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Empresários e trabalhadores se unem para fortalecer a indústria de transformação

Na abertura do lançamento da Coalizão Indústria – Trabalho para a Competitividade e o Desenvolvimento, realizado nesta semana, no Anhembi, em São Paulo-SP, Carlos Pastoriza, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos – Abimaq, discorreu: “Este não é um movimento de oposição a quem quer que seja e não é partidário. É um grande grito de alerta à sociedade e ao governo, um grito de alerta para essa destruição da pátria”.

Reunindo cerca de duas mil pessoas, incluindo 42 entidades patronais da indústria da transformação de segmentos diversos e quatro centrais sindicais de trabalhadores, o movimento apresentou o manifesto “Em Defesa da Indústria e do Emprego”. O objetivo foi discutir propostas que viabilizem a retomada da competitividade da indústria nacional.

Ubiraci Dantas de Oliveira, presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil – CGTB, destacou que “a desnacionalização e a desindustrialização aumentam a cada dia e que a política atual está matando a indústria e os empregos”. O empresário Jorge Gerdau, representante do Instituto Aço Brasil, acrescentou: “Somando juros, impostos e esse câmbio, o resultado é a morte da indústria de transformação”.

Cientes das dificuldades do governo de continuar a política de desoneração nesse momento, sem prejuízo das necessárias reformas institucionais, os membros da organização da coalizão acreditam que, mesmo sem renúncias fiscais sensíveis, seja possível reverter expectativas com uma agenda baseada em ações de curto e médio prazo que objetivem: câmbio competitivo, juros em padrões internacionais e sistema tributário/sem cumulatividade de impostos.


Os desafios da indústria mundial e nacional do aço

De 26 a 28 de junho aconteceu, em São Paulo, o 23º Congresso Brasileiro do Aço, organizado pelo Instituto Aço Brasil. O evento reuniu cerca de três mil pessoas: representantes da indústria do aço e do governo, da cadeia metalmecânica, fornecedores, empresas de consultoria, distribuidores e jornalistas.

A situação econômica mundial, perspectivas da indústria do aço, fatores limitativos da competitividade da indústria nacional, processo de desindustrialização no País e perspectivas do mercado de minério de ferro foram os principais temas abordados durante o congresso.

Em meio às discussões, alguns pontos merecem destaque.

A economia mundial está incerta e volátil. A queda contínua do preço do petróleo deverá fomentar o reaquecimento da economia global. A curto prazo, a melhoria do desempenho econômico dependerá da firme recuperação dos Estados Unidos, da rápida e segura solução da crise na zona do euro e do continuado crescimento da China (ainda que desacelerado). A longo prazo, serão necessárias novas alternativas para o crescimento econômico dos países desenvolvidos e dos emergentes. Não há mais espaço para impulsionar o crescimento via endividamento excessivo, por altos investimentos ou estímulos ao consumo.

Em 2011, o mercado mundial de aço consumiu 1,5 bilhão de toneladas e a previsão é de que esse mercado continue crescendo nos próximos anos, ainda que haja um surplus de 500 milhões de toneladas/ano. Esse excesso de oferta do aço, somado à retração econômica de importantes países consumidores, provoca competições predatórias e práticas desleais de comércio.

Os custos de matéria-prima continuarão sendo pressionados, principalmente do minério de ferro. A China, atualmente a maior consumidora desse insumo, seguirá crescendo e expandindo sua capacidade de produção de aço e, por consequência, predeterminando os preços praticados no mercado.

No debate sobre o mercado de aço brasileiro, ficou evidente o baixo consumo per capita de aço, perda de competitividade pela elevação dos custos de produção, queda de margem e competição desigual frente aos produtos importados.

A situação econômica da indústria brasileira é preocupante. A indústria de transformação já representou 27% do Produto Interno Bruto – PIB nacional. Hoje corresponde a 13% e carrega uma carga tributária da ordem de 32% do PIB, bloqueando a criação de novos empregos. Dentre os fatores estruturais e conjunturais que limitam a competitividade nacional, foram citados: a alta taxa de juros, o incentivo às importações, sistema logístico deficiente, alto custo de energia (a segunda mais cara do mundo) e folha de pagamento dispendiosa (atualmente gasta-se mais com encargos do que com salários).

A falta de competitividade nacional coloca a desindustrialização como uma realidade. Nos últimos seis anos, houve uma inversão de US$ 100 bilhões na balança comercial de manufaturados. A adoção de mecanismos de defesa comercial para evitar importações predatórias, a correção das assimetrias competitivas e substanciais investimentos em infraestrutura serão essenciais para reverter esse processo.

O artigo “Os desafios da indústria mundial e nacional do aço” foi editado pela Central de Geração de Conteúdo de NEI Soluções com base nas informações da Carta do 23º Congresso Brasileiro do Aço, elaborada pelo Instituto Aço Brasil.