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Inadimplência das empresas é a maior desde 2009

Alta de 19% em 2011 na inadimplência das empresas é a maior desde 2009, conforme aponta pesquisa da Serasa Experian. De acordo com os economistas da Serasa, os fatores determinantes do indicador negativo foram o aumento da inflação, que pressionou os custos dos negócios; os juros elevados, que tornaram o capital de giro mais caro; a desaceleração econômica no segundo semestre, que dificultou as vendas e ampliou os estoques; e o aumento da inadimplência do consumidor, que elevou o risco de crédito e definiu perdas financeiras. No comparativo entre dezembro de 2011 e dezembro de 2010, a alta foi ainda maior, 23,7%.

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas considera as variações do número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas vencidas com instituições financeiras.

Indústria fecha os números de um ano difícil

A Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, revelou que o recuo na demanda por produtos nacionais e a concorrência com artigos chineses fizeram a indústria encerrar 2011 com redução da atividade, da produção e do nível de emprego e com acúmulo de estoques.

De acordo com o levantamento, o uso da capacidade instalada (UCI) comum para o mês de dezembro registrou 42,6 pontos, o menor valor desde junho de 2009. Ao contrário do que deveria ocorrer, o recuo da UCI não foi suficiente para reduzir o excesso de estoques, com 53 pontos. Os indicadores da Sondagem Industrial variam de zero a cem. Valores acima de 50 indicam aumento da atividade e do emprego e acúmulo de estoques indesejados.

O indicador de evolução da produção registrou 42,1 pontos, permanecendo abaixo da linha divisória dos 50 pontos desde setembro último. O índice do  número de empregados, que assinalou 46,7 pontos no mês passado, está abaixo dos 50 pontos pelo terceiro mês consecutivo e é o menor indicador desde o início da série mensal, em janeiro de 2010.

Reencontro da confiança

A confiança dos setores produtivos praticamente quintuplicou entre janeiro de 2009 e janeiro de 2010. É o que diz o Indicador Sensor Econômico calculado pelo respeitado Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada–Ipea. A renovada confiança no desempenho da economia brasileira tem outros números que refletem o ânimo com o qual os setores produtivos iniciam 2010.

O Informe Conjuntural da Confederação Nacional da Indústria afirma que o País crescerá 5,5%, mas o setor industrial crescerá 7%, liderando o processo de desenvolvimento em 2010. Os motores desse crescimento serão os significativos aumentos nos investimentos e o consumo no mercado interno, que sairá de 3,7% em 2009 para 5,6% este ano. Tudo viabilizado pelo acréscimo da capacidade instalada da indústria, do já mencionado aumento da confiança dos agentes produtivos e da disponibilidade de financiamentos de longo prazo.

A redução dos custos também terá influência importante no desempenho esperado da indústria. Ela será determinante para a competitividade exportadora do País, empenhado em deter a expansão chinesa em mercados importantes para o Brasil, como Estados Unidos, México e Argentina. Pelo menos parte dessa redução de custos virá da maior produtividade, desde que as crises ensinam às indústrias que podem fazer mais e melhor com menos recursos. Em outras palavras, a recuperação da produção não recria os mesmos postos de trabalho.

A análise da Federação das Indústrias de São Paulo registra, em primeiro lugar, que o Brasil emergiu da crise global como parceiro confiável. A entidade prevê investimentos externos na ordem de US$ 35 a 45 bilhões e um crescimento superior a 6%. Para esses números devem contribuir os projetos relacionados aos dois grandes eventos esportivos previstos – a Copa e a Olimpíada – a construção do Trem de Alta Velocidade e a conclusão de obras do PAC. Nesse contexto positivo a indústria excederá o País, crescendo 8,5%. A comparação destas e da absoluta maioria das prospecções divulgadas convergem para um 2010 promissor.

Nesse clima de renovada confiança no desempenho industrial do País vai acontecer a 28ª Feira Internacional da Mecânica, entre 11 e 15 de maio próximo. São esperados 120 mil visitantes e negócios à altura dos prognósticos, que pouco diferem entre si e concordam na visão de um ano positivamente memorável para a indústria.