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1º Fórum de Inovação comprova o sucesso do Programa Nacional Conexão Indústria da ABDI

27, setembro, 2017 Deixar um comentário

Representantes de startups, CEOs de grandes indústrias, agentes públicos envolvidos com inovação, especialistas, empresários e acadêmicos compuseram os mais de 500 participantes que marcaram presença no 1º Fórum de Inovação Startup Indústria, promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), no dia 22 de setembro, em São Paulo, com o objetivo de debater os desafios de inovar no País e de como estimular a conexão entre startups e indústrias.

O evento foi um marco que consolidou e comprovou o sucesso do Programa Nacional Conexão Startup Indústria da ABDI, lançado pela entidade em março deste ano, buscando inaugurar no Brasil uma cultura de gestão voltada para resultados, pois, de acordo com a pesquisa Sondagem de Inovação, realizada pela ABDI com 408 empresas da indústria de transformação, 21% das indústrias já realizam negócios com startups; 45% ainda não sabem como proceder, mas estão se preparando para uma futura conexão com empresas novas; e 21% ainda não têm interesse.

“Estamos inserindo R$ 50 milhões, nos próximos três anos, no ecossistema de inovação brasileiro, de uma forma cirúrgica e com o claro objetivo de estimular a inovação e promover projetos e ações voltados à Indústria 4.0”, explicou Guto Ferreira, presidente de Desenvolvimento da ABDI, que representou o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Pereira, na abertura do Fórum, ao mencionar outros programas com o mesmo perfil, como Startup Brasil, InovAtiva, Rota 2030, que poderão elevar o Brasil para outro patamar.

Segundo Ferreira, o conceito de Indústria 4.0 vai atingir uma parcela da nossa indústria que pode levar o Brasil a outro patamar de produtividade; “pode levar a economia a sair da 9ª posição e voltar a ser a 5ª ou a 4ª”.

De acordo com ele, se antes a negociação entre indústria e startups era mais complexa, hoje já é possível perceber que ambas conseguem se entender como duas partes de um mesmo negócio. “É uma janela de oportunidades comprovada pelos resultados do evento”, explicou o presidente da ABDI. Ele afirmou que no mundo inteiro esse papel tem ficado cada vez mais claro. Segundo sua avaliação, “não existe outra possibilidade para a indústria inovar, reduzir custos e resolver os seus problemas que não seja pelas soluções mais baratas e eficientes propostas pelas startups”.

Convidado pela ABDI para falar sobre os desafios da inovação, Dennis Tsu, um dos principais executivos de economia global e diretor de Estratégia Corporativa do Stanford Research Institute (SRI), afirmou que “a única opção para o desenvolvimento de um país é por meio de investimentos em inovação”. O executivo ressaltou que há muitos modelos de políticas de inovação no mundo, mas podemos resumir todas as metodologias em três principais caminhos:

  • o estímulo às invenções (ideias);
  • a capacitação de recursos humanos (pessoas);
  • e o capital (investimentos em pesquisa e inovação).

O evento contou, ainda, com quatro grandes painéis, onde representantes de indústrias e startups discutiram a importância de a indústria se conectar com mecanismos de apoio ao desenvolvimento de negócios; por que inovar por meio das startups; os desafios e soluções da indústria para inovar com as startups; e as perspectivas futuras da conexão startup indústria.

 

Novas tecnologias para inovar

Fabiana Kuroda, gerente executiva da Confia, definiu o papel da startup como essencial. Segundo ela, “a startup consegue fazer uma disrupção dentro da indústria, traz inovação, consegue fazer a indústria pensar um pouco mais ‘fora da caixa’, pode enxergar o problema melhor e propor solução”. Na opinião da executiva, a startup propõe soluções em toda a cadeia, não só na produção. “Pode haver diversos tipos de inovação dentro da indústria”, alertou Fabiana.

Um exemplo de inovação é a Virturian, startup de monitoramento de motores elétricos de Belo Horizonte (MG). A empresa desenvolveu o software Virturian SenseMaker (VSM), que faz análise e virtualização de motores, dentro do conceito da Indústria 4.0, de espaço ciber-físico. “Nós conseguimos auxiliar a indústria em seus processos produtivos; aumentamos sua eficiência”, declarou João Marinheiro, diretor de vendas da empresa.

Ele explicou que, com o software, é possível prever a quebra de motores elétricos, garantindo assim a diminuição do risco de paradas não programadas e catastróficas, que automaticamente geram grande prejuízo para a indústria. A Virturian faz isso através da análise de motores elétricos, respondendo a quatro principais perguntas: se o motor vai quebrar; qual motor seria esse; quando isso irá ocorrer; e o porquê. “Nós medimos corrente e rotação do motor, sem fazer nenhuma instrumentação interna dentro do equipamento”, concluiu Marinheiro.

Já a Phelcom Technologies, startup focada em criar produtos inovadores na área de IoT Healthcare, unindo soluções em óptica, eletrônica e computação, transforma smartphones em equipamentos médicos portáteis e conectados. O primeiro produto da empresa é o Smart Retinal Camera (SRC), que transforma o smartphone em um retinógrafo portátil e conectado. Segundo Diego Lencione, physicist & co-founder da Phelcom, através dele é possível fazer exames de fundo de olho em alta resolução, num equipamento muito mais barato e muito mais acessível. “Estamos testando o equipamento em hospitais e centros de referência em oftalmologia”, informou.

De acordo com Lencione, a Phelcom também está utilizando os mesmos módulos tecnológicos, as mesmas plataformas tecnológicas dos produtos da empresa para as indústrias. “As indústrias nos procuram para automatizar processos, para fazer  processos de inspeção, e nós usamos sistemas de visão computacional, aprendizagem de máquina, que fazemos para os nossos produtos, para aplicação na indústria também”, explicou.

A Nearbee, uma das cinco startups vencedoras do Desafio Cisco de Inovação Urbana, empresa focada em desenvolvimento de tecnologias de rastreamento utilizando plataformas mobiles, smartphones e IoT, também tem levado esse tipo de flexibilidade para a indústria. Felipe Fontes, CEO da Nearbee, declarou que a empresa cria sistemas de logística e monitoramento de time de entrega, de logística um pouco mais flexíveis, que utilizam a própria estrutura. “Nosso sistema viabiliza operações de logística integrada de forma mais eficiente, que inclui desde o motorista utilizando o próprio smartphone até a integração de um equipamento IoT de custo menor”, enfatizou Fontes.

Daniel Uchôa, CEO da OvermediaCast, comentou que já é possível perceber que a indústria está comprando das startups, e que muitas empresas ainda estão se preparando para dar esse passo. “Nós acreditamos que este é um caminho inevitável, isso está acontecendo no mundo inteiro, e a inovação é necessidade de sobrevivência”, analisou o executivo que participou do Fórum.

Para justificar o retorno sobre investimento em serviços de manutenção industrial, a BirminD desenvolveu um software que coleta os dados automaticamente da planta, aprende como funciona aquele processo e modela matematicamente para identificar ali quanto está sendo desperdiçado e qual a oportunidade de melhoria. Diego Mariano de Oliveira, CEO da BirminD, explicou que a ideia é responder para o gestor “quanto ele irá receber de retorno, se ele investir em determinado produto, processo ou em uma melhoria”.

Cliente da BirminD, a BRF possui uma grande área de manutenção, muitos custos no setor e estava em busca de uma solução que possibilitasse fazer um trabalho de planejamento mais preciso, com maior eficiência e menor custo. Cyro Calixto, especialista em engenharia industrial da empresa, disse ter visualizado na BirminD uma oportunidade muito boa através de uma solução apresentada, “que é a predição de tudo isso, de modo que nós possamos conseguir atingir nossos objetivos”.

Com um formato interativo, o palco ABDI permitiu a aproximação do público com os projetos desenvolvidos, esclareceu dúvidas e, principalmente, recolheu sugestões de indústrias, startups, empresariado e academia quanto aos setores produtivos trabalhados pela Agência.

Para Cynthia Mattos, gerente de Desenvolvimento Produtivo e Tecnológico, “a participação das pessoas durante a exposição orientou a conversa do palco ABDI. E esse modelo, característica do ambiente das startups, facilita as relações e conexões entre os atores da inovação no país”.

Texto escrito por Miriam Dias, jornalista e colaboradora de NEI Soluções.  

Inovação e Competitividade ganham destaque no Siemens Industry Symposium 2016

Para falar sobre as tendências, estratégias e desafios para a inovação da indústria no País, a Siemens PLM Software realizará nos dias 31 de outubro, em São Paulo, e 3 de novembro, em Porto Alegre, o Siemens Industry Symposium 2016.

Gratuito, o evento terá entre os palestrantes o vice-presidente e diretor gerente da Siemens PLM Software, Del Costy, responsável pelas vendas, suporte e serviços de entrega à região das Américas. Em sua apresentação, o executivo falará sobre a visão da empresa sobre a inovação na indústria.

Em São Paulo, outro destaque será a palestra de Paulo Mól Júnior, superintendente do IEL Nacional, associação ligada à CNI (Confederação Nacional da Indústria), que abordará o conceito de inovação no meio empresarial. Em Porto Alegre, os participantes poderão conferir a palestra de Heitor José Müller, presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul.

A agenda também inclui temas como gerenciamento da rentabilidade e dos custos na Indústria 4.0, digitalização da manufatura e desenvolvimento virtual com simulações avançadas. Para conferir a agenda completa e se inscrever, clique aqui .


Perspectivas 2016 – Desafios e oportunidades num ano de mais ajustes

O Brasil tem adiante muitos desafios, começando por enfrentar os problemas de governabilidade, e decisões políticas importantes que vão determinar novos rumos. Mas essa não é a primeira vez que enfrentamos turbulências. Já passamos por outras crises, e saímos delas. Novamente teremos que ser resilientes. O cenário desafiador exigirá de todos, inclusive da indústria, muito planejamento, mais jogo de cintura e visão estratégica dos negócios. É hora de “arrumar a casa”.

A indústria tem sido desafiada a encontrar soluções para reduzir custos, melhorar processos, evitar desperdícios e aumentar a produtividade. A preocupação com energia, por exemplo, está impondo ao setor novas rotinas e a introdução de novas tecnologias, ou seja, máquinas e equipamentos mais eficientes, novas fontes alternativas e a adoção de uma gestão eficaz de recursos. Portanto, esses desafios vão continuar.

O mercado de robôs, por outro lado, será crescente. Segundo a pesquisa World Robot Statistics, da International Federation of Robots, até 2018 o mercado global de robôs terá crescido em média 15% ao ano. O número de unidades vendidas passará de 200.000 para 400.000, e China, Japão, EUA, Coreia do Sul e Alemanha serão responsáveis por 70% desse total. Para dimensionar a força desse mercado, a Epson vai impulsionar o desenvolvimento de robôs nos próximos 3 anos, com a estimativa de gerar uma receita anual de robótica, em 10 anos, de US$ 833 milhões.

E tem mais: o mercado global de IoT (Internet das Coisas) prevê triplicar para US$ 1,7 trilhão até 2020, conforme apontou recente pesquisa da IDC – International Data Corp. A própria indústria automobilística já começa a se preparar para a era móvel e conectada. Esses são apenas alguns exemplos da dimensão do que vem por aí com a Indústria 4.0 – a chamada quarta revolução industrial, que promete modificar os modos atuais de produção e será marcada pela integração, conectividade, adaptabilidade e sustentabilidade. Novas tecnologias já despontam e outras virão, cedo ou tarde chegarão aqui.

Ao mesmo tempo que acontece uma corrida tecnológica lá fora, estamos vivenciando momentos de turbulência política e econômica no mercado interno, com muitos desafios, como colocar as finanças públicas em trajetória sustentável, combater a corrupção e recuperar a confiança de empresários e da sociedade. Para saber como esse cenário vai impactar a indústria em 2016, consultamos especialistas em economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, Universidade de Campinas – Unicamp e Fundação Getulio Vargas – FGV.

Com a palavra, os economistas
Especialistas consultados por NEI confirmam que a economia brasileira vai continuar em recessão em 2016 – fato já esperado. O Relatório Focus do Banco Central, divulgado em dezembro, confirma isso. O mercado prevê retração do PIB de 3,50% em 2015 e 2,31% em 2016. Em relação à produção industrial, a queda prevista será de 7,60% em 2015, e 2,40% em 2016.

Segundo José Luis Oreiro, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, o PIB industrial deverá continuar seu processo de queda no primeiro semestre de 2016, mas a estimativa é de que apresente recuperação no segundo semestre, impulsionado pelo aumento das exportações de manufaturados e pela substituição de importações por produção doméstica em função da taxa de câmbio mais desvalorizada. O dólar deverá continuar se valorizando frente à nossa moeda, alcançando cerca de R$ 4,50 no final de 2016, o que é considerada uma boa notícia pelos economistas que colaboraram com este artigo.

Setores com capacidade de exportar têm mais oportunidade de sair primeiro da crise e contribuir para puxar o resto da economia, afirma Antônio Márcio Buainain, professor do Instituto de Economia da Unicamp. De acordo com o docente, o setor automobilístico deve apresentar ligeira recuperação em relação a 2015, assim como a construção civil, principalmente se o governo conseguir retomar o programa de concessões e organizar o financiamento habitacional.

Com a taxa de câmbio mantida nessas condições, a produção e as vendas da indústria nacional também apresentarão sinais consistentes de recuperação, prevê Oreiro. E isso tende a se refletir no aumento de investimentos em modernização e atualização do equipamento de capital. O parque fabril brasileiro tem máquinas e equipamentos com idade média em torno de 17 anos, segundo estudos do professor David Kupfer do Instituto de Economia da UFRJ – o que reforça a urgência de modernização. Na Alemanha, por exemplo, esse tempo é de apenas 7 anos, 40% menos que no Brasil.

“A defasagem reflete o baixo nível de investimentos na modernização e atualização de ativos nos últimos dez anos em função dos efeitos negativos da taxa de câmbio sobrevalorizada em relação à rentabilidade dos investimentos na indústria. À medida que a taxa de câmbio ficar novamente competitiva, os investimentos em modernização se tornam novamente lucrativos. Assim o hiato tecnológico da indústria brasileira irá se reduzir ao longo do tempo, aumentando sua capacitação tecnológica”, afirma Oreiro.

Buainain sugere que, para se modernizar, a indústria terá também que importar bens de capital, mas o custo deve ser reduzido por políticas tarifárias mais consistentes com a realidade global, ou seja, diminuindo-se a proteção à indústria brasileira de bens de capital. Segundo o docente, isso pode ser feito preservando os incentivos para o setor de bens de capital baixar seus custos, se modernizar e se qualificar para participar de forma ativa da retomada do crescimento industrial no Brasil.

Um forte indicador nesse sentido foi a notícia de redução do imposto de importação para 158 máquinas e equipamentos industriais sem produção nacional equivalente – os chamados ex-tarifários – até 30 de junho de 2017. Com a redução das alíquotas, que passaram de 14% para 2%, no caso de bens de capital, e de 8-18% para 2%, para bens de informática e telecomunicações, os custos de vários projetos industriais, os quais totalizam investimentos globais de aproximadamente US$ 640,4 milhões, tendem a diminuir. Pelas informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, serão beneficiados projetos para fabricação de motores para veículos, equipamentos de exploração de petróleo e equipamentos para sistemas de comunicação óptica, entre outros.

Mercado externo
É importante lembrar que a retomada de confiança e do investimento – que é fundamental – vai depender não apenas da evolução da situação política e das expectativas, como também do comportamento do setor externo, principalmente o relacionado à demanda chinesa, principal parceiro comercial do país, alertou Danilo Sartorello Spinola, consultor da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal – Nações Unidas).

De acordo com o último relatório semestral da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico, a China deve desacelerar em sua taxa de crescimento para 6,8% em 2015, alcançando 6,2% em 2017, quando a atividade econômica deve se reequilibrar. Para os EUA, estima-se um crescimento do PIB de 2,5% no próximo ano e 2,4% em 2017. Já para a Zona do Euro projeta-se um aumento de 1,8% de atividade em 2016 e 1,9%, em 2017. Para o Brasil, a OCDE prevê que a recuperação só aconteça em 2017, quando é esperado um aumento do PIB de 1,8%, desde que melhorem os resultados fiscais, haja controle da inflação e se reestabeleça a confiança.

Pondo a casa em ordem
Muito se tem ouvido falar que a crise oferece oportunidade de crescimento. Antonio Buainain, do Instituto de Economia da Unicamp, diz que muitas empresas de setores industriais e de serviços conseguem melhorar sua produtividade. “De imediato essa melhora se dá pelas demissões, mas com poucos gastos é possível melhorar os processos, cortar desperdícios e se preparar para crescer de forma mais saudável quando o mercado reverter”, afirmou.

Felippe Serigatti, professor e pesquisador do Centro de Agronegócios da FGV, mencionou que o aumento de produtividade nas cadeias industriais tem sido prejudicado pelos elevados custos de produção decorrentes de mão de obra cara e pouco produtiva, carga tributária elevada, infraestrutura precária e, até 2014, taxa de câmbio que tornava os bens importados mais barato que os do mercado doméstico. Não é à toa que esses são alguns dos desafios que compõem as agendas de discussão das entidades representativas da indústria do país.

Uma das ações recentes da CNI para elevar a produtividade das empresas é o programa Indústria + Produtiva – desenvolvido em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – SENAI, cujo propósito é estimular as empresas a produzir mais e melhor com os recursos existentes, permitindo reduzir desperdícios, organizar a produção e oferecer melhorias de gestão capazes de trazer resultados em pouco tempo. Aumentar a produtividade é imprescindível: no Brasil, além de baixa, ela cresceu apenas 6,6% entre 2002 e 2012 contra índices superiores a 30% em economias como Japão e Estados Unidos, informou a CNI. Podemos afirmar, sem dúvida alguma, que a produtividade também depende da melhoria da gestão das empresas.

Outras orientações de especialistas são repensar estratégias, produtos e processos, e desenvolver programas de melhoria contínua em busca da maior eficiência possível. A lição de casa deve pautar inclusive as discussões nas empresas de micro e pequeno porte, sem exceção.

Durante o 15° Seminário de Planejamento Estratégico Empresarial 2016, realizado no final de 2015 pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – Abimaq, e que teve como tema “Desafios para o Planejamento de 2016”, Carlos Pastoriza, presidente da entidade, reforçou a necessidade de se “arrumar a casa”, aumentar o market share em relação aos importados no mercado interno e aumentar as exportações. Na ocasião, Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas – CSMIA, orientou as empresas a melhorar seu planejamento orçamentário de vendas, conhecendo suas variáveis, os fatores econômicos e sociais que impactam diretamente o negócio, assim como elaborar previsões de vendas, revisar o plano mensalmente e inserir programas internos para dar maior velocidade às mudanças.

O tema “qualificação de mão de obra” também norteou as discussões e se pôs como um dever de casa. Nesse contexto, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, também afirmou, durante sua palestra no 10° ENAI, que a educação é um componente importante da produtividade e um desafio sobre o qual as lideranças precisam ter foco e objetivos claros.

O Brasil tem uma agenda cheia e muitos desafios a enfrentar a partir deste ano. Como diz a Carta da Indústria 2015 – documento consolidado durante o 10º Encontro Nacional da Indústria – ENAI, organizado pela Confederação Nacional da Indústria – CNI, em novembro, em Brasília: “O momento impõe urgência à correção de rotas e enfrentamento de questões econômicas, políticas e institucionais. Mas o Brasil já enfrentou outros momentos difíceis e graves. E soube enfrentá-los.”

E é sempre bom lembrar que, apesar de todas as turbulências, somos a 7ª economia mundial, com um PIB de US$ 2,3 trilhões.


Uma amostra da inovação para otimizar os processos produtivos

Estamos em um momento em que a inovação é mais que necessária, é uma questão de sobrevivência”, destacou Gisela Schulzinger, presidente da Associação Brasileira de Embalagem – ABRE. “Precisamos buscar alternativas ‘fora da caixa’ para superar um ano atípico, mas com situações já esperadas por todo o mercado. Inteligência e estratégia são duas palavras que devem ser incorporadas pelas empresas de todos os segmentos.” 

Enquanto se aguarda o novo ciclo de crescimento a partir de 2016, previsto pelos cientistas econômicos, a palavra de ordem é inovar, um dos mandamentos listados pelos próprios economistas para este ano de ajuste. E no setor de embalagem a situação não é diferente, pois acompanha os demais, já que atua com diversas indústrias, tanto de matérias-primas quanto as usuárias, sendo a interface do produto para o consumidor e, portanto, deve ser vista como parte integrante do produto. Por isso, esta seção reúne novas soluções para o mercado de embalagens, uma amostra da inovação de empresas empreendedoras, que proporcionam aumento da produtividade e da qualidade em sua fábrica. E nos próximos meses, veja mais lançamentos, já que ocorreu recentemente a Fispal Tecnologia – Feira Internacional de Processos, Embalagens e Logística para as Indústrias de Alimentos e Bebidas, no Anhembi, em São Paulo-SP.

A equipe de reportagem da Revista NEI questionou professores de engenharia de produção, materiais, embalagens e alimentos para descobrir as novidades na área de processos industriais de embalagens. E as respostas foram unânimes: bioplásticos, derivados de fontes de biomassa renováveis, como milho e cana-de-açúcar, que, como alternativas aos originados do petróleo, causam menor impacto ambiental.

José Alcides Gobbo Junior, pós-doutor no departamento de Packaging Logistics da Lund University, Suécia, e livre-docente da Faculdade de Engenharia de Bauru da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp, citou os bioplásticos de especial interesse para o Brasil, já que o País é fonte de recursos renováveis e tem grande parte do lixo urbano depositado em aterros. “Bioplásticos podem ter um papel essencial na satisfação de necessidades como a mitigação da mudança climática”, disse Junior. “Existe um consenso de que eles serão necessários em um futuro de baixo carbono.”

Segundo o livre-docente, os bioplásticos têm aplicações e características que crescentemente se assemelham às dos plásticos comuns. Podem ser processados utilizando-se tecnologias convencionais; apenas os parâmetros dos equipamentos precisam ser ajustados para as especificações de cada tipo. Apesar do custo mais elevado, os preços têm continuamente caído dado o crescimento da demanda e o potencial aumento do custo de petróleo, mas ainda é pouco explorado. Embalagem é o mercado principal, mas há aplicações em etiquetas, brinquedos, cosméticos, contêineres e nos setores automotivo, eletrônico e têxtil, como roupas de segurança.

O professor explicou que os bioplásticos são uma família de materiais que variam de um para outro. Existem três grupos: bioplásticos integrais ou parciais (não biodegradáveis), exemplo PE, PET e PP; bioplásticos biodegradáveis, como PLA e PHA; e novos biopolímeros à base de recursos fósseis, PBAT e PCL, por exemplo. Os materiais do segundo e do terceiro grupo são biodegradáveis e, sob certas circunstâncias, compostáveis. Produtos de polímeros biodegradáveis, que sejam certificados como compostáveis, podem ser utilizados em compostagem industrial. Dependendo do tipo de material/aplicação, os bioplásticos podem ser reciclados nos fluxos existentes.

Carlos Eduardo Sanches da Silva, pró-reitor de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal de Itajubá, além de pós-doutor em engenharia de produção, informou que a tecnologia para as biorrefinarias vem sendo desenvolvida no Brasil em universidades – com destaque para a rede colaborativa Network of Excellence in Biomass and Renewable Energy – Nobre, que reúne USP, UFRJ, Unicamp e UFRN, empresas e agências de fomento do Brasil e da Finlândia –, cujas pesquisas devem resultar em soluções que possam ser utilizadas pelo setor produtivo que atua em atividades florestal, química, de petróleo e biomassa.

Os filmes biodegradáveis, películas finas comestíveis ou não preparadas a partir de materiais biológicos e até rejeitos da indústria alimentícia, foram os destaques da entrevista realizada com Carla Saraiva Gonçalves, mestre e doutoranda em Ciência dos Alimentos e professora da Universidade Federal de Viçosa, e com Márcio de Andrade Batista, doutorando em engenharia mecânica, mestre em engenharia química e professor da Universidade Federal de Mato Grosso. “Já pensou em colocar uma pizza no forno sem precisar retirar a embalagem plástica?”, questionou a docente. “O filme ou película que a envolve pode ser composta por tomate e, ao ser aquecida, se incorpora à pizza, fazendo parte da refeição. Esse material já existe e foi desenvolvido por pesquisadores da Embrapa Instrumentação, que produziram películas comestíveis de diferentes alimentos, como espinafre, mamão, goiaba e tomate. A Unicamp também já desenvolveu filmes comestíveis.”

Segundo Carla, os materiais têm características físicas semelhantes às dos plásticos convencionais, como resistência e textura, e igual capacidade de proteger alimentos. O fato de poderem ser ingeridos abre um imenso campo a ser explorado pela indústria de embalagens.

“Acredito que em breve as embalagens vacuum forming possam utilizar biofilmes comestíveis”, opinou Batista. “As com cascas de babaçu e cascas de castanha-de-baru podem ser novidades interessantes e de boas aplicações futuras.”

Outra novidade foi comentada por Gobbo Junior. São as Intelligent Tags, usadas para mensurar a temperatura acumulada e o tempo de exposição do produto e da embalagem à determinada temperatura, da produção ao consumo. Já a engenheira de alimentos citou a injeção digital e uma série de novas possibilidades na impressão digital para tubos, potes e garrafas. E o livre-docente finalizou que o Estado da Arte no setor é o uso de grafeno, bioplásticos e polímeros biodegradáveis com características de barreiras de qualidade superior, tecnologias de impressão de circuitos e nanotecnologia. “Muitos desses exemplos não têm aplicações comerciais ainda, mas em breve veremos sistemas de embalagem/produtos advindos dessas tecnologias”, disse.

De acordo com Carla, o desenvolvimento de materiais para embalagem de alimentos é a categoria de destaque das aplicações da nanotecnologia. Porém, compartilha a ideia de autores de que a produção de nanopartículas e de materiais nanoestruturados em escala industrial traz consequências imprevisíveis quando comparada aos métodos tradicionais. O que se descobriu ainda é considerado insuficiente para contato com o meio ambiente e o corpo humano.

Há quem diga que o principal nessa área não são as tecnologias, mas sim o pensamento racional do uso/reúso das embalagens. Na visão de Diego Fettermann, doutor e professor de engenharia de produção da Universidade Federal de Santa Catarina, práticas de aproveitamento, redução de matéria-prima e peso e reciclagem são as principais necessidades da área atualmente.

O futuro
Na visão de Gobbo Junior, para a melhora da indústria de embalagens, é necessário ter uma visão holística, considerando uma alteração de perspectiva de fornecedor de commodities para provedor de novas oportunidades e soluções.

Fettermann completou que a indústria de embalagem deve estar integrada ao projeto do produto e da logística de forma a otimizar o processo de produção e distribuição, combinando com o conhecimento das necessidades do consumidor final. Assim, a embalagem deve ser pensada de forma integrada.

Quanto à mão de obra, Silva informou que a formação qualificada ainda é escassa. “A curva de aprendizagem dura anos, o domínio tecnológico é desenvolvido no trabalho, são poucos especialistas que atuam na área, sendo comum a formação no exterior; e as competências necessárias envolvem vários conhecimentos, por exemplo, materiais, desenvolvimento de produtos, automação de processos e legislações”, justificou, deixando um alerta para as instituições de ensino, nas áreas de graduação, pesquisa e pós-graduação.

Dever de todos

Há quem diga que o principal nessa área não são as tecnologias, mas sim o pensamento racional do uso/reúso das embalagens. Na visão de Diego Fettermann, doutor e professor de engenharia de produção da Universidade Federal de Santa Catarina, práticas de aproveitamento, redução de matéria-prima e peso e reciclagem são as principais necessidades da área atualmente.

  • Para moderar o consumo de água e/ou energia, em primeiro lugar deve-se reciclar as embalagens.
  • Aperfeiçoar ou substituir os processos, focando também: redução e reutilização.
  • Estabelecer metas de consumo diário/semanal/mensal e fiscalizar.
  • Sugestão da profa. Carla Gonçalves, da Universidade Federal de Viçosa, é trocar embalagens de alumínio pelas de aço. A produção consome menos água e energia quando comparada com a de outros materiais, e a decomposição leva em média cinco anos, sem comprometer o solo. É 100% reciclável, sem que o aço perca as propriedades.
  • Aumentar a produção do refil para conservar a embalagem original.
  • Evitar desperdício. A embalagem inadequada pode causar prejuízo ao produto interno, que pode ser destruído devido à falta de proteção correta. Nesse caso, o produto e a embalagem são desprezados. Do ponto de vista ambiental, é melhor otimizar o sistema de embalagem.

 


Grupo IMI agrupa suas marcas em três divisões de negócios

O Grupo IMI plc passa por reestruturação global com o objetivo de integrar todas as suas empresas em três áreas. São elas: Precision Engineering, Critical Engineering e Hydronic Engineering. No mundo a integração resultará em mais de 20 marcas e 12 mil funcionários, atendendo 14 indústrias globais. Todas as empresas acrescentaram o nome IMI.

A operação brasileira receberá novos investimentos em inovação de produtos e fábricas, distribuição, serviço ao cliente e suporte pós-venda. No País, atuam quatro empresas: Norgren, Interativa Válvulas, CCI e Tour & Andersson. A América Latina representa hoje 5% do faturamento da IMI.

“Com a mudança estamos dando um passo importante para transformar a IMI em uma grande companhia de classe mundial”, afirmou Ricardo Rodrigues, presidente da IMI Precision Engeneering Latam. “Não estamos apenas mudando de marca, mas estrategicamente compartilhando expertise e tecnologia de todas as nossas divisões. Assim, vamos fornecer um portfólio maior de produtos, além de experiência técnica, presença e recursos internacionais”.

Divisões

IMI Precision Engineering – soluções para automação industrial, controle de fluidos e sistemas pneumáticos para a indústria ferroviária, de veículos comerciais, energia, alimentos e bebidas e life sciences. Marcas: IMI Norgren, IMI Buschjost, IMI Herion, IMI Maxseal e IMI FAS.

IMI Critical Engineering – fornecedor de tecnologias de controle de fluidos para a geração de energia, petróleo e gás, petroquímica, siderurgia e indústria nuclear. Marcas: IMI CCI, IMI Fluid Kinetics, IMI InterAtiva, IMI NH, IMI Orton, IMI Remosa, IMI STI, IMI SSF, IMI TH Jansen, IMI Truflo Marine, IMI Truflo Rona e IMI Z&J.

IMI Hydronic Engineering – marcas: IMI Pneumatex, IMI TA, IMI Flow Design e IMI Heimeier.


Retomada de confiança

Na edição de fevereiro da Revista NEI e aqui, neste canal de notícias, um artigo exclusivo sobre as perspectivas para o Brasil em 2015 reúne a opinião de vários economistas e especialistas do País, consultados por NEI, sobre o cenário político e econômico, e como todas as mudanças previstas devem impactar no desenvolvimento da indústria. Com o anúncio da nova equipe ministerial no final de 2014, optamos por divulgar este artigo em fevereiro, comumente publicado em janeiro.

Os desafios são muitos, como a retomada de confiança de empresários e consumidores, e do diálogo, permitindo à indústria resgatar seu papel na discussão econômica. Como afirmou o novo líder do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior – MDIC, Armando Monteiro Neto, que já presidiu a Confederação Nacional da Indústria – CNI entre 2002 e 2010, crescer pela indústria é sempre o melhor caminho. Entre medidas importantes previstas estão reformas microeconômicas para melhorar e simplificar o ambiente tributário e regulatório, incentivos ao investimento e à renovação do parque fabril, estímulos à inovação e política de comércio exterior mais ativa.

O ano de 2015 será de ajuste: é hora de “arrumar” a casa. À medida que a confiança aumentar – e isso está acontecendo gradativamente, afirmam os especialistas –, será hora de planejar, investir, buscar produtividade com inovação para elevar a competitividade e se preparar para a aproveitar as oportunidades geradas pelo novo ciclo de crescimento esperado a partir de 2016.

Em fevereiro trazemos também uma seção especial sobre Indústria Mecânica, reunindo uma seleção de novas máquinas, equipamentos e dispositivos direcionados às áreas produtivas que podem contribuir com a otimização de processos e a modernização de fábricas. Para conhecer as inovações mais recentes da área mecânica, a equipe editorial de NEI conversou com especialistas da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Escola de Engenharia de São Carlos. Eles apontam como destaque os robôs com sentido sensorial para segurança, que operam de forma colaborativa em ambientes com humanos; os robôs manipuladores com estrutura mecânica paralela; e ainda os robôs com topologia híbrida, ou seja, duas estruturas mecânicas: a mecânica e a serial. Outra tecnologia citada pelos especialistas, e que já temos trazido em edições anteriores, é a impressão 3D de produtos metálicos.

As inovações estão acontecendo no mercado global. É preciso acompanhar as tendências e estar atento em como tudo isso pode ajudar sua empresa a se modernizar. A introdução de novas soluções tecnológicas contribuem, com certeza, com o desenvolvimento de produtos melhores e mais competitivos.

Para acessar a Revista NEI digital, basta fazer seu cadastro neste link: http://www.nei.com.br/revista/cadastro?origem=home

 


Mais de R$ 42 mi investidos em modernização levam a Imbil a aumentar sua receita líquida em 33%

3, dezembro, 2014 Deixar um comentário

De 2010 a 2014, a empresa nacional de bombas centrífugas renovou seu parque fabril, lançou produtos e conquistou novos mercados e clientes. Tudo graças a um plano estratégico que prevê investimentos em novas  tecnologias, especialização de processos, ampliação da fábrica, reestruturação de vendas e treinamentos, e expansão para novos mercados.

Quando a crise financeira mundial eclodiu no final de 2008 e início de 2009, causando turbulências na economia de vários países, muitas empresas brasileiras suspenderam ou adiaram seus projetos de expansão e modernização, mantendo uma postura mais cautelosa. O Brasil não foi então profundamente afetado pela crise, mas registrou alguns entraves ao crescimento, como queda no consumo das famílias, redução no investimento das empresas e aumento de desemprego, levando, na época, o governo a lançar pacotes anticrise. Foi um momento de expectativa e incertezas, registradas diariamente pelos grandes veículos de comunicação, que divulgavam informações sobre o vaivém da economia. A notícia da seção de Economia/Negócios do Estadão de março/2010 é um exemplo: “PIB do Brasil fecha 2009 com retração de 0,2%, a primeira queda anual em 17 anos”.

Para algumas empresas, a crise que se estabelecia e se insinuava  na época foi encarada como oportunidade de desenvolvimento. Ou investiam para melhorar seus processos e produtos, e crescer, ou enfrentariam um período de estagnação, com consequente perda de competitividade. Ao redor do mundo muitos economistas divergem sobre a crise financeira, mas concordam que a capacidade de inovar é o diferencial mercadológico para as empresas. As companhias que acreditaram nisso foram as primeiras a elaborar ou reativar seus projetos de estímulo à inovação.

Optando por “colocar o pé no acelerador”, a fabricante nacional de bombas centrífugas Imbil encarou a desafiadora situação, utilizando a inovação como ferramenta-chave para ampliar seus negócios. A companhia elaborou o Plano Estratégico Rumo a 2015 – Inovando em Busca da Excelência que combinava investimentos em tecnologia e inovação de gestão. Graças às ações de modernização, que envolvem compra de tecnologias, especialização de processos, aumento da fábrica, expansão da atuação e treinamentos, a Imbil ampliou seu portfólio de produtos, lançando em média 60 novos modelos por ano, desde a implantação do plano, e conquistou novos mercados, como os de petróleo e gás, tornando-se, inclusive, fornecedora da Petrobras. Investiu mais de R$ 42 milhões na compra de máquinas, equipamentos e estrutura física. Alguns números comprovam que o plano de modernização ajudou a empresa a crescer: de 2011 a 2014 a Imbil registrou aumento de receita líquida de 33% e de lucro bruto de 59%.

“Quanto mais pessimista está o cenário econômico e político do País, mais cedo acordamos, idealizamos, produzimos, lançamos produtos e nos reinventamos.” Esse discurso empreendedor de Vladislav Siqueira, diretor executivo, move a empresa em seus 32 anos. Localizada em Itapira, SP, a Imbil tem hoje cerca de 900 funcionários.

O Plano Rumo a 2015
O planejamento estratégico executado previa o desenvolvimento da empresa em várias frentes, como a tecnológica, a física e a comercial. Era preciso melhorar os processos produtivos e acelerar o desenvolvimento de novos produtos, passando pela renovação tecnológica do parque fabril; reduzir perdas e garantir maior flexibilidade e agilidade aos processos – benefícios proporcionados pela descentralização e racionalização das unidades de produção.

Além disso, expandir-se para novos mercados, como os de óleo e gás, mineração, papel e celulose, e saneamento, passou a ser a meta primordial para a conquista de novos clientes. Para atingir esse objetivo, o desenvolvimento de produtos específicos e a adoção de nova política comercial precisaram ser perseguidos. O plano ainda previu o desenvolvimento de nichos específicos em mercados já atendidos pela Imbil, também a partir do desenvolvimento de soluções direcionadas. Na ponta, a reestruturação de toda a área comercial e da rede de distribuição, e o fortalecimento da marca, com o investimento em publicidade e a participação em feiras, foram determinantes para mostrar ao mercado a oferta de novas soluções e o comprometimento com a inovação.

As metas estabelecidas no início do plano exigiam decisões corajosas. Investir em novas tecnologias não era suficiente. Desde sua implantação, foi indispensável primeiramente motivar as pessoas, engajando-as e fazendo-as entender como valores da empresa as atividades que consideravam apenas prioritárias, como gestão de qualidade, processos de melhoria contínua, gerenciamento de pessoas e segurança no trabalho. O processo inovativo passava obrigatoriamente por aqui.

Considerando essas duas frentes, tecnológica e de recursos humanos, a Imbil consegue, hoje, mostrar algumas das conquistas importantes proporcionadas por esse plano estratégico.  Entre elas estão:

Produção mais eficiente
A aquisição de máquinas, equipamentos, softwares ehardwares melhorou a eficiência e agilizou a produção.Tecnologicamente mais preparada, registra lançamento médio anual de 60 novos produtos (somente com suporte ANSYS CFX e SolidWorks).

Especialização
Adquiriu know-how para dominar o processo de fundição de ligas inoxidáveis e especiais, como aços duplex, superduplex, Hastelloy, Monel e alto-cromo, permitindo maior competitividade e flexibilidade nas aplicações; e também o processo de fundição de precisão, tipo lost wax, com obtenção de alta eficiência energética nas bombas de pequeno porte. Com isso, passou a fundir os rotores de pequeno e médio porte com pequenos detalhes na geometria, determinantes para o bom desempenho hidráulico e rugosidade superficial.

Como a eficiência hidráulica aumenta, o consumo de energia diminui, tornando a operação mais econômica. No caso de uma bomba acoplada a um motor de 125 cv, com a melhoria da eficiência de bombeamento de 3 a 5% absolutos, a economia anual pode passar de 50 mil kWh, com redução do custo de cerca de R$ 12 mil por bomba na conta de energia elétrica.

Em suma, a Imbil oferta hoje produtos mais eficientes e sustentáveis.

Ampliação da fábrica
Para descentralizar as operações produtivas, ampliou a fábrica, ao comprar área próxima à empresa (totalizando 120 mil m²) e a dividiu em unidades, cada uma voltada para um nível de especialização. São elas: Bombas de pequeno porte, Bombas de médio porte, Bombas de grande porte, Bombas para óleo e gás, Fundição de ferro fundido e WCB, Fundição de precisão, Fundição de aços inoxidáveis e ligas especiais, Contratos e serviços de manutenção, Centro de desenvolvimento e Acoplamento e expedição.

Conquista de novos mercados e clientes
Obteve o Certificado de Registro de Classificação Cadastral – CRCC para fornecimento de serviços e produtos á Petrobras, incluindo bancada de ensaio de performance e os referentes à norma API 610. Tornou-se também fornecedora de bombas para a Vale, como as revestidas com Ni-Hard com mais de 700 HB de dureza. Além da Petrobras e da Vale, conquistou outros clientes, como Enseada Indústria Naval – Unidade Paraguaçu, Jari Celulose e Bayer.

Reestruturação de vendas
Criou novos grupos de vendas para atender os setores de óleo e gás, naval, papel e celulose e arroz irrigado. Além disso, aumentou o número de distribuidores autorizados e contratou profissionais para reforçar o departamento de exportações, que até 2009 dedicava-se apenas à América Latina.

Consolidação da marca
A partir de 2010, passou ainda a investir mais na divulgação e consolidação da marca, com anúncios em revista especializada, materiais promocionais dos produtos e presença em feiras de negócios nacionais e internacionais.

 

“O planejamento das ações e muito trabalho ao longo desses anos valeram a pena”, destacou Gleidemilson Batista, assessor da diretoria. “O projeto não só ajudou a amenizar os efeitos da crise, como também nos preparar melhor para enfrentar os desafios do mundo econômico e nos tornar mais competitivos. Para nós, crise é sem o ´s´, ou seja: crie.”

Para definir o conjunto de ações, a Imbil estruturou-se também nas informações do potencial do setor – adquiridas com a colaboração da Abimaq e da Sociedade Brasileira do Vácuo –; e da economia global. Embora reconheça a importância de se acompanhar mercados, indicadores econômicos, projeções, tendências, etc., o diretor executivo afirmou que a sobrevivência e o sucesso de uma empresa dependem, fundamentalmente, da sua capacidade de elaborar e implantar um planejamento estratégico consistente, trabalhar incansavelmente para atingir suas metas e, principalmente, adequar seus produtos e recursos para buscar as melhores e mais rápidas soluções para as necessidades dos clientes.

Batista lembrou que dificuldades existiram, como a obtenção de recursos financeiros em linhas de longo prazo, considerando as taxas de juros e os spreads; e o processo de desenvolvimento e de maturação das soluções tecnológicas, que foram superadas com planejamento.

“Mesmo que o cenário tenha mudado e oferecido potenciais restrições, a Imbil não aceita parar de crescer ou se desenvolver”, disse Siqueira. “Acreditar na possibilidade de realizar nossos sonhos desperta a energia capaz de realizá-los. A motivação, a criatividade, a velocidade de decisão, o uso consciente de recursos e a nossa união estão presentes diariamente em nossas ações rumo à construção do futuro que desejamos.”

Atualmente a companhia concentra suas forças na conclusão do projeto, mas já planeja seu novo conjunto de metas, batizado de Rumo a 2020, que, segundo Batista, está em fase evoluída. E os objetivos maiores continuam no novo plano: modernização, desenvolvimento de produtos, aperfeiçoamento de processos, conquista de novos clientes e fidelização, e educar e reeducar o time de profissionais. “Consideramos a tecnologia intrínseca à evolução”, enfatizou o assessor.

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Reportagem produzida pela Central de Geração de Conteúdo de NEI Soluções.    


I Encontro de Líderes da Indústria debate produtividade e inovação para crescimento do Brasil

Em comemoração aos 40 anos da Revista NEI e 30 edições da Feira Internacional da Mecânica, foi realizada nesta manhã o I Encontro de Líderes da Indústria, no hotel Holiday Inn, ao lado do Anhembi, em São Paulo, onde é realizada a feira, que segue até 24 de maio. Organizado por NEI Soluções e pela Reed Exhibition Alcantara Machado, promotora da Mecânica, o encontro foi composto por duas palestras: “Produtividade e crescimento no Brasil”, com Ildefonso Alvim de Abreu e Silva e Bjorn Hagemann, sócios da McKinsey & Company; e “Inovação tecnológica na indústria – condição para a modernização e a competitividade interna e externa”, com Marcelo Prim, diretor nacional de Inovação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial – Senai.

Na ocasião, os sócios da McKinsey & Company comentaram cinco mudanças que influenciarão as empresas nacionais. São elas: grande equilíbrio entre as balanças dos países; desaceleração do crescimento demográfico populacional compensado por ganho de produtividade; demanda por recursos finitos aumentando e fornecimento se tornando mais volátil; crescente fluxo de dados permitirá novos níveis de controle, colaboração e extração de valor; e avanços econômicos. Para eles, parte dos ganhos sustentáveis de competitividade tem início na modernização das práticas e processos das empresas e, apesar da melhora da competitividade brasileira, o País está longe do patamar ideal. “A iniciativa privada continuará sendo a impulsionadora do desenvolvimento, devido aos desafios relacionados à eficácia do governo”, disseram. “A produtividade será o maior fator do crescimento futuro do PIB brasileiro, em função de nossa pirâmide populacional e nível de emprego.”

Já o diretor do Senai dedicou sua palestra aos problemas vividos no Brasil que atrasam a subida de posições na lista dos países mais  inovadores. Comentou a falta de investimento, laboratórios, centros de pesquisas e inovação, educação, profissionais qualificados e de parcerias entre empresas e universidades, entre outras necessidades. Além do trabalho realizado para melhorar essa posição, como as atividades do Senai, o Brasil tem muito para evoluir. Para Prim, a educação é a base, e citou como exemplo a Suíça, que se tornou a primeira do ranking porque investe arduamente em educação. O diretor afirmou que o trabalho é longo e vai demorar de 20 a 30 anos para o Brasil subir alguns níveis, mas que é possível acelerar se houver criação de muito mais parcerias internacionais e incentivos para que pequenas se tornem médias empresas e médias se transformem em grandes.

A maior feira industrial do Brasil é fundamental na trajetória de NEI

A Feira Internacional da Mecânica é parte importante da história de NEI. A equipe editorial visitou todas as edições desde 1974, a fim de divulgar as tendências mundiais de diversos setores, contribuindo para a modernização do parque industrial do Brasil e de vários países nestas três décadas. Além disso, como de costume, no mês do evento e no anterior, NEI antecipa diversos lançamentos para que os leitores possam fazer os contatos previamente e programar a visita aos expositores dessa megafeira.

Na 30ª edição são expostas mais de 2.100 marcas nacionais e internacionais, com participação de empresas da Itália, Espanha, Áustria, República Checa, Turquia, China, Taiwan, Japão, Argentina e outros países. A organizadora prevê 100 mil visitantes qualificados.


Grande ABC é responsável por 13,7% do faturamento nacional do setor químico, aponta pesquisa

O faturamento da indústria química do Grande ABC é de R$ 49,5 bilhões por ano, que representa 13,7% do segmento no Brasil. São 1.330 empresas que empregam 50.169 pessoas, com salário médio de R$ 3 mil, valor de duas a três vezes maior que a média da indústria de transformação brasileira. O Valor Adicionado Fiscal é de R$ 10,2 bilhões (2011), o que contribui para o desenvolvimento econômico. Os dados são da pesquisa “A importância da indústria química para o desenvolvimento econômico do Grande ABC”, divulgada pela Braskem e pela consultoria Maxiquim.

O estudo demonstra alto impacto da região no cenário nacional, com concentração: 63% da indústria de tintas e vernizes, 45% das empresas de transformação de borrachas, 33% da indústria de produtos de limpeza doméstica e 24% das empresas de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos.

“É preciso aumentar a inovação e os investimentos na região”, disse Rafael Marques, presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. “O setor plástico pode crescer no Grande ABC e a nossa área disponível favorece o setor, que é formado por pequenas indústrias”. A pesquisa destaca a alta concentração de micros e pequenas empresas, que somam 91,8% das empresas no Grande ABC, as médias representam 16% e as grandes, 1,1%.

Apesar da importância da indústria na região, o estudo aponta que o setor vem perdendo produtividade e representatividade nos últimos dez anos, já que tem crescido em ritmo mais lento do que a média brasileira.


Brasil receberá mais de R$ 100 mi para pesquisa

Neste mês, George Osborne, ministro das Finanças do Reino Unido, em cerimônia na Universidade de São Paulo – USP, anunciou o lançamento do Fundo Newton, que tem como foco o desenvolvimento científico em países emergentes. Totaliza cerca de R$ 1,4 bilhão para 15 países por três anos. O Brasil ficará com mais de R$ 100 milhões, com apoio financeiro de instituições do País voltadas à pesquisa. Estão inclusos no plano: Brasil, China, Índia, Turquia, África do Sul, México, Chile, Egito, Colômbia, Casaquistão, Tailândia, Indonésia, Vietnã, Filipinas e Malásia.

Serão apoiados projetos de pesquisa científica, desenvolvimentos de inovações, intercâmbios de pesquisadores e estudantes, relações entre instituições de ciência e criações de parcerias entre o Reino Unido e o Brasil em diversas áreas. A primeira parceria será com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa – Confap.