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Inadimplência das empresas é a maior desde 2009

Alta de 19% em 2011 na inadimplência das empresas é a maior desde 2009, conforme aponta pesquisa da Serasa Experian. De acordo com os economistas da Serasa, os fatores determinantes do indicador negativo foram o aumento da inflação, que pressionou os custos dos negócios; os juros elevados, que tornaram o capital de giro mais caro; a desaceleração econômica no segundo semestre, que dificultou as vendas e ampliou os estoques; e o aumento da inadimplência do consumidor, que elevou o risco de crédito e definiu perdas financeiras. No comparativo entre dezembro de 2011 e dezembro de 2010, a alta foi ainda maior, 23,7%.

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas considera as variações do número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições financeiras.

BNDES libera R$ 43,8 bilhões à indústria em 2011

Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES somaram R$ 139,7 bilhões em 2011. O maior destaque foram os repasses para grandes projetos de infraestrutura, cujo setor liderou com R$ 56,1 bilhões ou 40% do total liberado. Os montantes mais significativos foram para transporte rodoviário, com R$ 26 bilhões, e energia elétrica, com R$ 15,9 bilhões. Para a indústria foram aprovados R$ 43,8 bilhões (participação de 32%), com ênfase em material de transporte (R$ 8,2 bilhões), química e petroquímica (R$ 7,1 bilhões), alimentos e bebidas (R$ 6,8 bilhões) e indústria mecânica (R$ 4,5 bilhões).

Os financiamentos de máquinas e equipamentos nas linhas do Programa BNDES de Sustentação do Investimento – BNDES PSI contribuíram para atender todos os setores apoiados pelo banco.

Outro destaque foi o recorde de operações. Foram 896 mil financiamentos, alta de 47% em relação a 2010, ampliando o acesso ao crédito especialmente para as micro, pequenas e médias empresas – MPMEs, cujo total liberado, de R$ 49,8 bilhões, foi recorde. A proporção dos recursos destinados às empresas de menor porte também fechou o ano no maior patamar da história, de 36% sobre os desembolsos totais. O Cartão BNDES foi um dos fatores que impulsionaram esse crescimento, assim como a descentralização geográfica do crédito.

Apesar de representarem queda de 17% em relação ao repasse de 2010, de R$ 168,4 bilhões, as liberações ficaram em patamar semelhante às realizadas naquele ano. Subtraindo-se os R$ 24,7 bilhões aplicados pelo BNDES na capitalização da Petrobras, os desembolsos de 2010 atingiram R$ 143,6 bilhões.

Setor de Petróleo & Gás obtém financiamento de R$ 3 milhões em 2011

Pequenas e médias empresas (PMEs) do setor industrial e de prestação de serviços que atuavam ou pretendiam operar no segmento de Petróleo & Gás (P&G) receberam, em 2011, financiamento de R$ 3 milhões, a juros de 0,57% ao mês (+IPC/Fipe) e prazo para pagamento de até 10 anos. O crédito foi liberado pela Agência de Fomento do Estado de São Paulo/Nossa Caixa Desenvolvimento, que no primeiro semestre do ano passado criou a Linha Petróleo & Gás para financiar atividades direta ou indiretamente relacionadas às PMEs.

Dos R$ 3 milhões, 79% foram destinados a serviços e 21%, à indústria. A linha de crédito atende as PMEs de todo o Estado, desde que tenham faturamento anual entre R$ 360 mil e R$ 300 milhões.

Os interessados podem realizar o pedido de financiamento pelo www.agenciadefomentopaulista.com.br ou na sede da agência, localizada à Rua da Consolação, 371, São Paulo, SP. A solicitação de atendimento também pode ser feita por meio das mais de 50 entidades empresariais parceiras da Agência de Fomento do Estado de São Paulo.

Impulsionado pelas micro, pequenas e médias empresas, BNDES desembolsou R$ 104 bilhões nos primeiros dez meses do ano

Entre os meses de janeiro e outubro deste ano, o Banco Nacional do Desenvolvimento – BNDES desembolsou R$ 104,2 bilhões. O setor de infraestrutura lidera a participação no resultado, respondendo por 41% das liberações globais. Os R$ 42,7 bilhões financiaram projetos em energia elétrica, telecomunicações e transportes,  entre outros de caráter estrutural, contribuindo para o processo de manutenção de taxas de expansão do investimento, superiores à do Produto Interno Bruto – PIB.

As Micro, Pequenas e Médias Empresas – MPMEs receberam o valor recorde de R$ 40,6 bilhões nos primeiros dez meses de 2011, representando 40% dos financiamentos totais do BNDES no período. O inédito resultado é fruto do Programa de Sustentação do Investimento – BNDES PSI e do Cartão BNDES. Somente o cartão, produto exclusivo para as MPMEs, registrou liberações de R$ 6 bilhões.

Impulsionado pelas MPMEs, o volume de movimentações também bateu recorde no período. Até outubro, foram 718 mil operações, sendo 94% delas (677 mil) com micro, pequenas e médias empresas. O crescimento dos financiamentos às MPMEs contribuiu para a democratização do crédito – uma das metas do BNDES.

A indústria recebeu 31% (R$ 32 bilhões) das liberações globais, seguida por comércio e serviços, com 20% (20,8 bilhões), e agropecuária, com 8% (8,3 bilhões).

 

Mas…

Em comparação com o mesmo período do ano passado, o desembolso do BNDES é 26% menor. Os números de outubro, isoladamente, também mostraram recuo de 4% em relação a outubro de 2010. Mesmo com resultados inferiores, o desempenho ainda está dentro da previsão estipulada pelo banco, de financiamentos totais na ordem de R$ 140 bilhões em 2011.

INPI considera que o Brasil está pronto para aderir ao sistema internacional de registro de marcas

16, novembro, 2011 Deixar um comentário

O Brasil tem condições de aderir ao Protocolo de Madri, tratado internacional que promove o registro único de marcas em 85 países signatários. A informação foi dada nesta sexta-feira, 11 de novembro, pelo presidente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI, Jorge Ávila, em encontro sobre propriedade intelectual promovido pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, em São Paulo.

“Do ponto de vista operacional e gerencial, temos plenas condições de começar a trabalhar hoje mesmo com as regras do protocolo”, afirmou Ávila. Ele informou que o instituto poderá contratar mais 20 técnicos até 2012 para dar ainda mais tranquilidade às empresas de que os prazos da convenção serão cumpridos. “No Plano Brasil Maior, de políticas industriais, já foi justificada e aprovada a contratação de mais servidores. Então, o INPI está aparelhado para as exigências advindas do Protocolo de Madri”, destacou.

O diretor de Operações da CNI, Carlos Eduardo Abijaodi, disse que o setor empresarial tem, agora, de pressionar o governo para acelerar o processo de adesão. “A entrada do Brasil nesse grupo de 85 países trará muitos benefícios para as empresas industriais, porque o registro de marca no Brasil e no exterior ficará mais rápido, menos burocrático e custará muito mais barato”, analisou. Hoje, um registro de marca no Brasil demora 22 meses em média. O protocolo determina que o registro, nos 85 países, seja feito em até 18 meses.

O governo brasileiro já havia estudado, durante o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, a adesão. Depois, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, havia se decidido pela adesão ao protocolo, tendo inclusive mandado o texto final para a Casa Civil, último passo antes da entrada no Congresso Nacional. Com a troca de governo, o texto voltou ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). “A CNI e as demais entidades interessadas pedirão ao MDIC para destravar esse processo em 2012”, antecipou Abijaodi.

Custos menores – Para o diretor regional da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), José Graça Aranha, não há motivos para retardar ainda mais a entrada do Brasil nesse grupo de 85 países. “A empresa brasileira poderá resguardar sua marca em um grande número de países com menos trabalho e  economia de tempo e dinheiro. As empresas de pequeno e médio porte que estão querendo se internacionalizar precisam disso”, afirmou Aranha.

A maior parte dos principais parceiros comerciais do Brasil faz parte do Protocolo de Madri. São signatários Estados Unidos, China, Alemanha, França, Espanha, Reino Unido, Coréia do Sul e Japão, entre outros. A Argentina, terceiro maior parceiro comercial do Brasil, não aderiu. Durante o evento de hoje, empresários alertaram para o fato de os parceiros do Cone Sul e da América Latina não serem parte desse sistema.

Segundo a OMPI, circulam hoje entre os países signatários do Protocolo de Madri 5,5 milhões de registro de marcas. Em 2008, foram apresentados 975 mil pedidos de marca por não residentes. E, das 175 mil empresas cadastradas, 34 depositam a maioria dos pedidos.

No Brasil, 75% dos pedidos de registro de marcas são de empresas de capital nacional. A demanda pelo registro aumenta, em média, 15% ao ano no país, ante 4% nos Estados Unidos. “O Brasil é hoje um importante player do comércio internacional, tem uma economia forte e, por isso, todo mundo quer estar presente. Vamos continuar a ver esse crescimento forte da demanda nos próximos anos”, disse Jorge Ávila, do INPI.

Entre a Lei e a Multa: como preencher as cotas para PNEs nas indústrias estabelecidas pela Lei? I

No mundo atual, devemos nos conscientizar de que as corporações globais são também cidadãs globais, com responsabilidades perante a sociedade na qual vivem e atuam. A cidadania corporativa é muito mais do que Marketing Social, é algo que deve estar integrado em toda a indústria e deve refletir isto na sua missão, estratégia e valores.

Vários fatores colaboraram para que o setor corporativo se atentasse para estas novas premissas. O terceiro setor ganhou força, o consumo aumentou o seu poder sobre a produção, a mídia não tem como sustentar-se sem ancorar-se em novos valores difundidos entre seu público, sem propagar novas exigências éticas mais críticas atuantes na população mais esclarecida.

Na década de 1990, o mundo corporativo, consagrou a valorização da ecologia e na defesa da biodiversidade. Várias empresas se uniram a projetos de preservação do meio ambiente, preocupando-se em demonstrar para o público que seus produtos são “naturais”. Atualmente, um dos temas de maior relevo é a valorização da sócio-diversidade, dos direitos sociais-culturais mediante políticas afirmativas. Isto mesmo, políticas afirmativas atuantes que geram acessibilidade a universidades, empregos, equidades de salários e cargos de liderança e legislações voltadas para a questão da raça e do gênero, como é o caso da Lei Maria da Penha, as cotas raciais nas universidades e as cotas de inclusão de Portadores de Necessidades Especiais (PNEs), ou (PCD) Pessoas com Deficiências ao mercado de trabalho.

Neste conjunto de políticas e legislações os PNEs estão dentro do “olho do furacão”, a Lei nº 8.213/91(1), estabelece “cotas” reservadas para estes sujeitos no mercado de trabalho. Hoje temos uma grande discussão em volta deste tema, PNEs são disputados no mercado como ouro, uma vez que, as empresas poderão pagar multas pelo não preenchimento das cotas estabelecidas pela Lei, em contra partida, não há número suficiente desses sujeitos preparados para ingressarem no mercado de trabalho devidamente qualificados. Entre a cruz e a espada, a Lei e a multa, como os empresários podem resolver este dilema?

A cota depende do número geral de empregados que a empresa tem no seu quadro, na seguinte proporção, conforme estabelece o art. 93 da Lei nº 8.213/91(1):

I – de 100 a 200 empregados ……………… 2%

II – de 201 a 500 …………………………………….. 3%

III – de 501 a 1.000 …………………………………. 4%

IV – de 1.001 em diante ……………………….. 5%

Incluir não é fácil! Apesar de ser um avanço, na prática não se atinge o objetivo desejado. Podemos dizer que o simples cumprimento da lei não garante a efetiva participação desses profissionais no dia-a-dia das empresas, em condições de igualdade e de contribuição significativa com os resultados de suas contratantes.

232,2 mil empregos ocupados por portadores de necessidades especiais no mercado formal de  39,4 milhões de empregos. Apenas 1% do mercado formal é ocupado por pessoas portadoras de necessidades especiais(2).

Já no processo de seleção começam as dificuldades. Podemos observar que portadores de necessidades especiais, em sua maioria, não têm acesso a uma educação de qualidade, logo não apresentam a formação adequada para as vagas a que se candidatam. Outro aspecto a ser considerado é que algumas  pessoas com deficiências físicas quase, ou totalmente imperceptíveis, socialmente,  asseguradas por  um laudo médico conseguem o direito de candidatar-se a vagas destinadas ao atendimento da  Lei de Cotas. Somando-se a esses fatos os aspectos psicológicos, notoriamente, relacionados às pessoas com deficiência, as empresas se deparam com uma relação trabalhista que exige habilidade na sua condução.

Nas empresas contratantes de portadores de necessidades especiais observamos alguns comportamentos das partes envolvidas nessa relação:

- profissionais com deficiência que estão  realmente interessados em seu crescimento profissional e que superam suas dificuldades para se comprometer efetivamente com os resultados esperados e definidos pela contratante. Profissionais que freqüentam a rotina diária das contratantes e se satisfazem em receber uma remuneração por, simplesmente,   garantir que a empresa  mantenha preenchida a vaga destinada a atender a Lei de Cotas.

- por outro lado, temos  empresas   interessadas no benefício social resultante da lei que investem em seus profissionais deficientes e muitas vezes acabam identificando novos talentos e gerando grandes oportunidades de crescimento para ambas as partes. No entanto, há aquelas  que se interessam apenas pelo cumprimento da lei, não estão preparadas para receber em seus ambientes esses profissionais, em geral oferecem oportunidades meramente operacionais, ou administrativas, que demandam pouco conhecimento técnico e profissional e consequentemente, proporcionam poucas oportunidades de crescimento para esses profissionais.

Diante de uma relação  tão complexa os seus protagonistas,  empresas e portadores de necessidades especiais,  devem ficar atentos para que  não percam o foco no principal objetivo da Lei de Cotas, que é promover a inclusão social dessas pessoas no mercado de trabalho, bem como devem garantir que essa oportunidade seja compensatória para o contratado e para as empresas.

A diversidade e a inclusão no mundo corporativo é extremamente saudável, uma das maiores vantagens é a composição de equipes de trabalhos com profissionais com diferentes características identitárias e isto contribuiu, sobremaneira para o crescimento da empresa. No entanto, o sucesso de uma política de gestão de pessoas voltada para a diversidade e para inclusão bem sucedida, demanda mudanças e quebras de paradigmas nas empresas e nos seus colaboradores. É preciso um esforço maior para que a chegada de PNEs nas empresas possa garantir-lhes desenvolvimento, promoção e permanência neste cenário. Vale destacar algumas práticas para que este preceito ocorra.

Acompanhe nos próximos posts dicas de boas práticas em Programas de Inclusão!

Parte II

Parte III

Sustentabilidade ética, social, ambiental e financeira nas empresas: pessoas, empresas e lucro – Parte IV

Quanto as empresas, temos que refletir o seguinte: até que ponto a gestão e a cultura organizacional é capilar ao tema da sustentabilidade? Os seus lideres são aderentes à uma gestão sustentável? Os seus produtos, processos e colaboradores estão preparados para atuarem em um cenário focado na sustentabilidade?

O primeiro passo a seguir é diagnosticar as possibilidades de se implementar uma gestão realmente sustentável, em seguida, promover ações que possam capacitar o seu público interno a criar para desenvolverem produtos e processos tendo a sustentabilidade como norte. É de extrema importância a atuação dos lideres empresarias, estes funcionarão como modelos para seus colaboradores.

Nas empresas focadas na sustentabilidade também estão presentes as ferramentas de gestão ética, como os balanços sociais, as certificações de qualidade ambiental, painéis de gestão de responsabilidade social, códigos de conduta ética, ouvidorias e gestão da denúncia ética, código, analise de viabilidade de negócios, produtos e serviços voltados para a base da pirâmide e alinhados com a sustentabilidade, gerenciamento de risco ambiental, definição de metas para emissão de gás carbono, gerenciamento no descarte de resíduos, políticas de utilização da água no processo produtivo,  bem como as lições aprendidas e ações corretivas e preventivas.

Nosso ambiente empresarial já demonstra que o debate da sustentabilidade ética, social, financeira e ambiental está vencendo a barreira de entrada. Muitas lideranças já aprenderam a lucrar com sustentabilidade e alavancar suas marcas e seus produtos a partir desse foco.

E a sua empresa, o que faz em relação à sustentabilidade? Compartilhe conosco aqui suas experiências e dúvidas.

ARBACHE, Ana Paula. Projetos Sustentáveis: estudos e práticas brasileiras. Editorama, 2010.

Nova tecnologia para um antigo conceito

26, julho, 2010 Deixar um comentário

A portaria 1.510 do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que estabelece a impressão de todo o movimento de entrada e saída dos trabalhadores em suas empresas, gerando documentação passível de arquivos não-digitais, terá significativo impacto. Sessenta por cento dos relógios de ponto informatizados existentes no Brasil, estimados entre 600 mil e 800 mil unidades, deverão ser trocados por equipamentos também eletrônicos, adequados às novas exigências. Considerando o custo médio de R$ 2,5 mil por aparelho, o processo de substituição movimentará cerca de R$ 1,7 bilhão. O curioso, por outro lado, é que 40% das empresas retornarão ao antigo sistema mecânico. 

         Assim, a medida do MTE, que entrará em vigor no mês de agosto próximo, promove insólito reencontro de tecnologias e processos e também de filosofia legislativa, ao reiterar alguns princípios da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Memória e presente somam-se nesta nova etapa das relações trabalhistas… A CLT constituiu-se em um dos eixos das mudanças ocorridas no Brasil a partir da Revolução de 1930. Registrou um marco na história econômica do País, que deixava de ser agrícola para se tornar paulatinamente industrial.

Decretada em 1º de maio de 1943, a CLT entrou em vigor em novembro daquele ano, em pleno Estado Novo de Getúlio Vargas (1930-1945). O Congresso Nacional, então dissolvido, não votou a lei, uma das bases de sustentação política e programática do Governo Vargas, populista e, portanto, dependente da aclamação popular. Naquele período, foi criado o Ministério do Trabalho e o sindicalismo crescia sob a tutela do Estado. Até o final do Século XX, a CLT teve mudanças em alguns poucos tópicos específicos, como a remuneração das férias. A transformação mais significativa foi a equiparação gradual do trabalhador rural ao urbano.

Um dos aspectos fundamentais da lei, especificado em seu artigo 74, parágrafo 2º, é a marcação do ponto, destinada a permitir que o trabalhador, seu sindicato, a fiscalização trabalhista e a Justiça do Trabalho exerçam controle eficaz dos horários cumpridos pelos funcionários. Para a Justiça do Trabalho, trata-se de precípua responsabilidade do empregador, como titular da direção do processo produtivo, manter o histórico da relação trabalhista. Cabe a ele o ônus de apresentar, quando solicitado em processo judicial, os registros diários da jornada de cada empregado, de modo a tornar possível a sua perfeita reconstituição.

A Portaria 1.510 reitera e enfatiza exatamente esse princípio, e ao fazê-lo provoca todo um movimento na tecnologia do controle de ponto e acesso, cuja história é muito interessante. O primeiro relógio de ponto foi construído em 1888 por Willard Bundy, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, juntamente com seu irmão Harlow. Sua empresa, a International Time Recording Company, futura IBM, foi a primeira a produzir os equipamentos mecânicos em escala industrial. No Brasil, a história dos relógios de ponto mescla-se à trajetória da Dimep, sua precursora no País. Fundada em 1936 pelo professor Dimas de Melo Pimenta, a empresa dedicou-se inicialmente à fabricação de marcadores de tempo, mas depois expandiu suas atividades e se tornou a pioneira nacional no segmento de sistemas de controle de ponto e acesso para empresas, condomínios, universidades, escolas em geral e estacionamentos, sendo hoje uma moderna provedora de sistemas de alta tecnologia.

Os antigos relógios mecânicos, que imprimiam o controle de ponto em cartões, eram equipamentos sofisticados. Fabricá-los com as exigências de precisão pertinentes às leis trabalhistas do Brasil e numerosos países não era para qualquer um. Era preciso dominar com destreza a sua tecnologia. À medida que a tecnologia tem avançado, os relógios de ponto ficam mais sofisticados sob o ponto de vista operacional. Com a Portaria 1.510, a qualidade de hardware e software, confiabilidade e seriedade dos fabricantes dos equipamentos tornam-se requisitos ainda mais indispensáveis. Tal exigência suscitará um processo seletivo no mercado, levando à inevitável redução do número de fornecedores.

Agora, com a nova legislação, o Brasil promove o encontro do passado e do futuro, pois às tecnologias digitais deverá somar-se a impressão de todos os registros de ponto. A exemplo do velho relógio “picotador” do cartão, precisão e segurança são atributos fundamentais nos novos equipamentos, cuja operação precisa garantir o cumprimento do conceito pétreo do registro e arquivo do histórico das jornadas de trabalho de cada funcionário. E como estamos falando de relações trabalhistas, essa tecnologia não é mesmo coisa para amador…   

Por Dimas de Melo Pimenta II, economista, presidente da Dimep e diretor do Departamento Sindical (Desin) da Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.