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Necessidade de reduzir custos e aumentar a produtividade incentiva desenvolvimento de tecnologias

O último Estudo dos Custos Logísticos no Brasil, realizado pela Fundação Dom Cabral, mostrou que o custo logístico consome, em média, 11,19% da receita das empresas pesquisadas, cujo faturamento equivale a 17% do PIB. Estas revelaram ter alto nível de dependência de rodovias (85,6%), máquinas e equipamentos (68,5%) e energia elétrica (66,7%) e apontaram que os maiores custos logísticos se referem ao transporte de matéria-prima e do produto acabado. Sendo assim, é importante que a indústria conheça soluções para gerenciar melhor a cadeia logística, da produção até a distribuição, colaborando para a redução de custos, maior eficiência e qualidade. Conheça a seguir uma amostra de novos produtos que podem ajudar sua empresa a otimizar os processos logísticos.

A equipe de reportagem da Revista NEI conversou também com especialistas da área para trazer os novos debates do setor. Predominaram: Radio Frequency Identification – RFID, robôs, automação, uso de dados de variadas origens para as tomadas de decisões e softwares.

Para começar, Fabiano Stringher, professor de pós-graduação em logística e supply chain da Fundação Vanzolini e pesquisador do Centro de Inovação em Sistemas Logísticos – CISLog/Poli USP, informou que pesquisadores brasileiros criaram um sistema inédito de segurança para empilhadeiras com RFID com o objetivo de prevenir acidentes. As pesquisas começaram em fevereiro de 2013 e hoje duas empresas já estão habilitadas para comercializar a tecnologia, que foi desenvolvida pela Ambev e pelo CISLog com a participação da Poli Elétrica.

O incentivo ao desenvolvimento dessa solução veio após estudos de três soluções prontas: norte-americana, espanhola e italiana. Todas baseadas em tags com RFID ativos, porém, embora acionassem alarmes sonoros para detecção de pedestres, não dispunham de sistema de atuação desejado, além disso havia o alto custo para suas implantações. “Por não ser importado e ter sido customizado para uso em empilhadeiras, o sistema com implantação completa pode ser de 30 a 40% mais competitivo”, disse Stringher.

O sistema de segurança é instalado nas empilhadeiras, podendo ser vendido à parte ou em conjunto com a empilhadeira. As tags de RFID alojadas nos pedestres e operadores (quando não estão atuando) que ocupam a região de segurança acionam o sistema com atuações sonora, luminosa e de parada da empilhadeira. A tecnologia permite guardar e exportar os registros de ocorrências com o objetivo de identificar a frequência de acionamento e as pessoas envolvidas.

Já Daniel de Oliveira Mota, professor do Instituto Mauá de Tecnologia, mestre em engenharia industrial e de sistemas, especialista em logística e supply chain pelo Massachusetts Institute of Technology e engenheiro de produção, discorreu sobre um robô, que também utiliza automação por meio de tags com RFID, indicado para uso em centros de distribuição para as atividades relacionadas à separação das ordens a ser transportadas. “Não o vejo como substituto do trabalho humano, mas auxiliar, complementando os operários em tarefas repetitivas”, opinou Mota. “O que torna essa tecnologia viável e interessante é o fato de ser eficiente e sustentável, por ser produtiva e movida a energia elétrica.” Esses robôs são utilizados por empresas estrangeiras há alguns anos; um exemplo é a Amazon, que passou de usuária a dona da empresa fabricante.

Ainda sobre robôs, Paulo Ignacio, doutor em engenharia de transportes, engenheiro de produção mecânica e professor da Faculdade de Ciências Aplicadas da Universidade Estadual de Campinas – FCA/Unicamp, comentou os que estão em teste para inspeção de cargas em portos e aeroportos, capazes de, em minutos, “visualizar” o interior de contêineres, tirar amostras para inspeção e classificar os materiais verificados. Ignacio aposta que as novidades nos processos logísticos continuarão envolvendo a automação.

“O conceito geral é aumentar o número de robôs para ganhar em flexibilidade e redundância, pois os robôs podem ser rapidamente reprogramados para seguir uma nova estratégia de operação e, no caso de quebra, são prontamente substituídos por outro robô do mesmo modelo”, comentou Eduardo Okabe, doutor em engenharia mecânica, professor da Unicamp, com ênfase em estática e dinâmica aplicada. “No entanto, a estratégia de movimentação de materiais se torna razoavelmente complexa e, sem a devida otimização, não se extrai o melhor desempenho do sistema. O conhecimento em temas tradicionalmente associados à logística, como a pesquisa operacional e os métodos de otimização, é cada vez mais necessário na gestão e concepção dos novos sistemas logísticos.”

Outro pronto comentado por Mota foi o uso de dados para as tomadas de decisões. Antes chamado de controle estatístico de processo, depois Data Driven, recentemente, Big Data, hoje o conjunto de informações utilizadas no ambiente de negócios é conhecido por Analytics. “Quando se diz Analytics não se refere somente ao uso de estatísticas para a tomada de decisões, mas ao abundante uso de dados de variadas origens para ganho de eficiência”, comentou o docente da Mauá. “Pode-se utilizar as informações do banco de dados da empresa, celular do funcionário e hábitos, entre outros, tudo isso com o objetivo de tornar mais precisas as decisões; portanto, a habilidade para lidar com volumes massivos de dados é requisito primordial para o praticante da logística nos dias atuais, por isso as escolas tradicionais de engenharia passam por uma mudança profunda para preparar os profissionais para essa nova realidade.”

Para finalizar a parte tecnológica, Mauro Vivaldini, doutor em engenharia de produção, especialista em logística e professor de pós-graduação em administração da Universidade Metodista de Piracicaba, listou mais novidades da logística:

* Software de interface uniforme (Warehouse Control System) para gestão dinâmica e controle de uma vasta gama de sistemas de manuseio de materiais e equipamentos, incluindo qualquer combinação de transportadores de triagem, armazenamento automatizado, sistemas de Pick/put by light, sistemas de escalas em movimento, equipamento de dimensionamento, impressão/aplicação, scanners, câmeras e outros;

* Labor Management System integra o Warehouse Management System com a gestão de mão de obra servindo de ferramenta para auxiliar nessa gestão;

* Sistemas de rastreamento e monitoramento de veículos;

* Sistema de picking/separação de produtos via voz, Voice Picking, com uso de headfone;

* Transelevadores e miniloads – sistemas de armazenagem que facilitam e otimizam a estocagem;

* Tecnologia LED na iluminação, telhas translúcidas e baterias de empilhadeiras inteligentes que economizam 50% de energia são usadas em centros de distribuição.

Convém acrescentar que a expansão da Internet das Coisas beneficiará os armazéns, o transporte de cargas e outros elementos da cadeia de abastecimento, alavancando a eficiência operacional.