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Textos com Etiquetas ‘logística’

Tudo mudou, exceto o essencial

Neste mês, Noticiário de Equipamentos Industriais – NEI completa 37 anos, durante os quais testemunhou, participou e contribuiu, sem interrupções, para a evolução da indústria no País. A evolução tecnológica da indústria está registrada no conteúdo que editamos desde 1974.

Esse conteúdo levou para a indústria a informação necessária para crescer como empresa, aprimorar seus produtos, inovar suas ofertas, viabilizando em bases confiáveis e permanentes a aproximação entre compradores e fornecedores industriais.

Durante todos esses anos, o mercado mudou, exceto naquilo que é essencialindústrias ainda precisam encontrar e selecionar fornecedores, e fornecedores ainda precisam identificar quem precisa de seus produtos e serviços. Facilitar e promover esse encontro e enriquecê-lo com opções e atualizações é a missão a que servimos desde 1974.

Os próximos meses são outros bons exemplos do cumprimento dessa missão. Estão programadas grandes feiras industriais planejadas para gerar oportunidades e, sobretudo, acelerar decisões num momento especial para o País. Os grandes projetos previstos nas áreas de energia, petróleo e infraestrutura têm investimentos estimados em mais de R$ 400 bilhões, segundo a Confederação Nacional da Indústria – CNI, e devem estimular o aumento de toda a atividade industrial nos próximos anos.

Uma seleção das novidades tecnológicas que serão apresentadas nos próximos megaeventos do setor poderá ser conferida pelos usuários de NEI neste link. Nosso Departamento Editorial pesquisou e selecionou alguns dos novos produtos que serão apresentados de 28 deste mês a 1º de abril, no Anhembi, em São Paulo, na FIEE Elétrica e electronicAmericas 2011, o mais importante evento do setor elétrico, de energia, automação e componentes da América Latina.

O usuário de NEI poderá, ainda, conhecer produtos que serão apresentados na maior feira industrial do mundo, referência em inovação: a Hannover Messe 2011, de 4 a 8 de abril, em Hannover, Alemanha.

Nos próximos meses, seções especiais reunirão os produtos de outros megaeventos nas áreas de máquinas-ferramenta, logística, plástico, alimentação e petróleo, mostrando algumas das soluções desenvolvidas para ajudar a indústria a se preparar para as oportunidades geradas pelos grandes projetos.

A cobertura desses megaeventos conclui um planejamento editorial específico cuja meta é entregar aos leitores de NEI e usuários de NEI.com.br um conteúdo atual, inédito e qualificado. Como manda nossa missão, cumprida desde 1974.

Retrospectiva 2010 – Os assuntos mais procurados pela indústria

Como Aumentar a Competitividade das Empresas Integrando os Canais de Distribuição

O mercado mundial vem presenciando um crescimento em sua demanda a um nível acima do esperado. O consumo está se expandindo em diversas partes do globo, inclusive em países que outrora eram considerados inexpressivos e sem previsibilidade de crescimento no mercado mundial.

Nesse contexto há uma visão de oportunidade, por parte das indústrias, e de expansão de suas operações a nível global, porém, esta visão também é do conhecimento de empresários de muitos países, tornando a competição acirrada e complexa.

Para que possamos sobreviver a esse cenário turbulento e competitivo, é necessário avaliar três variáveis, sendo a primeira a presença cada vez mais forte, em nosso mercado, de diversas empresas que fornecem produtos e serviços de vários segmentos. Essas empresas são originadas de diversas partes do globo, tornando cada mercado/oportunidade um alvo não mais regional, mas mundial. A segunda é o nível de qualidade dos produtos, tornando-os cada vez mais próximos em relação às suas características técnicas (comoditização). Independentemente do segmento social abordado ou do produto vendido, as manufaturas devem ter como características básicas a qualidade. Portanto, os produtos devem ter esse atributo como padrão para sobreviver aos consumidores cada vez mais exigentes. A terceira, e talvez mais complexa, é o nível de serviço apresentado. Esse atributo, no escopo da Logística, é a disponibilidade. O alto nível de serviço é garantia de que um produto esteja disponível no momento que o cliente irá procurá-lo. Muitas vezes o alto nível de serviço está atrelado à necessidade de manter estoques perto do consumidor. Qual o motivo de se manter estoques? O motivo está atrelado a diversas variáveis, sendo uma delas a incapacidade da cadeia suprir na hora certa que se deseja e com a velocidade pretendida. Atraso no abastecimento significa, por muitas vezes, perda de vendas. Este problema da cadeia está atrelado, em muitos casos, à necessidade de aumento do poder de barganha com o fornecedor, ou então à falta de parcerias concretas com sua cadeia de abastecimento. Outro problema é decorrente da volatilidade de demanda, quando se torna necessário determinar o exato consumo, optando-se por ter estoques para garantir o nível de serviço. Esta equação mostra-se sem sintonia, pois estoques excessivos possuem altos riscos de obsolescência, pois o ciclo de vida dos produtos, cada vez mais reduzidos, faz com que os mesmos sejam substituídos em uma velocidade cada vez maior.

A consequência disso é clara. Apesar da expansão mundial, nunca foi tão complexo vender, pois o consumidor, cada vez mais exigente, vem recebendo produtos melhores a preços mais acessíveis. Cabem aqui as perguntas:

- Como ser escolhido pelo consumidor?

- Como obter sua preferência?

- Como se destacar em um ambiente com milhares de marcas e nomes?

- Como se diferenciar em um cenário onde todos os produtos são de qualidade e os preços são cada vez mais semelhantes?

O cenário acima descrito vem se acelerando a cada dia, exigindo das empresas mais atenção em sua cadeia de suprimentos, cada vez mais essenciais para a estratégia de uma organização.

As cadeias são formadas por diversos componentes: os fornecedores, a manufatura que transforma a matéria-prima em produto acabado e, em muitos casos, o distribuidor, o atacadista e o varejista. Quanto mais complexo é o produto, mais componentes tem uma cadeia e quanto maior o número de componentes, maior a complexidade da cadeia e maiores os riscos de erros.

A gestão da cadeia de suprimentos passa a ser mais estratégica, pois é ela que irá definir o sucesso ou o fracasso de uma organização; não existe nenhuma indústria que concentre todos os processos. Esse é um processo nitidamente colaborativo e, como tal, deve ser percebido. Precisa ser percebido.

Em um contexto global com cenários mais complexos e mais variáveis para se controlar, torna-se necessária a visão holística da cadeia, pois certamente essa é única forma de sobrevivência.

Setores econômicos que têm boas perspectivas de crescimento

8, outubro, 2010 Deixar um comentário

Depois de ser pontualmente atingido pela crise financeira mundial de 2008/2009, o Brasil tem retomado de forma vigorosa o rumo do crescimento, o que abre grandes perspectivas para a economia. Além disso, uma série de grandes eventos e o surgimento de novas oportunidades de negócio deverão movimentar e estimular significativamente alguns setores produtivos e prestadores de serviços.

Primeiro, podemos destacar o início da exploração comercial do petróleo da área do pré-sal, previsto para acontecer dentro de quatro ou cinco anos. A seguir, é importante lembrarmos dos dois maiores eventos esportivos de nosso planeta, a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, ambos a ocorrer no Brasil. Também não devemos nos esquecer do agronegócio, que é um dos grandes motores do crescimento nacional e tem ótimas perspectivas de expansão no breve futuro.

Sem grande esforço, percebermos que o setor de construção de infraestruturas será um dos mais requisitados nos próximos anos. Por exemplo, algumas das obras necessárias para a Copa da Mundo de 2014 já foram iniciadas, como é o caso da reforma do Maracanã. Para além das óbvias intervenções e novas construções de estádios, serão realizados investimentos bilionários na renovação e ampliação dos sistemas de transportes coletivos (metrô, trens, ônibus, etc.) e da estrutura aeroportuária nacional, tocadas obras de adequação da malha viária (estradas, pontes, viadutos…), além de implementados novos sistemas de telecomunicações mais eficientes e modernos.

A exploração de petróleo e gás dos campos do pré-sal estimulará não apenas a indústria ligada a este setor específico, mas mexerá também com as indústrias naval (na construção de navios e plataformas), petroquímica, aérea (com a demanda por helicópteros e aviões), da mineração e metalúrgica (pelo uso de metais em gasodutos, equipamentos, veículos, etc.); com o setor de serviços; com as áreas de desenvolvimento tecnológico; e com o ramo da logística.

Já o agronegócio demandará investimentos vultosos no desenvolvimento de tecnologias para a otimização da produtividade, na mecanização do setor e na ampliação e qualificação das estruturas de escoamento da produção, com a aplicação de recursos em nova e melhor malha viária, em ferrovias e hidrovias e, especialmente, na adequação e ampliação da capacidade portuária nacional.

Desta forma, e conhecendo as carências existentes, a indústria da construção civil será a mais requisitada nesse processo de adequação infraestrutural. A ela caberá responder também a necessidades acessórias ao crescimento previsto, como é o caso de um esperado boom no mercado imobiliário, especialmente em cidades que receberão a Copa do Mundo e a Olimpíada (neste caso, o Rio de Janeiro), além daquelas que se desenvolverão a reboque da exploração do petróleo do pré-sal.

O turismo receberá também grande estímulo, em suas duas principais vertentes: a do lazer e a dos negócios. Serão necessários novos hotéis, além da modernização da rede hoteleira já existente. Também haverá oportunidades para os segmentos de negócios e serviços que se alinham ao Turismo, especialmente no que tange às estruturas de lazer, de gastronomia e de esportes.

Sem considerar outros segmentos, que naturalmente se desenvolverão e exigirão investimentos ao longo dos próximos anos, é possível prever estímulos aos setores aéreo, automobilístico, eletroeletrônico, de serviços e logística, TICs (tecnologias da informação e da comunicação), saúde e segurança. Para concluir, e como não poderia deixar de ser, precisamos estar muito bem preparados, pois será necessário investir fortemente em educação para a formação de pessoal capacitado a atuar e a atender às necessidades de todos e de cada um desses setores e desafios citados.

Por Eduardo Pocetti, CEO da BDO no Brasil, integrante da quinta maior rede do mundo em auditoria, tributos e advisory services.

Lançamentos que otimizam seus processos de movimentação e armazenagem

Para garantir a integridade dos produtos fabricados e sua destinação dentro do planejado e com foco na satisfação do cliente, a Logística levou as empresas a buscar novas soluções tecnológicas para planejar seus estoques.

Em períodos pós-crise, ela desenvolve papel importante na redução de custos, pois envolve gerenciamento de recursos e tempo: não se produz em excesso, planeja-se o que é produzido e, consequentemente, seu destino final.

Segundo Frank Bender, presidente da CSMAM – Câmara Setorial de Equipamentos para Movimentação e Armazenagem de Materiais da ABIMAQ, em depoimento ao Departamento Editorial de NEI, “A Logística é a base de toda a cadeia de suprimentos de uma empresa, principalmente na indústria, que, para efetivamente produzir e entregar seus produtos, necessita de uma integração completa com seus fornecedores e parceiros.”

Ainda segundo Frank Bener: “A Logística no Brasil evoluiu e amadureceu muito nos últimos dez anos no que diz respeito a produtos e processos” …“As políticas governamentais de incentivo à indústria de máquinas e a redução dos juros de financiamento dos equipamentos com o programa BNDES-PSI foram fundamentais na recuperação do mercado brasileiro de movimentação e armazenagem.”

Confira AQUI os lançamentos de produtos e equipamentos que otimizam seus processos de movimentação e armazenagem.

A difícil (e cara) missão de entregar nas grandes cidades

Está cada vez mais difícil entregar nas grandes cidades. Na década de 90, era comum a realização de 30 ou mais entregas por veículo. No início desta década reduziram-se para ao redor de 20 e para o futuro breve projeta-se de 10 a 15.

À queda na produtividade somou-se ao aumento do custo de transporte, devido ao uso de veículos cada vez menores, como os VUC – Veículo Urbano de Carga com comprimento máximo de 5,50 metros e os VLC – Veículo Leve de Carga (ou ¾ como são conhecidos), com comprimento máximo de 6,5 metros. Devido à menor capacidade de carga útil, o custo em R$/ton saltou de cerca de R$ 50 por tonelada para mais de R$ 100 a R$ 250 por tonelada.

A imposição de zonas para a restrição de veículos e de horários para entrega colaborou ainda mais para acrescentar novos custos à operação de distribuição. Recentemente, com as medidas restritivas criadas pela prefeitura municipal de São Paulo (posteriormente copiadas por outras cidades), surgiu a TRT – Taxa de Restrição de Acesso, para compensar os custos operacionais adicionais impostos às Transportadoras, que equivale a 20% do valor do frete cobrado.

E já existia a cobrança da TDE – Taxa de Dificuldade de Entrega e a TDA – Taxa de Dificuldade de Acesso. Além é claro dos tradicionais GRIS – Gerenciamento de Risco e Ad-Valorem.

Além do custo econômico, é claro, existe um custo social associado ao problema da difícil mobilidade urbana. Motoristas e ajudantes trabalham cada vez mais, enfrentando jornadas desumanas de até 14 horas diárias, gerando gastos adicionais com horas-extras, fora o estresse causado pela dificuldade de locomoção e a cobrança incessante, de Clientes e patrões. Adicione ainda os problemas respiratórios, pois não é nada saudável passar o dia todo respirando esse “maravilhoso” ar puro das cidades.

E infelizmente, não há solução de curto prazo e nem de baixo investimento. Medidas restritivas e punitivas são paliativas, e apenas “empurrarão” um pouco mais para frente os problemas já existentes. Rodízio de veículos, pedágio urbano, inspeção veicular, estreitamento de faixas, inversão do fluxo nos horários de “pico”, aumento da fiscalização e multas, restrição a motocicletas, ônibus fretados e caminhões, etc., são medidas pouco eficazes. Aprenderemos em breve que os caminhões não são os vilões do trânsito, pois para cada caminhão em circulação existem outros 12 veículos de passeio. Em 2009 produzimos 3,0 milhões de automóveis e comerciais leves contra apenas 123 mil caminhões. Nossa frota é estimada em mais de 25 milhões de veículos, sendo que os caminhões representam um pouco mais de 2,0 milhões deles.

Aprenderemos também o quanto custará para uma sociedade a carência do transporte coletivo e a precária infra-estrutura para intermodalidade, fruto do descaso do poder público.

No Brasil, a relação de habitantes por veículo é de 7,4, enquanto nos Estados Unidos é 1,2 e na Europa Ocidental varia de 1,5 a 2,0. Ou seja, nossa frota de veículos vai aumentar ainda, e muito!!!

O problema deixou de ser apenas de grandes cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife ou Fortaleza. Cidades que contam com 500 mil a 1 milhão de habitantes já enfrentam problemas de congestionamento das vias, é claro que em menor proporção, mas que em 5 a 10 anos terão suas vias de circulação saturadas, como Guarulhos, Campinas, Joinville, Florianópolis, etc.

São Paulo teve no dia 10/06/2009 o recorde de trânsito, alcançando 293 km de vias congestionadas. São cerca de 1.000 novos veículos todos os dias.

Considerando as estatísticas dos últimos 10 anos, a frota de veículos em Guarulhos cresceu a um ritmo assustador de 8,4% ao ano; em Joinville chegou a 8,1% e em Blumenau e Brasília a 7,5%. As principais capitais do Nordeste cresceram a taxas inferiores a 7,0% (Recife 5,7%, Salvador e Fortaleza 6,8%).

Grandes metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro tiveram um crescimento de 5,4% e 4,3% respectivamente. Segundo a ABCR – Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias, o fluxo nas rodovias pedagiadas aumentou 4,9% no comparativo entre Abril/2010 e Abril/2009.

São Paulo, segundo especialistas, parará em mais 2 ou 3 anos. A sua cidade talvez ainda sobreviva por 10 anos. A pergunta que todos fazemos é: o que está sendo feito (ou será) para reverter esse quadro? Nada, absolutamente nada. Está cada vez mais fácil comprar um carro ou um caminhão. As vias públicas não crescem na mesma velocidade e tampouco o transporte público oferece uma solução econômica e confortável para a população. Novas linhas de metrô são inauguradas e em pouquíssimo tempo estão saturadas. Novas avenidas são construídas ou duplicadas e servem apenas para estimular as pessoas a usarem ainda mais seus veículos.

Desta forma, não é preciso ser vidente, guru ou ter uma bola de cristal. A logística ficará cada vez mais complexa e mais cara!!!

Por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda www.tigerlog.com.br

Crescer com qualidade

8, abril, 2010 Deixar um comentário

Não é possível crescer sem investir. Por isso, o Brasil, que pretende alcançar a quinta posição entre as maiores economias do mundo nas próximas duas décadas, tem urgência em sanar deficiências históricas nos setores de logística, energia, telecomunicações e habitação.

A falta de uma infraestrutura adequada é um dos fatores que mais atrapalham o crescimento do País. Exemplo disso é o tanto de perdas que enfrentamos no agronegócio: o Brasil figura hoje como um dos maiores exportadores mundiais de alimentos, mas grande parte de sua produção é desperdiçada nos processos de colheita, transporte, estocagem, beneficiamento e comercialização. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) coloca o Brasil como um dos dez países que mais desperdiçam alimentos: quase 35% da nossa produção agrícola, o que equivale a 10 milhões de toneladas de comida, vão literalmente para o lixo a cada ano.

Outro levantamento, feito pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, mostrou que a quantidade de alimentos não aproveitados ao longo da cadeia produtiva representa em torno de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Traduzido em reais, o rombo é de R$ 17,25 bilhões no faturamento do setor agropecuário nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), por sua vez, estimou que as perdas de grãos no País, ao longo de toda a cadeia produtiva, correspondem a mais ou menos 10% da produção de arroz, feijão, milho, soja e trigo.

Segundo o IBGE, quase 70% das cargas brasileiras são deslocadas pelo modal rodoviário, que não é o mais apropriado para distâncias superiores a 300 km. Os grãos que vemos caídos nas beiras das estradas que cortam o País não deixam dúvidas quanto à veracidade dessa afirmação. Daí a relevância dos investimentos na melhoria do sistema ferroviário (reconhecido como o mais adequado para se percorrer distâncias entre 300 km e 500 km) e nos meios de transporte fluviais, que são rápidos, econômicos e sobressaem como solução eficiente para cobrir distâncias acima de 500 km.

Vale lembrar que, apesar de a tecnologia agroindustrial brasileira ser das mais desenvolvidas do mundo no tocante à produção, são poucas as fazendas produtoras que dispõem de armazéns. A simples existência desse tipo de recurso reduziria o desperdício: em vez de haver, como hoje, o transporte para o local de estocagem, e deste para o local de beneficiamento, haveria uma etapa a menos no processo. Logo, as perdas a ela associadas seriam dirimidas.

Outro setor em franca expansão, graças aos investimentos em moradia popular e à proximidade de eventos como a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016, que impõem a necessidade de realizar construções e reformas, é o da construção civil.

No Brasil, a indústria de construção responde por aproximadamente 7% do Produto Interno Bruto (PIB) e absorve 6,5% da população economicamente ativa (PEA), exercendo um forte papel indutor na economia. No entanto, esse segmento, que é reconhecidamente um grande gerador de empregos e riquezas, também tem seu rendimento afetado pelo desperdício de materiais. Estudo elaborado pelo Departamento de Engenharia de Construção Civil da Poli/USP, com amostragens de canteiros de obras de 12 estados brasileiros, averiguou que há desperdício de mais da metade do material empregado nas construções. O uso abusivo também ocorre em relação à água e à energia. Claro que essa quantidade de perdas causa aumento de custos e impacto negativo no desempenho do setor.

Ainda de acordo com o estudo da Poli/USP, a formação deficitária dos profissionais que atuam no setor é uma das raízes do problema. Grande parte dos trabalhadores desconhece as técnicas mais modernas de construção e empregam métodos tradicionais e ultrapassados. Erros de cálculo e a preferência pelo “olhômetro” em detrimento do cálculo acurado são fatores que interferem na qualidade final da produção.

É por isso que, mais do que alocar recursos para grandes obras, o Brasil deve planejar e dar prioridade à busca pela eficiência. Somente assim conseguiremos superar os déficits que ainda nos impedem de ocupar o lugar que merecemos na galeria dos países mais avançados do mundo.

Por Eduardo Pocetti, CEO da BDO, uma das cinco maiores empresas do mundo em auditoria, tributos e advisory services.

O que é Logística?

29, março, 2010 19 comentários

Quando perguntadas “O que é Logística”, a maioria das pessoas responde que é a distribuição ou a entrega de materiais para os clientes. Sim, este é o ponto final da cadeia. Porém, esquecemos que para distribuir ou entregar, precisamos ter o material em “estoque”, e para isso é necessário produzir e que para produzir, precisamos comprar matérias-primas e componentes. Significa que a Logística engloba todo o fluxo operacional, de forma que os elos dessa cadeia interna da empresa consigam atender as necessidades dos clientes. Para isso é necessário que cada um faça sua parte, procurando atender as necessidades dos clientes  -internos e externos – sem esquecer de também atender os objetivos traçados pela direção da empresa em seu Planejamento Estratégico.

De acordo com Ronald H. Ballou, em seu livro “Logística empresarial”: “a logística empresarial trata de todas as atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço aos clientes a um custo razoável”.

Veja o fluxo abaixo:

Fluxo

 

 

 

 

 

 

Para que a empresa faça Logística é necessário ir além dos conceitos estabelecidos pela Direção da empresa, em conjunto com seus Gerentes e Supervisores. É preciso o que chamo de “incorporar o espírito de Logística”. Isto significa que TODOS são responsáveis por fazer esse processo acontecer. De forma bem simples e didática:

a)      Setor de Compras ou Suprimentos – precisa comprar bem, procurando negociações onde ambos ganhem com o negócio e boas parcerias. Quando a empresa ganha e o fornecedor não, o que vai acontecer no futuro é que este fornecedor não vai atender bem, pode provocar atrasos e isso pode levar a um problema muito sério, como uma parada de produção; pior ainda, se esse atraso provocar uma parada de produção em prejuízo ao cliente. Se isso ocorrer, a empresa pode até perder clientes.

b)      Setor de Manufatura ou Produção – precisa produzir para atender os clientes nos prazos solicitados, interagindo com informações de disponibilidade de produto. Se a produção vai atrasar, é necessário informar a área comercial para que previna o cliente. Quando um cliente solicita uma quantidade maior, ou muda o prazo de entrega, ou, ainda, muda a especificação do produto, é necessário conversar com o cliente e entender o que houve no processo e tomar as ações necessárias dentro da empresa. Nestes casos, tanto o negociador quanto a área de Produção precisam ter flexibilidade para entender o que ambos podem fazer para atender estas mudanças, sem causar prejuízos à empresa.

c)      Setor de Armazenagem e Distribuição (Transporte) – é necessário armazenar de forma correta, considerando desde a limpeza do armazém, até a organização dos produtos  e sua correta identificação. Por exemplo, não adianta guardar uma embalagem com um pequeno “defeito”, pois pode acontecer que no momento em que este produto for faturado, esta embalagem precise ser trocada e isso pode atrasar a entrega (isso normalmente acontece quando um produto precisa ser faturado para um cliente que está precisando do produto com “urgência”). A área de Distribuição (Transporte) precisa entregar conforme as necessidades dos clientes, mas para isso é necessário “informação” de quando o cliente vai precisar. É fundamental que o produto seja faturado no prazo, de forma que seja possível carregar e se deslocar até o cliente.

Podemos observar que o fluxo de informações ocorre a todo o momento, e que essas informações devem ser transmitidas de forma clara, porque quando a informação é ruim haverá um processamento ruim e por sua vez o resultado será ruim. Isso tudo parece simples e óbvio, mas quando colocado em prática vemos que muitos problemas acontecem porque as pessoas não estão preparadas ou porque não conhecem o conceito de Logística e o processo como um todo.

Celso Luchezzi – Consultor em Logística e Professor Universitário

Tem dúvidas sobre Logística? Quer que seja comentado aqui no Blog NEI algum tema específico de Logística? Deixe seu comentário neste post que nós vamos respondê-lo!

Mais ideias para a logística de seus produtos

foto_embalagemCom raríssimas exceções, tudo o que a indústria produz precisa ser embalado para entrega e você pode encontrar AQUI algumas soluções para sua logística.

Entre 22 e 26 deste mês, muitas dessas soluções estão expostas na 2ª Semana Internacional da Embalagem, Impressão e Logística, no Parque Anhembi, São Paulo. Esta seção, contudo, vai além e inclui novos produtos de fabricantes não expositores.

O Brasil é o segundo país, depois dos Estados Unidos, em lançamento anual de novas embalagens. Conforme levantamentos do Laboratório Global de Embalagem da Escola Superior de Propaganda e Marketing – ESPM, o País saiu do sexto lugar em 2008 para o segundo lugar já no início de 2009.

Cerca de 50% das inovações nas embalagens ocorreram na indústria de alimentos. Correspondendo a essa atividade, o faturamento da indústria brasileira de embalagem cresceu de R$ 33 bilhões para R$ 36 bilhões entre 2007 e 2008. Na formação desse faturamento, o setor de embalagens plásticas entrou com 37,6%, seguido pelas embalagens de papelão ondulado e cartão (28%), embalagens metálicas (16,9%), papel (7,12%) e vidro (5,2%).

As múltiplas funções atuais da embalagem no marketing, propaganda, segurança, controle ambiental e reciclagem, sobretudo sua importância para a redução de custos em geral, explicam o impulso inovador que esta atividade industrial tem revelado nos últimos anos.

AQUI você pode consultar algumas das soluções, com ênfase naquelas exibidas na 2ª Semana Internacional da Embalagem, Impressão e Logística.

O desafio dos estoques

9, fevereiro, 2010 27 comentários

Atualmente, quando as empresas falam em redução de estoques, a área de Vendas fica muito preocupada, pois sempre paira a seguinte pergunta: “o que será reduzido irá comprometer meu trabalho junto com o cliente?”.  Por seu lado a área de Produção se preocupa com os materiais que irá precisar, pois precisa produzir com o melhor custo.

estoqueAo mesmo tempo, o setor de Compras preocupa-se como irá negociar com os fornecedores. Nesse ínterim, quem controla o estoque está preocupado em reduzir, sendo este o principal responsável por organizar a logística e as  informações com a fluência necessária para atender as diretrizes da empresa. Pensemos:

1)     Para aumentar as “vendas” as empresas precisam aumentar a disponibilidade de estoque?

2)     Mais estoque é sinônimo de mais vendas?

3)     Quanto é o custo financeiro de estoque?

4)     Reduzindo estoque a empresa irá perder vendas?

5)     Quanto vale cada percentual de vendas perdidas em relação ao faturamento? Será que essa perda é prejudicial a imagem da empresa no mercado?

6)     O que a empresa está prometendo vender ela tem condição de cumprir?

7)     Meus fornecedores tem condições de me atender naquilo que irei precisar?

8)     Qual é o meu estoque ideal?

Hoje as empresas estão preocupadas em “atender o cliente”, e assim o fazem, ou seja, atendem o que o cliente quer sem analisar o custo desse atendimento; muitas vezes isso acontece devido à correria do dia a dia, e também porque essa filosofia ou forma de pensamento está enraizada. Na maioria das vezes o que se ouve é “o importante é atender o cliente”

Sabemos que:

-   Produção produz, Vendas vende, Compras compra, Financeiro analisa o fluxo de caixa e paga os fornecedores, Expedição separa e entrega os produtos, Almoxarifado armazena.

Porém quem administra o “estoque” (o patrimônio físico mensurável) da empresa, nem sempre sabe ou consegue obter informações necessárias, ou não tem autonomia para tomada de decisões como:

- Quais itens manter em estoque?

-  Como serão atendidas as necessidades de vendas?

- Quando repor e quanto comprar?

É necessário que as pessoas que trabalham dentro de uma empresa, e que estão ligadas ao estoque, seja por uma informação, uma tomada de decisão ou pela execução de algum produto, tenham a consciência de que isso um dia irá se transformar em estoque, e que  “todos são responsáveis por uma parcela do que está dentro desse estoque”,

O importante é definir o processo de como será gerado o fluxo de informações, quem irá administrar o estoque e as responsabilidades de cada um dos envolvidos.

Por esta linha de raciocínio, o responsável por administrar o estoque é quem organiza, controla e detém as informações, com isso tomando as decisões necessárias para “redução de estoques“, de forma que as vendas sejam afetadas o mínimo possível e que exista o máximo de disponibilidade de estoque, conforme as diretrizes estabelecidas “pelos próprios envolvidos”, sendo eles os principais responsáveis pelo fluxo de informações e pelo que existe dentro do estoque.

Celso Luchezzi – Consultor em Logística e Professor Universitário

Tem dúvidas sobre estoque? Tire-as com Celso Luchezzi. Deixe seu comentário neste post do Blog NEI.

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