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Novo selo ambiental indica a “pegada de carbono e água” de produtos nacionais

O lançamento de um novo selo permitirá às empresas nacionais demonstrar os benefícios ambientais de seus produtos em comparação aos internacionais graças a um novo sistema de medição e certificação da pegada de carbono e água de produtos.

O sistema será operado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, em particular pela ABNT Certificadora, e foi criado por meio de um processo participativo que envolveu a indústria brasileira e foi guiado pelo Carbon Trust, consultoria de estímulo à economia de baixo carbono com expertise global no tema. A concepção e desenvolvimento do sistema contou com o apoio institucional do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC e com financiamento do Prosperity Fund, da Embaixada Britânica, em Brasília.

Organizações que obtiverem a certificação cumprindo os parâmetros definidos nas regras do sistema, e atualizados por um comitê técnico sediado na ABNT, poderão utilizar os novos selos de pegada de carbono e de água da ABNT para comunicar suas ações de medição e redução do impacto ambiental ao longo do ciclo de vida dos seus produtos.

A capacidade de evidenciar o baixo impacto ambiental de produtos brasileiros dará às empresas vantagens competitivas no mercado internacional, sendo que elas tendem a crescer na medida em que as companhias brasileiras as transformarem em vantagens comerciais em um cenário de uma economia de baixo carbono. O sistema também trará vantagens para o mercado doméstico, permitindo que as empresas demonstrem suas vantagens em relação aos importados.

O projeto piloto, coordenado pelo MDIC, ABNT e Carbon Trust, envolveu empresas dos setores de alumínio, vidro, aço, cimento, químicos e tecidos, totalizando nove categorias de produtos e 16 subprodutos. Dentre estas, estão Braskem, CSN, Saint-Gobain, Arcelor Mittal, Votorantim, Novelis, BR Goods e EDB Polióis Vegetais do Brasil.


Doutora pela Unicamp cria guia para definição e revalidação de prazo de validade de químicos

Como os produtos químicos importados chegam ao Brasil sem prazo de validade pré-estabelecido, é preciso que sejam padronizados procedimentos em que os importadores possam se amparar para definir uma garantia que atenda as especificidades do produto e sua segurança química, sem minimização do prazo por falta de metodologia específica. Pensando nisso e na questão do impacto ambiental advindo do descarte de produtos técnica e seguramente em condições de uso, mas com data de validade teoricamente vencida, decidiu-se trabalhar com o tema na tese de doutorado de Luciana Rodrigues Oriqui, mestre em Engenharia Química e engenheira de alimentos, na Faculdade de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp.

A tese engloba toda a indústria química quanto à definição do prazo de validade, porém para prazo adicional, trata somente do mercado B2B (business to business), não para o consumidor final, caso dos cosméticos, por exemplo. O resultado originou no Guia de Estabilidade para Produtos Químicos, que propõe amparo técnico para solução desse caso. Segundo Luciana, o guia pode ser usado pelas empresas, já que foi pautado em regras já utilizadas e aceitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. “Utilizei os parâmetros farmacêuticos justamente por sua criticidade e consequente viabilização do uso imediato do guia”, disse. Está disponível na Unicamp e em 2014 será publicado por uma editora.

No Brasil, a lei do Código do Consumidor estabelece que todo produto comercializado deve conter em seu rótulo a indicação de prazo de validade. Em outros países, para vários produtos químicos, não é exigida a indicação dessa data, o que dificulta a situação dos importadores que, por força de lei, passam a ser considerados no País os produtores, portanto com as mesmas obrigações, e têm a responsabilidade de atribuir validade para os produtos.

“Inicialmente foi proposto, com alguma customização, que fossem aplicados os parâmetros já conhecidos e utilizados para produtos farmacêuticos, por ser esse o segmento melhor regulamentado e estruturado em estudos de estabilidade, além de naturalmente possuir limites mais críticos em relação a todos os demais”, explicou Luciana. “Depois, entendemos que poderia ser criada metodologia para revalidação do prazo de produtos químicos, antes de vencidos, com a condição de análise caso a caso e não lote a lote. A especificação caso a caso é indicada já que um mesmo lote, depois de comercializado, pode ter sido armazenado em condições distintas apesar das indicações do rótulo, podendo resultar em diferentes fases de um mesmo produto.”

Segundo a engenheira, não se trata de prolongar a vida útil, pois, dessa forma, ficaria implícito reprocessamento dos produtos. “Não é reprocessar, mas sim revalidar, ou seja, averiguar a possibilidade de estender o prazo de validade em função de análises técnicas feitas próximas ao vencimento indicado, sem quaisquer reprocessamentos ou abertura de embalagem do produto”, explicou. De acordo com ela, várias datas de validade são subestimadas em função de fatores como a diversidade climatológica do País e o correto armazenamento.

Na conclusão da tese, Luciana indicou que a próxima etapa, no pós-doutorado, seria fazer testes aplicados para produtos químicos, divididos em quatro grandes grupos em função do mercado atendido: produtos químicos para segmento farmacêutico, cosméticos, indústria alimentícia e outros, como petrolífero, tintas e couro. No momento, já desenvolve as atividades do pós-doutorado e o resultado será a implementação do guia inicial.

Para o estudo, Pedro Wongtschowski, do Grupo Ultra, sugeriu o tema e desde o início co-orientou o trabalho; a Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, sob orientação do prof. dr. Milton Mori, apoiou e propiciou condições para desenvolvimento das pesquisas; a empresa Oxiteno inicialmente ofereceu bolsa fomento e atualmente fornece os produtos e a base de dados; e a empresa Nanotimize Tecnologia agregou conhecimento e apoia com as análises quimiométricas.