desses setores e desafios citados.

Por Eduardo Pocetti, CEO da BDO no Brasil, integrante da quinta maior rede do mundo em auditoria, tributos e advisory services.

“A qualidade em primeiro lugar”

“O mercado está pragmático.” Pragmático além da conta,  segundo a queixa e a crítica que nos chegam do leitor Jaime Ortiz Jimenez, gerente-geral da empresa Italbronze: “ O preço é a base de grande parte das relações comerciais entre empresas, em qualquer dos setores econômicos. Evidentemente, a … redução de custos impacta diretamente na rentabilidade, mas o que está ocorrendo é uma verdadeira subversão de valores — empresas líderes, que investem fortemente para oferecer produtos e serviços de qualidade, sofrem … uma concorrência acintosa, muitas vezes despercebida pelos seus clientes … mas totalmente prejudicial a toda a sociedade.”

Embarcadas nessas tendências, segundo Jimenez, estão empresas “que, incapazes de investir em processos produtivos atualizados, em novas tecnologias ou mesmo em sistemas de qualidade, acabam mascarando seus produtos, tornando-os atrativos por serem … mais ‘competitivos’ ”.

Na mesma tendência, segundo Jimenez estão “empresas lideradas por profissionais insensíveis e até mesmo aéticos … interessados somente na curva ascendente dos gráficos de vendas … pouco valorizando os benefícios intrínsecos de seus produtos e serviços, depositando suas forças na habilidade negocial”.

Na visão do leitor, o resultado é que o cliente balança indeciso entre o discurso que enfatiza a economia imediata e os benefícios da qualidade nem sempre fáceis de medir. Sua decisão, portanto, terá um forte componente lotérico.

O que fazer? O leitor se pergunta e responde: “Sem dúvida, a melhor perspectiva é o investimento declarado e comprovado em qualidade. Um mercado maduro, competitivo, é aquele no qual a balança pende para as empresas que oferecem garantias de seus produtos e serviços … ancorado em … regras e referências niveladas ‘por cima’. Isso significa que, em princípio, empresários, líderes e decisores devem apostar no ganho conjunto do mercado.”

E conclui a carta que nos enviou propondo teses e erguendo sua bandeira:

“É mister esse ganho de consciência, propagando a todos os setores da economia que atitudes evolucionistas não têm nada a ver com a ‘fome por lucros’ … com a concorrência predatória. Atitudes evolucionistas passam pela coerência … pela determinação em se produzir cada vez mais e melhor … Como atingir esse estado ideal? Através da educação, da discussão dos valores, da propagação dos benefícios das decisões e ações éticas.”

E finaliza: “Soa melhor a qualidade em primeiro lugar do que o preço em primeiro lugar.”

Conheça fornecedores industriais de qualidade AQUI.

Exportação – o desafio dos 3%

A pauta exportadora do País precisa – e com urgência – ampliar a participação de bens industriais. É neles que está o maior valor econômico agregado e, portanto, é com eles que o esforço exportador obtém maior recompensa.

Se queremos alcançar sucesso nessa ampliação, governo e indústrias exportadoras precisam organizar sua estratégia para apropriar-se do maior número possível de oportunidades criadas por um mercado mundial competitivo e dinâmico. Em resumo, é preciso adotar um viés global, um “pensar grande”, sobretudo um pensar grande que inclua os países emergentes.
Segundo previsões do Fundo Monetário Internacional-FMI, até 2015, a participação dos países emergentes, Rússia, Brasil, China e Índia, no comércio internacional passará, dos 28% registrados em 2005, para 33% em 2015.
A má notícia é que o Brasil – ainda segundo as perspectivas do FMI –
vai manter seus 3% de participação, caso se limite ao que está fazendo hoje.
A parcela de participação perdida pelo chamado G7, cerca de 6% do comércio mundial, será abocanhada exclusivamente pela China e Índia.
Os fluxos de importação e exportação de bens industriais e industrializados estão mudando, e novos players estão ingressando no jogo. Em resumo, competição e oportunidades crescem simultaneamente, e analistas da economia internacional mencionam como países que merecem ser acompanhados pelo Brasil, além dos seus concorrentes do BRIC, México, Coreia do Sul, Tailândia, África do Sul, Turquia, Malásia, Indonésia e Cingapura.
São esses os países que dão melhor resposta aos critérios de desenvolvimento potencial, importância econômica, infraestrutura tecnológica e crescimento demográfico.
Encontrar uma hierarquia dentro desse grupo, para melhor focar atenção e recursos, é parte do desafio exportador brasileiro. Que se resume no dilema de contentar-se com os 3% do crescimento vegetativo do mercado internacional, ou fazer jus realmente à condição de emergente.
Isso sem abandonar os grandes mercados europeu e norte-americano, que, apesar das perdas relativas, ainda são, disparados, os melhores mercados para nossos produtos industriais. Sem eles não se pode sonhar nem com os 3%.