Logística Reversa tem sido um dos temas mais requisitados por empresários neste semestre. A chegada da Lei do Lixo, em agosto de 2010, colocou em atenção os gestores que devem programar suas operações, para trazer de volta à sua planta industrial os produtos que já estão obsoletos. E, dessa forma, criar uma solução inteligente, sustentável e rentável para que a empresa possa responder à legislação de modo correto e sem prejuízos.
Algumas empresas se adiantaram à Lei e já trabalham com a coleta e a reciclagem dos materiais que são descartados pelos consumidores; outras já investem em pesquisa e desenvolvimento, criando produtos inteligentes no que tange à sustentabilidade ambiental, como as embalagens fabricadas com o plástico verde, o jeans que, após descartado, é usado como combustível em caldeiras, e várias outras inovações que já estão no mercado.
Hoje, o que é demandante são soluções voltadas para as indústrias e as empresas e que possam gerar uma operação reversa, de acordo com a conformidade da legislação e, na ponta, ainda gerar valor agregado – imagem sustentável para a empresa por meio do marketing verde.
O Brasil, como um país em desenvolvimento, configurará futuramente como um dos maiores “produtores” de lixo eletrônico. Como informa Dweck, (Guia Exame Sustentável 2010), a ONU apontou o Brasil como o país emergente que gera mais lixo eletrônico per capita a partir de PCs. Assim, espera-se que em 2010 ocorra uma venda de 13,5 milhões de computadores e, passados de 3 a 5 anos, esses eletrônicos serão descartados.
Nosso país é apontado como um dos maiores consumidores de computadores do mundo e, em breve, poderá liderar a produção do lixo eletrônico, tendo, portanto, que administrar um ônus ambiental. Para a autora, 40 milhões de toneladas de resíduos eletrônicos são gerados todo ano, mas apenas cerca de 10% são reciclados de forma apropriada.
É relevante alertar que o descarte incorreto do lixo eletrônico, como o descarte nos lixões, está no manuseio errado dos equipamentos, levando a contaminação do solo e da água, conforme as peças se oxidam (André Vilhena, Diretor Executivo do Cempe – Compromisso Empresarial para Reciclagem).
A Convenção da Basileia, assinada em 1992, controla os fluxo de resíduos perigosos, exigindo o certificado que garanta a reciclagem correta do lixo eletrônico em caso de exportação. Mesmo com esse direcionamento, há países que “desviam” o lixo eletrônico como doação para países carentes: muitos dos aparelhos não funcionam e o lixo é maquiado como “doação”, como mostra o quadro abaixo:
| Origem |
Destino |
| Londres |
Lagos na Nigéria |
| USA |
Guyiu na China |
Esse é o lado obscuro do descarte, quando contêineres inteiros são carregados de computadores, monitores e TVs e enviados a países miseráveis na África e na Ásia, locais carentes em restrições ambientais.
Como relatado, a Lei do Lixo instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, sendo importante em dois pontos:
• Obriga a criar sistemas de logística reversa (volta do equipamento ao setor industrial para ser reaproveitado);
• Definição de que a responsabilidade pelo descarte correto é compartilhado entre fabricantes, distribuidores, importadores e consumidores.
Amanhã, no próximo post, alguns casos de empresas que aderiram ao descarte correto.
Acesse também produtos ligados à reciclagem e logística reversa.