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Manutenção: novas tecnologias para aumentar a eficiência dos ativos nos processos de produção

7, outubro, 2015 1 comentário

O momento exige da indústria soluções para melhorar a eficiência dos processos produtivos, bem como reduzir custos operacionais. É preciso produzir melhor, sem perdas e com aproveitamento máximo de recursos e tempo. Sabemos que o parque fabril brasileiro está obsoleto, com idade média em torno de 20 anos, como aponta o Documento Nacional 2015, estudo elaborado a cada dois anos pela Abraman – Associação Brasileira de Manutenção. Isso significa que valorizar a manutenção é primordial e urgente.

Eduardo Linzmayer, especialista em engenharia de manutenção e professor-mestre do Instituto Mauá de Tecnologia, afirmou que o investimento em manutenção neste momento permite à indústria aumentar sua produtividade e eficiência, tornando-se mais competitiva. “É necessário transformar as ações de manutenção em investimentos que se traduzem em melhorias na eficiência e produtividade”, reforçou Linzmayer. “Encarar a manutenção como custo industrial somente prejudicará os resultados finais.”

Nos últimos anos, no exterior, a gestão de manutenção deixou de ser vista pelas empresas como “mal necessário” e se tornou um dos fatores determinantes para o aumento da competitividade, isso porque infere diretamente nos custos e na disponibilidade de equipamentos para os processos fabris, informaram Rodrigo Baldo, professor doutor da Faculdade de Ciências Aplicadas – FCA da Unicamp, onde é responsável por disciplinas como Manutenção Industrial, e seu aluno de mestrado Ailson Renan Santos Picanço.

Segundo os especialistas, a engenharia de confiabilidade e a manutenção preditiva estão em alta. “A primeira se debruça sobre um arcabouço matemático, que estuda a vida dos equipamentos e a probabilidade de falha, prevendo com certo grau de assertividade a chance de um equipamento funcionar ou falhar, se compensa ou não fazer manutenção preventiva e o melhor momento para trocar um equipamento.” Já a manutenção preditiva, conforme comentaram, analisa os sintomas que o equipamento apresenta e sinaliza, por exemplo, por uma análise de vibração, qual componente trocar. Esses dados revelam que os profissionais de manutenção necessitam conhecer novas tecnologias, por isso esta seção reúne diversas novidades pesquisadas pela equipe editorial de NEI Soluções no Brasil e no exterior.

É importante lembrar que, tradicionalmente, a partir de outubro as indústrias começam o planejamento das paradas para manutenção de suas produções de final do ano, sendo este, então, o período ideal para compras e contratações.

Manutenção no Brasil

A gestão de manutenção no Brasil, com raras exceções, ainda tem um longo caminho pela frente se comparada às políticas adotadas em outros países. Para Baldo e Picanço, a Manutenção Produtiva Total e a Manutenção Centrada em Confiabilidade fazem parte do dia a dia de um grupo seleto de empresas, em geral robustas e/ou de origem estrangeira, sobretudo da cadeia automobilística. “Se pensarmos no Brasil, fundamentalmente agroindustrial e com base econômica nas pequenas e médias empresas, ainda temos muito para evoluir. Em geral, a manutenção ainda é vista como ‘um mal necessário’.”

Segundo eles, hoje inúmeras empresas de softwares vendem programas ou módulos incorporados a Enterprise Resource Planning – ERP, de gestão de manutenção, mas o que percebem é que os mais robustos não estão sendo aplicados efetivamente na indústria, seja por falta de conhecimento técnico, pouca familiaridade, baixa adesão aos sistemas ou ausência de cultura organizacional assertiva para a área de manutenção.

“Quando pensamos também em geração de conhecimento na academia, ainda se encontra em estágio inicial de desenvolvimento, uma vez que no País, com dimensões continentais, há poucos pesquisadores que têm a engenharia de manutenção como alvo de suas pesquisas, se comparado a outras áreas da engenharia de produção e manufatura”, relataram.

Mas há “sementes sendo adubadas” na academia. Baldo informou que o desenvolvimento de um sistema de manutenção descomplicado e intuitivo para aplicar à indústria nacional tem sido alvo de pesquisas na FCA-Unicamp. “Não basta ser um sistema simples, precisa ter a robustez necessária para que nossa indústria seja mais competitiva nos mercados globais”, destacaram.

E Linzmayer completou que a equipe de engenharia de produção do Instituto Mauá de Tecnologia criou o Birô de Manufatura Digital, utilizando técnicas de simulação que podem ser aplicadas na Manutenção Baseada em Confiabilidade ou Reliability Centered Maintenance – RCM.

Documento Nacional 2015

O estudo elaborado a cada dois anos pela Abraman e apresentado no 30° Congresso Brasileiro de Manutenção e Gestão de Ativos, que ocorreu em paralelo à Expoman 2015 – Exposição de Produtos, Serviços e Equipamentos para Manutenção e Gestão de Ativos, em Campinas, em agosto, aponta queda do custo relativo com o pessoal de manutenção e a redução dos treinamentos: de 3,9%, em 2013, para 2,7% em 2015.

Outro item que também apresentou queda foi a disponibilidade dos equipamentos do parque fabril, que caiu de 89,3% para 88,7%; a indisponibilidade por paradas para manutenção subiu para 6,32%, 0,17% superior ao estudo anterior. A indisponibilidade por outros fatores subiu de 4,6 para 5%.

Essa edição do documento apresenta ainda o remanejamento das equipes de manutenção de ativos nas empresas, mostrando a diminuição da terceirização do serviço, com as companhias preferindo treinar a própria equipe e adquirir os recursos necessários.


Abertas inscrições para a especialização de propriedade intelectual na Unicamp

A Inova Unicamp, a Faculdade de Engenharia Química e a Escola de Extensão da Unicamp lançam a Especialização em Propriedade Intelectual. Destinada a graduados em todas as áreas do conhecimento, tem o objetivo de formar especialistas em inteligência tecnológica. As aulas começam em julho de 2014 e seguem até setembro de 2015. As inscrições estão abertas.

Abordará estratégias de proteção e valoração dos ativos intangíveis, de busca de informações tecnológicas para negócios, além da captação de recursos para pesquisa, desenvolvimento e inovação, negociação e contratos de transferência ou aquisição de tecnologia. As disciplinas serão ministradas por profissionais da Inova Unicamp e do mercado e por docentes da Unicamp.

“Observamos dificuldade de recrutar profissionais e de captar colaboradores internos para atuar nas áreas de patentes, marcas, modelo de utilidade, desenho industrial, cultivares, contratos de transferência de tecnologia e licenciamento, entre outros”, disse Patrícia Leal Gestic, coordenadora de conteúdo do curso e diretora de Propriedade Intelectual da Inova.

Para mais informações, clique aqui.


Unicamp e Shell inauguram laboratório de biomassa

Dia 25 de novembro será inaugurado o Laboratório de Caracterização de Biomassa na Unicamp, construído com o apoio da Shell Brasil Petróleo, que investiu R$ 7,9 milhões, sendo R$ 6 milhões em obras físicas e aquisição de equipamentos. A contrapartida da universidade foi a cessão do terreno e as obras de infraestrutura urbana e sistema de comunicação. A unidade, vinculada à Faculdade de Engenharia Química-FEQ, prestará serviços de análises para docentes e pesquisadores da universidade, bem como para clientes externos, mediante agendamento.

O laboratório dará suporte às pesquisas em torno da biomassa, mas pode servir a quaisquer outras áreas que precisem de caracterização de sólidos, como afirmou a professora Maria Aparecida Silva, uma das idealizadoras do projeto. De acordo com a docente, o laboratório é constituído por equipamentos novos e por alguns que já estavam em operação no Laboratório de Recursos Analíticos e de Calibração da FEQ. “Nós dispomos, por exemplo, desde microscópio eletrônico até microbiorreatores de última geração”, informou Maria Aparecida.

Esse laboratório compõe orçamento anual de mais de US$ 1 bilhão investido pela Shell em pesquisa e desenvolvimento no mundo.  Em dezembro, a companhia espera inaugurar o maior tanque estratigráfico (destinado ao estudo das camadas de rochas) da América Latina, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.


Lenovo construirá seu primeiro centro de pesquisa no Brasil

A fabricante de computadores Lenovo anuncia hoje investimento de cerca de US$ 100 milhões na construção de seu primeiro centro de pesquisa e desenvolvimento – P&D no País, localizado na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp. A previsão é de que as atividades comecem em janeiro de 2014 e que gere no início 100 empregos e nos próximos anos reúna 220 profissionais. A instalação será o primeiro centro da empresa de desenvolvimento de software para o Enterprise Product Group – EPG. O foco será em inovação de soluções de softwares de empresas e tecnologia de servidores high-end, armazenamento de dados e tecnologia em nuvem.

A empresa pretende oferecer bolsas de estudo para equipes de pesquisa da instituição, conforme acordo com a Unicamp. “Essa parceria com a Lenovo dará à universidade a oportunidade de melhorar seu banco de talentos”, afirmou o reitor José Tadeu Jorge. “Além disso, as novas instalações de P&D deverão contribuir para o crescimento geral da oferta de produtos e serviços no Brasil, que resultará em grandes benefícios para a população.”


Inscrições abertas para o Programa Integrado de Doutorado em Bioenergia

Até 15 de outubro estão abertas as inscrições para o processo seletivo do Programa Integrado de Doutorado em Bioenergia para ingresso no primeiro semestre de 2014. São feitas exclusivamente pelo e-mail: inscricao.bioen@usp.br. Devem ser enviados o formulário de inscrição preenchido e a documentação solicitada em PDF.

O programa é desenvolvido pela Universidade de São Paulo – USP, Universidade Estadual de Campinas – Unicamp e Universidade Estadual Paulista – Unesp e conta com cinco linhas de pesquisas: biomassa, tecnologia, motores, biorrefinaria e sustentabilidade. O candidato deve indicar no formulário de inscrição a universidade de origem de seu orientador (USP, Unicamp ou Unesp).

O programa contará com professores das três universidades e de instituições de ensino superior e de pesquisa de outros países. Terá boa parte das aulas em inglês e usará sistema de videoconferência para a integração de alunos e professores situados em diferentes cidades.

Para mais informações, clique aqui e acesse http://genfis40.esalq.usp.br/pg_bio

Fonte: com informações da Agência Fapesp.


NEI divulga artigo sobre software industrial que recebe o primeiro apoio do Fundo Pitanga

Acaba de ser publicado no NEI.com.br artigo sobre ex-alunos da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp que recebem apoio de investidores devido ao desenvolvimento de software para otimizar processos industriais. Igor Santiago, Leonardo Freitas, Ronaldo Silva e Danilo Halla são sócios da I.Systems, empresa de softwares de automação industrial de Campinas-SP, que foi escolhida em 2013 (entre 600 projetos) para receber o primeiro investimento do Fundo Pitanga de venture capital, criado por banqueiros e fundadores da Natura. O objetivo do fundo é apoiar empreendedores que já têm empresas ou ajudar aqueles com ideias inovadoras a construir suas companhias.

O que despertou a atenção dos investidores foi o primeiro produto da empresa, o Leaf, software de controle para linhas de produções industriais baseado na lógica Fuzzy, que funciona com Windows, em grande variedade de processos, como sistemas de cogeração, evaporadores, secadores, extrusoras, envasadoras de líquidos ou pó e estações de tratamento. Clique aqui e leia o artigo.


Unicamp terá laboratório para pesquisa de exploração de petróleo e gás

Estudos no campo da visualização científica devem ganhar novo fôlego com a conclusão das obras de um laboratório na Universidade Estadual de Campinas – Unicamp financiado pela Petrobras, disse José Mario de Martino, professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação – FEEC. O objetivo do projeto é prover infraestrutura para pesquisa e desenvolvimento de soluções voltadas aos problemas relacionados à exploração de petróleo e gás.

Segundo ele, o laboratório será voltado à computação de alto desempenho e ambiente 3D de visualização científica. Participam da iniciativa docentes da engenharia mecânica, civil, elétrica e de computação e arquitetura e urbanismo.


Núcleo de Apoio à Inovação para a Sustentabilidade no Setor Sucroenergético é criado e promete beneficiar 80 grandes empresas

11, julho, 2013 Deixar um comentário

A Universidade Estadual de Campinas, a Universidade de São Paulo, a Universidade Federal de Pernambuco, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e a Embrapa anunciaram o Núcleo de Apoio à Inovação para a Sustentabilidade no Setor Sucroenergético – Nagise. O objetivo é unir – de outubro de 2013 a abril de 2014 – um grupo de 30 pesquisadores das instituições envolvidas e empresários do setor para, por meio de capacitação e diagnóstico das demandas por tecnologia e inovação, estabelecer um plano de inovação que resulte em maior competitividade em escala nacional e global, fortalecendo o setor na matriz energética brasileira. Segundo o Nagise, a previsão é beneficiar 80 empresas de grande porte do segemnto sucroenergético, como Raízen, Bunge e GranBio.

O núcleo integra o Programa Nacional de Sensibilização e Mobilização para a Inovação, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Além disso, o Nagise faz parte da Mobilização Empresarial para a Inovação, da Confederação Nacional da Indústria – CNI, iniciativa que disponibilizou cerca de R$ 50 milhões para a estruturação e operação de Núcleos de Apoio à Gestão da Inovação – Nagis em empresas brasileiras.


Doutora pela Unicamp cria guia para definição e revalidação de prazo de validade de químicos

Como os produtos químicos importados chegam ao Brasil sem prazo de validade pré-estabelecido, é preciso que sejam padronizados procedimentos em que os importadores possam se amparar para definir uma garantia que atenda as especificidades do produto e sua segurança química, sem minimização do prazo por falta de metodologia específica. Pensando nisso e na questão do impacto ambiental advindo do descarte de produtos técnica e seguramente em condições de uso, mas com data de validade teoricamente vencida, decidiu-se trabalhar com o tema na tese de doutorado de Luciana Rodrigues Oriqui, mestre em Engenharia Química e engenheira de alimentos, na Faculdade de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp.

A tese engloba toda a indústria química quanto à definição do prazo de validade, porém para prazo adicional, trata somente do mercado B2B (business to business), não para o consumidor final, caso dos cosméticos, por exemplo. O resultado originou no Guia de Estabilidade para Produtos Químicos, que propõe amparo técnico para solução desse caso. Segundo Luciana, o guia pode ser usado pelas empresas, já que foi pautado em regras já utilizadas e aceitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. “Utilizei os parâmetros farmacêuticos justamente por sua criticidade e consequente viabilização do uso imediato do guia”, disse. Está disponível na Unicamp e em 2014 será publicado por uma editora.

No Brasil, a lei do Código do Consumidor estabelece que todo produto comercializado deve conter em seu rótulo a indicação de prazo de validade. Em outros países, para vários produtos químicos, não é exigida a indicação dessa data, o que dificulta a situação dos importadores que, por força de lei, passam a ser considerados no País os produtores, portanto com as mesmas obrigações, e têm a responsabilidade de atribuir validade para os produtos.

“Inicialmente foi proposto, com alguma customização, que fossem aplicados os parâmetros já conhecidos e utilizados para produtos farmacêuticos, por ser esse o segmento melhor regulamentado e estruturado em estudos de estabilidade, além de naturalmente possuir limites mais críticos em relação a todos os demais”, explicou Luciana. “Depois, entendemos que poderia ser criada metodologia para revalidação do prazo de produtos químicos, antes de vencidos, com a condição de análise caso a caso e não lote a lote. A especificação caso a caso é indicada já que um mesmo lote, depois de comercializado, pode ter sido armazenado em condições distintas apesar das indicações do rótulo, podendo resultar em diferentes fases de um mesmo produto.”

Segundo a engenheira, não se trata de prolongar a vida útil, pois, dessa forma, ficaria implícito reprocessamento dos produtos. “Não é reprocessar, mas sim revalidar, ou seja, averiguar a possibilidade de estender o prazo de validade em função de análises técnicas feitas próximas ao vencimento indicado, sem quaisquer reprocessamentos ou abertura de embalagem do produto”, explicou. De acordo com ela, várias datas de validade são subestimadas em função de fatores como a diversidade climatológica do País e o correto armazenamento.

Na conclusão da tese, Luciana indicou que a próxima etapa, no pós-doutorado, seria fazer testes aplicados para produtos químicos, divididos em quatro grandes grupos em função do mercado atendido: produtos químicos para segmento farmacêutico, cosméticos, indústria alimentícia e outros, como petrolífero, tintas e couro. No momento, já desenvolve as atividades do pós-doutorado e o resultado será a implementação do guia inicial.

Para o estudo, Pedro Wongtschowski, do Grupo Ultra, sugeriu o tema e desde o início co-orientou o trabalho; a Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, sob orientação do prof. dr. Milton Mori, apoiou e propiciou condições para desenvolvimento das pesquisas; a empresa Oxiteno inicialmente ofereceu bolsa fomento e atualmente fornece os produtos e a base de dados; e a empresa Nanotimize Tecnologia agregou conhecimento e apoia com as análises quimiométricas.


Estudo pretende viabilizar uso de biocombustíveis na aviação brasileira

Relatório da Boeing, Embraer e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – Fapesp, coordenado pela Universidade Estadual de Campinas – Unicamp, aponta caminhos que o País deve percorrer para ocupar posição de destaque na indústria mundial de biocombustíveis para aviação. Entre os itens do estudo estão mais pesquisa nas áreas de matérias-primas e produção, logística de distribuição e adequação da legislação. O relatório foi divulgado pelos três parceiros nesta semana, em evento realizado na Fapesp.

O “Plano de voo para biocombustíveis de aviação no Brasil: plano de ação” balizará projetos de pesquisa apoiados pela Fapesp e pelas duas empresas de aviação no âmbito de um acordo de cooperação mantido pelas instituições, com o objetivo de estimular a pesquisa e o desenvolvimento de biocombustíveis para aviação no Brasil. O documento é resultado de uma série de oito workshops realizados entre maio e dezembro de 2012, em São Paulo, Belo Horizonte, Piracicaba, Campinas, São José dos Campos, Rio de Janeiro e Brasília, envolvendo representantes do setor aéreo, de universidades e de institutos de pesquisa, entre outros participantes.

O grande desafio científico e tecnológico hoje, em todo o mundo, de acordo com os pesquisadores, é desenvolver um biocombustível a partir de qualquer biomassa produzida em escala comercial, que tenha custo competitivo e possa ser misturado ao querosene de aviação convencional, sem a necessidade de modificações nos motores e nas turbinas e no sistema de distribuição do combustível aeronáutico.

Uma das principais conclusões do relatório é de que no Brasil há uma série de matérias-primas que se mostram promissores para a produção de bioquerosene. A cana-de-açúcar, a soja e o eucalipto são apontados como os três melhores candidatos para iniciar uma indústria de biocombustível para aviação no País. Isso, no entanto, dependerá do processo de conversão e refino escolhido, destacaram os autores. “Também há outras matérias-primas, como camelina, pinhão-manso, algas e resíduos, que podem se tornar opções viáveis”, disse Mauro Kern, vice-presidente executivo de engenharia e tecnologia da Embraer.

Os pesquisadores também analisaram diversas tecnologias de conversão e refino, como gaseificação, pirólise rápida, liquefação por solvente, hidrólise enzimática de biomassa celulósica e lignocelulósica, oligomerização de álcool para combustível de aviação, hidroprocessamento de ésteres e ácidos graxos, bem como a fermentação de açúcares e dejetos (resíduos sólidos urbanos, gases de combustão, resíduos industriais) em álcoois, hidrocarbonetos e lipídios. Todas essas tecnologias têm potencial e, no Brasil, diversas têm sido testadas para produzir biocombustíveis usados em voos de demonstração no País e também no exterior, ressaltaram os autores.

Combinadas às matérias-primas, essas tecnologias formam matriz de 13 possíveis rotas tecnológicas (pathways) indicadas no relatório como alternativas viáveis à produção de biocombustível de aviação no médio prazo.

Segundo os pesquisadores, a maioria das iniciativas para desenvolver biocombustíveis para aviação no Brasil e em outros países ainda está em estágio laboratorial – de desenvolvimento da tecnologia. Embora várias tenham recebido aprovação da American Society for Testing and Materials, entidade norte-americana certificadora de testes e materiais, nenhuma delas pode ser considerada comercial.

“Além de dificuldades técnicas, precisam ser enfrentadas questões de viabilidade econômica e demonstrados os benefícios ambientais, como a redução das emissões de gases de efeito estufa. É preciso mais pesquisa, desenvolvimento e distribuição para estabelecer tecnologias comerciais de refino de biocombustíveis e distribuição para a aviação”, lê-se no relatório.

Fonte: com informações da Agência Fapesp.